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2009-2010

 

QUARESMA

 

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Em arquivo:

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Tempo

de

Oração

QUARESMA 2010 

Vamos Caminhar com Jesus a Caminho da Páscoa

3ª Semana 

Procurar a face do Senhor que é clemente e compassivo

                

"Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não.

Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano»".
 

O que diz o texto?

 

Nesta caminhada para a Páscoa,  este texto está a ajudar-nos a fazer o mesmo percurso que Jesus fez com os seus discípulos. Quis prepará-los para que passassem do centramento em si próprios, que alargassem as suas tendas estreitinhas para que a grandeza do amor de Deus pudesse ser acolhido, para que largassem as perspectivas idolátricas do seu modo de ver Deus, para que o pudessem seguir e vir a dar testemunho do Seu amor. Na mentalidade judaica, certamente por contaminação das culturas do Médio Oriente Antigo, as doenças, as calamidades, todo o sofrimento eram entendidos como castigo do mal cometido.

Vemos que Jesus põe a questão «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não…». Certamente, esta afirmação de Jesus causou (causa) uma certa perplexidade…Perplexidade que, certamente, terá preparado os discípulos para se interrogarem. E Jesus apresenta-lhe, em alternativa, e sem lhes deixar tempo para grandes lucubrações, a parábola da figueira. Esta árvore era-lhes familiar. O Antigo Testamento tinha utilizado, recorrentemente, a figueira como símbolo de Israel (Vi os vossos pais como os primeiros frutos da figueira… Oseias 9,10). Frutos que o Senhor da Criação olhava com enlevo, mas que, logo a seguir, nos são apresentados como a falta de resposta à esperança neles depositada. (Jeremias 8,13). O Senhor espera, pacientemente, repetidamente, que Israel (a figueira) dê frutos, isto é, que aceite converter-se à proposta de salvação que lhe é feita; dá-lhe até um tempo de espera (uma nova oportunidade), para que essa transformação ocorra. Deus revela, portanto, a sua bondade e a sua paciência; no entanto, a vida do homem não dura sempre; não permite adiamentos sem fim, adiamentos que mais não são que metáforas de recusa. O Senhor toma um tom ameaçador, tentativa amorosa de chamar a figueira à conversão e que tem de ser entendida como uma nota de esperança: Jesus confia em que a resposta final de Israel à sua missão seja positiva.

É um convite, uma esperança que não desiste: a figueira vai cumprir-se como figueira – vai dar muito fruto; numa palavra - vai passar ( vai converter-se) da esterilidade à plenitude da fecundidade.

 

O que me diz o texto?

 

Situemo-nos no círculo que acompanhava Jesus. Ao ver as notícias, “saberíamos” do Haiti, da Madeira, do Chile…Os “mais piedosos” de nós interrogar-se-iam, entre si, com um ar desolado, interrogativo…Diz-me: Onde estava Deus?

O texto diz-me – são as palavras mesmas de Jesus - que Deus não “manda as catástrofes, que Deus não é um deus castigador ( o seu nome é amor).

Pilatos fez um acto de crueldade, que tirou a vida a homens inocentes…Quem construiu a torre de Siloé ou não se tinha cansado a aprender a fazer torres, ou cedeu à ganância de não comprar o material adequado…Foi o pecado deles, não o das vítimas, que causou a desgraça.

Hoje, a ciência ensina-nos que o Universo tem as suas leis, que não é Deus que vai fazendo listas de desgraças…para castigar os homens.

O texto diz-me que Deus está para além da ideia que eu construo, que é não redutível àquilo que eu sou capaz de pensar.

Deus deu ao homem inteligência e coração; talvez possamos vir a prever terramotos. Contudo a responsabilidade da defesa do mundo, nomeadamente dos oprimidos e dos mais frágeis , Ele entregou-no-la.

Sei, pela Palavra de Deus que Deus está com todos os que sofrem e com todos os que os servem: Tive fome e deste-me de comer…

 

Atitude a desenvolver

  • Pensamos que superámos a ligação directa entre pecado e sofrimento. Sobretudo enquanto a nossa vida, ou a daqueles que mais amamos, não é atingida por nenhum furacão. Que, numa só noite, um número sem fim de pessoas encontra a morte. Mas, quando o furacão acontece…Vou pedir a Deus que me deixe entrever o Seu rosto; que me ajude a expulsar a idolatria, o infantilismo que permanece no meu coração, a ideia de Deus que é “um seguro contra todos os riscos”…

  • Como Jesus nos ensina incessantemente, nomeadamente no texto do Evangelho de hoje, Deus espera que demos muito fruto. Dar fruto? Convertermo-nos de figueira estéril que, em cada dia, nomeadamente neste tempo litúrgico  é chamada à reformulação da mentalidade, das atitudes face a Deus, face ao mundo em que vivo, face à situação concreta das pessoas que vivem ao meu lado. Para já! …É que a figueira ia adiando (e de certo modo, também nós); tantos frutos que ficaram por nascer!

  • Não quero gemer, ao almoço e ao jantar e sempre que converso com alguém, com o horror que vai pelo mundo. Não quero ter tempo para desperdiçar em lamúrias! Quero, como Jesus, “estar com”: de acordo com as minhas forças, as minhas capacidades junto daqueles que precisam de mim, para viverem com mais esperança, com mais dignidade, com mais justiça, com menos solidão. Um rosto sofrido – aí está Deus; uma mão que ajuda aí está o amor de Deus. Quero crescer, com seriedade nesta atitude de partilha. Estou a tornar possível a visibilidade de Deus!

Acabemos a nossa oração com o Salmo 102 (103).

 

SALMO

 

O SENHOR é clemente e cheio de compaixão

Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

Refrão

Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.

Refrão

O Senhor faz justiça
e defende o direito de todos os oprimidos.
Revelou a Moisés os seus caminhos
e aos filhos de Israel os seus prodígios.

Refrão

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
Como a distância da terra aos céus,
assim é grande a sua misericórdia
para os que O temem.



Confia no SENHOR!
Sê forte e corajoso, e confia no SENHOR!

Texto elaborado pelo Movimento Cristão dos Reformados, Vida Ascendente

1ª Semana  Aceitar, como Jesus, fazer deserto
2ª Semana  Crescer na fé em Deus que nos salva
3ª Semana  Procurar a face do Senhor que é clemente e compassivo
4ª Semana  A conversão em contexto de misericórdia
5ª Semana  A Quaresma é uma caminhada da justiça dos homens à misericórdia de Deus
6ª Semana  Jesus celebra a vitória do amor sobre a morte