IGREJA DO CAMPO GRANDE
(IGREJA PAROQUIAL DOS SANTOS REIS MAGOS)

1. UM POUCO DE HISTÓRIA

 

Data do século XVI o conhecimento de uma pequena Ermida da invocação dos Três Santos Reis, no local do Campo Grande, sito no Campo de Alvalade, então subúrbio de Lisboa.

A Paróquia da Ermida dos Três Santos Reis começou por estar integrada na freguesia de Santa Justa de Lisboa, rezando as crónicas que, por essa época, a freguesia contava com 225 vizinhos e 1650 pessoas de comunhão.

O desenvolvimento demográfico da zona levou à sua desanexação da Paróquia de Santa Justa, tendo então sido agregada à de São João Baptista do Lumiar. Mas esta união foi de pouca dura já que , no século XVIII, volta a ter o estatuto de Paróquia independente.

O terramoto de 1755 destruiu, quase por completo, a primitiva Ermida dos Três Santos Reis. Mas de imediato se gerou um amplo movimento de recuperação e de adaptação da antiga Ermida às necessidades de desenvolvimento do Campo de Alvalade e, em particular, do Campo Grande. A esta ideia se associam, com grande empenho, os paroquianos com os seus donativos, a Misericórdia com o produto de parte das suas receitas, e a Rainha D. Maria I, autorizando o funcionamento de uma feira livre na zona circundante da Ermida cujas receitas eram exclusivamente destinadas às obras de reconstrução do templo. E foi assim que, a partir do final desta campanha de angariação de fundos e donativos que terminou em 1778, se deu inicio à reconstrução da Igreja dos Santos Reis, no Campo Grande de Lisboa, no local onde hoje se encontra. Pelo seu continuado serviço ao culto e pela acção do tempo, a Igreja veio a carecer de novas obras de conservação e reparação que tiveram lugar no termo do século XIX, que alteraram e desfiguraram a arquitectura inicial (1778) da Igreja dos Santos Reis, sobretudo a sua frontaria.

 

No inicio do século XX, mais algumas obras de exterior foram introduzidas tendo sido suprimido o adro circundante, que era delimitado por uma cortina de grades, e apeado o bonito cruzeiro, datado de 1646, que foi instalado no pátio interior do edifício.

Já nos nossos dias, em 1996, foi executada nova obra de restauro, manutenção e conservação da Igreja e levada a cabo a importante obra de construção de um salão paroquial inter comunicante com a nave central da Igreja, permitindo assim resolver o problema da insuficiência de espaço face à crescente comunidade paroquial da Igreja do Campo Grande.

Ao mesmo tempo foi possível refazer um pequeno adro lateral simbolicamente vedado, onde foi recolocado o Cruzeiro setecentista, e construir de raiz um funcional e moderno edifício onde foram instalados os serviços do Centro Social Paroquial do Campo Grande que presta apoio a largas centenas de paroquianos carenciados, através de uma Creche e de um Jardim de Infância com capacidade para receberem 40 e 50 crianças respectivamente, de um Centro de Dia que acolhe e dá almoço a cerca de 80 idosos, de um serviço de Apoio Domiciliário com capacidade para prestar assistência até 60 utentes, da Loja do Idoso, que tem por objectivo auxiliar os utentes na aquisição e/ou utilização de alguns produtos e equipamentos e de Serviços Sócio -Pedagógicos que dão apoio no seu conjunto, a cerca de 100 crianças e jovens.

2. CONSTRUÇÃO E ARQUITECTURA (Síntese)

Como já se referiu, a base da construção da actual Igreja do Campo Grande remonta aos finais do século XVIII, tratando-se de uma edificação com uma arquitectura relativamente simples.

A frontaria é constituída por um portal de entrada com sobrecarga de cantaria. Sobre o entablamento frontal existe um óculo e frontão triangular, situando-se a torre na prumada ocidental. O interior do templo é constituído pela nave e pela capela mor, sobre cujo arco se ostenta o escudo real de D. Luís, com as armas de Portugal.

 

O tecto em abobadilha de aresta, apresenta pinturas seiscentistas que foram restauradas em 1880 por Pereira Júnior, e sujeitas a recentes trabalhos de limpeza e manutenção (*), constituindo o documento mais antigo do Templo. Na face interna da fachada, encontra-se um duplo coro alto com órgão, guarnecido de balaustrada suportado por duas colunas facetadas.

NOTA: Esta síntese foi extraída do Inventário de Lisboa, Fasc.11, de Durval Pires de Lima, em edição da CML.

De registar ainda 2 painéis de azulejos na sacristia, datados de 1798, representando um, Nossa Senhora da Conceição, Santo António e São Marçal e o outro Cristo crucificado e São Caetano.

(*) Trabalhos efectuados pelo Instituto de Artes e Ofícios da Universidade Autónoma de Lisboa, sob a orientação da Drª. Geovana Dré e do Arquitecto Pancada Correia.

A capela mor apresenta uma bonita composição pictórica nos alçados laterais representando a paixão de Cristo.

No muro de topo, o retábulo de talha dourada é de estilo néo -clássico, com colunas de fustes canelados e capitéis coríntios rematada por esplendor também em talha dourada. No retábulo, as cenas figuradas são os Reis Magos e nos alçados laterais, do lado da Epístola, a Natividade e do lado do Evangelho a Circuncisão.