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ANO C

2009-2010

 

III DOMINGO

da

QUARESMA

7 de Março de 2010

 

 

 

 

LITURGIA DA PALAVRA

 

(Comentários do Padre João Resina Rodrigues)

ANO C

2009-2010

O Evangelho de S. Lucas vai ser o mais lido neste ano litúrgico. Os textos  escolhidos para os Domingos e Festas não são cronológicos nem contínuos, pelo que recomendamos a  leitura prévia, integral e seguida deste Evangelho.

 

ANO C

2009-2010

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Fev-2010

 

 

III DOMINGO DA QUARESMA

 

7 de Março de 2010

I Leitura: Ex 3, 1-8a. 13-15

Um dos textos mais significativos da Bíblia. Deus ordena a Moisés: vai libertar o meu/teu povo.

SALMO -  102 (103), 1-4. 6-8. 11 (R. 8a)

Refrão: O Senhor é clemente e cheio de

             compaixão.

II Leitura - 1 Cor 10, 1-6. 10-12

A salvação não resulta automaticamente do simples facto de acompanhar o Povo de Deus

EVANGELHO - Lc 13, 1-9

Outro texto significativo. O mal não é consequência do pecado. As desgraças não estão programadas por Deus. É preciso sair desta teologia - mas é preciso entrar na teologia da conversão.

Para leitura dos textos  litúrgicos clique aqui

 

IIIDOMINGO DA QUARESMA

Dois dos textos desta missa são extremamente importantes, pois contrariam preconceitos que durante muito tempo envenenaram as religiões.        

Um desses preconceitos consiste em pensar que tudo o que acontece de importante no mundo é (ou “foi”) decidido directamente por Deus: as pessoas morrem porque “Deus as chamou”, aquela pessoa sofreu um desastre porque Deus a quis castigar, ...  Um doente que pense assim não se trata, pede que se cumpra a vontade de Deus.

“Nessa ocasião, apareceram alguns a falar-lhe dos galileus, cujo sangue Pilatos havia misturado com o dos sacrifícios que ofereciam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, Eu vo-lo digo. (...) E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, pensais que eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, Eu vo-lo digo. Mas se não vos converterdes perecereis todos da mesma forma.»” (Luc 13,1-5).

Os galileus assassinados, os habitantes de Jerusalém mortos na queda da torre, não eram mais pecadores que os outros. Isto parece ser uma resposta à ideia de que tinham morrido por julgamento de Deus. A última frase não me parece uma ameaça, mas uma advertência: se não vos converterdes, poderá acontecer que morrais (desta ou de outra maneira) antes de terdes conseguido uma boa relação com Deus.

A Bíblia ensina que o Universo foi criado por Deus e que Deus o confiou ao homem. A pouco e pouco, o homem foi descobrindo que, embora haja muito de aleatório no Universo, os fenómenos simples cumprem “leis”, e os homens gozam de liberdade. Isso significa que, embora os incêndios e as epidemias não sejam facilmente previsíveis, uma vez desencadeado numa floresta, o fogo avança; uma vez desencadeada uma epidemia, ela propaga-se; e que há homens capazes de roubar e matar. Ao contrário do tipo de religião que estou a criticar, a Bíblia sugere que é vontade de Deus que o homem entenda cada vez melhor o Universo e esteja em condições cada vez mais favoráveis para vencer as dificuldades e os obstáculos. Pensando não apenas no seu bem, mas no bem de todos os homens da Terra.

Quando eu era pequeno, já nenhuma religião aconselhava os doentes a recusar o tratamento, remetendo-se para a decisão de Deus. Mas ainda se sentia no ar o segundo preconceito: que os problemas do mundo e da história ultrapassam as capacidades do homem vulgar, e que este deve acatar as decisões de quem governa. Aqueles que estão constituídos em autoridade sabem melhor do que nós o que é bom para o “bem comum”. E, se não sabem, o que devemos fazer é rezar para que sejam iluminados por Deus. A intervenção do indivíduo isolado só aumentaria a desordem.

Ora a primeira Leitura, do Livro do Êxodo (Ex 3,1-15), conta que Deus apareceu a Moisés, um homem inteligente, enérgico e culto, mas afastado dos caminhos da política, para lhe dizer que ele não podia alhear-se da opressão a que o seu povo estava sujeito. E Deus não lhe diz: “Eu vou resolver o problema”, diz-lhe: “Tens obrigação de agir”. Moisés tenta escusar-se, pede ajuda, pede um sinal. Deus responde que vai estar presente com o seu auxílio, mas só lhe dá um sinal: quando ele tiver levado a cabo a libertação do povo judeu, há-de celebrar a vitória naquele monte.

Moisés pergunta a Deus qual é o seu Nome. Ouve como resposta: “`Ehyeh `aser `ehyeh”. Há quem entenda: "Eu sou Aquele que é” (o Ser Absoluto). Há quem ouça: “Eu sou quem sou, não podes penetrar o meu mistério”. E há uns gramáticos que traduzem: “Eu sou Aquele que serei” (Sou o Senhor do futuro, não o Senhor do passado).

P.e João Resina Rodrigues – (Extraído da "Palavra no Tempo II")