XI DOMINGO DO TEMPO COMUM-13 de Junho de 2010

XI DOMINGO DO TEMPO COMUM-13 de Junho de 2010

JESUS DISSE À MULHER: «A TUA FÉ TE SALVOU: VAI EM PAZ»”

(Lc 7, 50)

I LEITURA – II Sam 12, 7-10. 13

O rei David seduz uma mulher casada e envia o marido para a guerra, ao encontro duma armadilha fatal. O profeta Natã censura-o com dureza. David reconhece que é grande pecador. Deus perdoa.

SALMO – 31 (32), 1-2. 5. 7. 11 (R. cf. 5c)

Refrão: Perdoai, Senhor porque me salvastes.

II LEITURA – Gal 2, 16. 19-21

O essencial não está no cumprimento meticuloso das «obras da Lei», está na relação viva com Cristo que é a fé.

EVANGELHO – Lc 7, 36-50; 8, 3

A pecadora arrependida unge os pés de Jesus.

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XI DOMINGO DO TEMPO COMUM – O PECADO E A LEI DE DEUS

          O rei David seduz uma mulher casada. O marido é um oficial estrangeiro, que se encontra a seu serviço e está agora na frente de batalha. David manda ordens secretas para que lhe dêem uma missão sem esperança, onde encontre a morte. Depois, casa com a viúva. O profeta Nathan vem exprobrar-lhe o pecado e o crime. David tem a hombridade de reconhecer os factos e se confessar grande pecador. A Bíblia diz que Deus reconhece a sinceridade do arrependimento de David e lhe perdoa. (II Sam 11,1-12,15).

           Um fariseu convida Jesus para jantar. Era costume manter as portas abertas, e, a meio do jantar, entra uma mulher – uma prostituta da cidade – . Entre lágrimas, ela unge os pés de Jesus com perfume. O fariseu conclui: ou Jesus não é profeta (pois não sabe que ela é uma pecadora), ou é tão bom como ela. Jesus toma a palavra. Diz ao fariseu que, realmente, aquela mulher fez muito mais pecados do que ele; mas encontrou a conversão e ama a Deus na gratidão. Enquanto ele, confiado na sua justiça, não sai da mediocridade, está vazio de gratidão e de amor. “Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados». Então, os convivas começaram a dizer entre si: «Quem é este homem, que até perdoa os pecados?» E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.»” (Luc 7,36-50).

          Somos todos mais ou menos cegos a respeito do pecado. Não temos dificuldade em ver os defeitos dos outros, não reparamos nos nossos. Ou encontramos justificações e desculpas. Por exemplo, os poderosos pensaram sempre que estão acima da lei e da moral. O rei David não se coíbe de seduzir uma mulher cujo marido se encontra longe e ao seu serviço. Os jornais de ontem contam que um memorando do Departamento de Justiça dos EUA, escrito em 2002 e assinado pelo adjunto do ministro da Justiça, entende que o Presidente dos EUA, na sua autoridade de comandante-chefe, não está obrigado ao cumprimento dos tratados internacionais nem da lei federal anti tortura.

          O rei David fez longa penitência. Quanto à mulher que tinha estado na origem daquela história, e que a Bíblia acompanha por mais 30 ou 40 anos, não consta que se arrependesse. Tinha uma boa “desculpa”: a culpa fora do rei, e quem era ela para se lhe opor?

          Aquela prostituta tinha vivido abaixo da dignidade humana – não sabemos se com algumas desculpas, se sem nenhumas. Um dos males de certos pecados é determinar o futuro, fazer que o pecador não encontre saída. Pertencia a um conjunto desprezado, não encontraria apoio em ninguém. Mas ouviu Jesus: e foi-lhe dado entender que era possível mudar. Mudou, e o seu coração encheu-se de alegria.

          Ao longo de longos séculos, a moral que ensinámos na Igreja inspirou-se mais na óptica do fariseu do que na óptica de Jesus. Com base nos mandamentos de Moisés e não nas bem-aventuranças do Evangelho, prometemos a salvação aos que cumprem a letra dos mandamentos e preceitos, aos que obedecem sem murmurar, não a prometemos aos pobres, aos humildes, aos que choram, aos que trabalham pela justiça e pela paz, aos que são perseguidos porque amam a justiça. O pecado é a transgressão da Lei de Deus. Mas a Lei de Deus não é um conjunto de proibições e receitas, é o apelo a que todos vivam na verdade e no amor. Sabendo que verdade e amor neste mundo estão muitas vezes ligados à perspectiva da cruz.

           No séc. XX, um grupo de teólogos, entre os quais se destacou o P.e Häring, reencontrou a moral dos Evangelhos. Com espanto do grupo conservador, o Papa João XXIII e o Concílio II do Vaticano apoiaram estes teólogos. Mas a tentação de voltar atrás está presente

P.e João Resina Rodrigues (in a Palavra no Tempo II)