Ano C
2009-2010
13 a 19 de Dez.
6 a 12 de Dez.
29 Nov a 5 Dez
Tempo
de
Oração
ADVENTO 2009 - 4ª Semana
A alegria e a acção de graças de Maria e de Isabel, por Deus ter mandado a salvação
“Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se a toda a pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.» Maria disse, então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva.
De hoje em diante, me chamarão feliz todas as gerações, porque enviou a salvação ao seu Povo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.»( Evangelho de Lucas l, 39-48. 55)
O que diz o texto
Maria, já grávida, foi a toda a pressa, montanha fora, para ajudar a prima, para partilhar com Isabel que também esperava um filho, a sua enorme alegria.
Quando as primas se encontram, celebram a vida; há uma alegria que transborda do texto.
Celebrar a vida que está a nascer…só podia ser um texto em que as protagonistas são mulheres, porque à mulher foi confiado, de um modo muito particular, a transmissão e a guarda da vida.
De um modo particular, o texto faz uma ligação muito estreita em transmitir a vida e ser “lugar da realização do plano de Deus”. Pois como viria a salvação se Maria se tivesse oposto a ser “fonte da Vida”, se Isabel se tivesse recusado dar a vida àquele que veio preparar os caminhos do Senhor?
Isabel diz a Maria: Bendita sejas, bendito seja o teu filho; feliz de ti porque acreditaste.
Maria diz: Agradeço ao Senhor; de hoje em diante, todos me chamarão feliz, porque o Senhor fez em mim maravilhas.
A razão maior da alegria vem da salvação que está a chegar; “Acolheu a Israel, seu servo (seu povo), lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.» Recordemos que o Povo com que Deus tinha feito uma aliança, estava sob ocupação dos romanos e que esperava o fim da sua humilhação.
O que me diz o texto
Todo o texto me suscita uma reacção de espanto: Maria “devia” estar muito preocupada e a reflectir: aceitei ficar grávida! E, agora, como vou explicar a José, aos meus pais, aos meus vizinhos? Mas, em vez disso, parece-lhe que o mais importante é ajudar a prima e lá vai, a caminho da Judeia.
A reacção de Isabel também surpreende: “devia” estar a pensar: tenho uma gravidez de risco! Será uma atitude sensata? Tenho, ao menos, de repousar e poupar-me a emoções fortes. Mas em vez disso, assim como Nossa Senhora, não tem lugar no coração, senão para a alegria.
Deus não “devia” ter sido mais “prudente”? Não devia ter escolhido outras pessoas, umas pessoas que dessem mais garantias? Pôr a salvação do mundo, a Encarnação, mistério central do Seu plano de amor, na mão de duas mulheres, uma com pouca experiência de vida, outra já a começar a faltar-lhe as forças… em vez de escolher gente mais sábia e mais poderosa… Mas, Deus, confia no pequenino “resto de Israel, nesse povo humilde e modesto que pôs a sua confiança no nome do Senhor”…
O nosso Deus compraz-se nos limites e na fragilidade daqueles que escolhe; a lógica de Deus não é, em definitivo, a minha lógica.
Atitude a desenvolver
Crescer na esperança de que Deus salva; que a última coisa que Deus quer e que as pessoas precisam é que me torne profeta da desgraça.
Aceitar dizer sim à vida, promover a defesa da vida, é dizer justiça, direitos humanos, dignidade, paz, salvação… Poder - se - à separar no texto que a Igreja nos propõe para esta 4ª semana, a alegria da vida e a alegria por estar a chegar a salvação e libertação de Jesus ao seu Povo?
Desenvolver a consciência de que Deus conta comigo, não obstante a minha fragilidade. Conta que eu me ponha, apressadamente, a caminho da Judeia, que saia da comodidade dos meus hábitos de pensar e de agir e aceite ser, pela minha consciência crítica, pela minha capacidade de atenção e de leitura aos sinais do meu tempo, pela minha oração e pelo testemunho da minha vida, sinal de “sim” a Deus, partilhando a amizade, sendo, efectivamente, solidário para com todos.
Celebrar o Natal é deixar que Deus o faça acontecer, na minha vida e na minha comunidade.
Judite Grilo - 18 de Dezembro de 2009