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ANO C

2009-2010

 

V DOMINGO

DO

TEMPO COMUM

7 de Fevereiro de 2010

 

 

 

LITURGIA DA PALAVRA

 

(Comentários do Padre João Resina Rodrigues)

ANO C

2009-2010

O Evangelho de S. Lucas vai ser o mais lido neste ano litúrgico. Os textos  escolhidos para os Domingos e Festas não são cronológicos nem contínuos, pelo que recomendamos a  leitura prévia, integral e seguida deste Evangelho.

 

ANO C

2009-2010

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Nov-Dez_09

Jan-2010

 

V DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

7 de Fevereiro de 2010

 

"(...) Deixaram tudo e seguiram Jesus."

 

                                                                      (Lc 5, 11)

I Leitura: Is 6, 1-2a. 3-8

A vocação de Isaías: experiência da Transcendência absoluta de Deus, experiência da Sua proximidade e do Seu amor.

 

SALMO -  137 (138), 1-2a. 2bc-3. 4-5. 7c-8 (R 1c)

Refrão: Na presença dos Anjos,

            eu Vos louvarei, Senhor

            

II Leitura - Forma longa 1 Cor 15, 1-11

S. Paulo resume o que aprendeu e ensina: Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou.

 

EVANGELHO - Lc 5, 1-11

A vocação de S. Pedro

Para leitura dos textos  litúrgicos clique aqui

 

V DOMINGO DO TEMPO COMUM

No Lago de Tiberíades, os peixes moviam-se em cardumes. S. Pedro andara à pesca toda a noite e não apanhara nada: os cardumes andavam longe. De manhã, Jesus pede-lhe que se faça ao largo e lance as redes. Pedro diz que sim por mera cortesia. Sabe que não vão encontrar nada, mas não valia a pena explicar isso a quem nada entendia da faina. Ora, mal as lançaram, as redes encheram-se, a ponto de quase se romperem. S. Pedro acha que está diante dum milagre. Sente-se pequeno em frente de Jesus: “Afasta-te de mim, Senhor, que eu sou um homem pecador!” (Luc 5, 1-11)

A primeira Leitura narra uma experiência parecida. Isaías é um dos notáveis da corte, no séc.VIII a.C. Um dia, estando no Templo de Jerusalém, tem a visão de Deus na sua glória. Uma tradição muito antiga afirmava que o homem, porque é pecador, é indigno de ver Deus, Aquele que é infinitamente Santo;  e que se tal acontecesse, seria imediatamente fulminado. Isaías tem medo. Mas tem sobretudo pena de se sentir pecador. Percebe que Deus é bom, que é pena não ser santo como Deus. (Is 6,1-8).

Deus não fulmina Isaías, perdoa todos os seus pecados, liberta-o do mal. Depois, diz-lhe que precisa dum mensageiro. Isaías oferece-se para a missão. Será um dos grandes Profetas.

Jesus procede de maneira parecida com S. Pedro.. Diz-lhe que não tenha medo, convida-o, e aos amigos, para serem “pescadores de homens”. E eles “deixam barcos e redes” e seguem-no.

Estes dois textos são importantes porque nos convidam a acreditar, ou ao menos a pressentir, que Deus está acima das coisas do dia a dia. Os antigos sentiam-se fracos e ignorantes perante a natureza e a história, nós parece que imaginamos que sabemos tudo e que não há saber para além. Não nos espantamos com nada. A experiência religiosa começa no dia em que descobrimos que, para além da imensidade do espaço e do tempo, existe o Infinito de Deus. Que não é o infinito do escuro, nem o infinito das operações do pensamento, é o Infinito bom do amor. E que Ele nos convida a perder todos os medos, a converter-nos dos nossos pecados, a responder-Lhe igualmente no amor, e a amar os homens, nossos irmãos.

A segunda Leitura (I Cor 15,3-11) fala também de experiências de Deus. A experiência que tiveram S. Paulo e os outros Apóstolos, e muitos homens daquela geração. O núcleo deste texto supõe-se que constituiu o primeiro credo da comunidade cristã: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia”. S. Paulo desenvolve: “A seguir, apareceu a Pedro, depois aos Doze. Posteriormente, apareceu de uma só vez a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maioria ainda vive, enquanto alguns já faleceram. Em seguida, apareceu a Tiago, depois a todos os Apóstolos. No fim de todos, apareceu-me também a mim”.

Jesus morreu e ressuscitou no ano 30, S. Paulo escreve esta carta porventura no ano 57. A referência aos cristãos que tinham visto o Senhor ressuscitado e ainda eram vivos (como ele, Paulo) é um claro convite a que os procurem e falem com eles.

A nossa fé assenta na experiência destes homens e mulheres que viram Cristo ressuscitado. Alegramo-nos com a alegria que eles tiveram, temos a humildade de não exigir a mesma experiência. Ansiamos por encontrar o Senhor, mas “temos tempo”: acreditamos que O veremos no dia da nossa morte, pois Ele nos virá buscar: “E quando Eu tiver ido, (...) virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também.” (Jo 14,1-4).

P.e João Resina Rodrigues – (Extraído da "Palavra no Tempo II")