História e Património

Comunidade paroquial

Programa Pastoral

Tempo de Oração

Temas

para Reflexão

Mensagem Dominical

Paróquia

Viva

 

ANO C

2009 - 2010

 

2010

 

11 Julho

 

4 de Julho

 

27 de Junho

 

20 de Junho

 

13 de Junho

 

6 de Junho

 

 

MENSAGEM DOMINICAL

Monsenhor Vítor Feytor Pinto

ANO C - 2009 - 2010

NOTA - Por motivo de férias é suspensa a mensagem dominical até 15 de Setembro

 

Cristo - João Oom - Igreja do Campo Grande

Capela do 5º andar

ANO C

2009-2010

MESES ANTERIORES

Nov-Dez-09

Jan-2010

Fev-2010

Mar-2010

Abr-2010

Mai-2010

BOAS FÉRIAS

1.      Quem parte para férias tem primeiro que arrumar as malas, de tal maneira que nada lhe falte nos dias em que está fora. O curioso é que tem também de arrumar a casa para a deixar suficientemente acolhedora para o regresso. Estes últimos dias são, então, de intenso trabalho.

·   É preciso pagar as últimas contas para não haver surpresas, com as multas a aplicar aos atrasados, com o desligar do telefone, da água e da luz, com o acumular de dívidas que complicam a vida em Setembro.

·   Será bom ter tudo em ordem, a roupa lavada, o frigorífico vazio, o congelador só com o indispensável, as camas feitas, as roupas de inverno nas gavetas, os aparelhos eléctricos desligados.

·   Depois, convém fazer a mala onde não faltem roupas de praia ou campo, objectos de higiene pessoal, um par de sapatos suplementar, uma ou duas camisolas para dias mais frios.

·   Têm de escolher-se os livros que ficaram por ler ao longo do ano, acrescentando-lhes os que estão na moda e de que todos falam. A par disso, talvez convenha levar alguns DVDs, e alguns CDs para não falar dos Ipod ou mesmo do computador para espreitar a internet e entreter-se com jogos imaginários.

·   É claro que não podiam faltar os instrumentos de desporto, a raquete de ténis, os calções de banho, os sapatos de jogging ou até a bola de volley ou de football.

A acompanhar isto podem meter-se na mala os livros de oração, ao menos o Novo Testamento e a liturgia diária, para criar momentos de diálogo com Deus ou de preparação para a missa dominical.

Na mala, não podem levar-se coisas a mais, mas tem de se meter nela todo o indispensável para umas férias tranquilas. Em casa, tudo tem de ficar impecável, para que, no regresso, se encontre tudo no lugar.

2.      Mas em férias é necessário, também, preparar o coração. Vão encontrar-se inúmeras pessoas, quase desconhecidas, com muitas experiências e alguns problemas. Quer com os mais próximos, quer com os nossos amigos, torna-se indispensável um coração disponível. Porquê e para quê?

·   Para acolher e compreender toda a gente, sejam crianças ou adultos, jovens ou mais velhos, pobres ou ricos, pessoas conhecidas ou desconhecidas, com problemas ou sem eles, com alegria ou com sofrimento;

·   Para acompanhar, sobretudo aqueles que estão vencidos pela solidão ou pela saudade e não sabem que volta dar à vida, para serem felizes e fazerem outros felizes também;

·   Para conversar sobre coisas interessantes, o último filme que chegou às salas de cinema, um livro do escritor que está na berra, um programa de televisão que traz novas ideias, um museu que abriu há pouco tempo, um espectáculo original, uma conferência, inúmeras coisas (sem maldizer);

·   Para colaborar-servindo, talvez com a organização de programas, passeios, visitas a monumentos, torneios de desporto, ou, simplesmente, ajudando em casa, no cuidado de irmãos, dos filhos ou dos netos, em inúmeras coisas.

Só um coração que é capaz de amar se dispõe, nas férias, a atitudes destas. Se não, cai-se no egoísmo, no jogo de interesses, quando não nos caprichos, nas brigas, nas discórdias ou no mal querer.

3.      E porque não um lugar privilegiado a Deus? Com um programa de oração, as férias adquiriam uma cor mais suave, com rasgos de sobrenatural em que a contemplação daria um tom diferente a todos os momentos. Recordo as férias longínquas, oito dias no Mosteiro de Singeverga em 1959, dez dias de silêncio total em Janeiro de 1975 no Mosteiro de Monserrat, em Barcelona, e de encontros de 15 dias, na Maison de Prière em Troussures, ao pé de Paris, com o Abbé Caffarel em 1981 e 1982. Foram férias únicas que não esquecerei mais.

Nós, os padres, também fazemos férias e também as preparamos com cuidado.

·   O Padre Arcanjo está na Alemanha e na Áustria, a ajudar sacerdotes em paróquias que não podem parar no Verão.

·   O Padre António estará no mês de Setembro com a família, na sua aldeia da Beira, entre Coimbra e o Fundão.

·   Eu passarei uma semana em retiro e, depois de visitar uns amigos, ficarei com a família 15 dias na Figueira da Foz.

Desejemo-nos boas férias uns aos outros. Sacerdotes e leigos da nossa comunidade devemos descansar, cada um à sua maneira, para regressarmos cheios de energia, podendo depois avançar nos caminhos da evangelização que o nosso programa pastoral requer em 2010/2011.

4.      Antes de partirmos para férias, uma notícia muito boa para nós todos: em Setembro virá trabalhar na paróquia o Padre Joaquim Tyombé, da Arquidiocese de Lubango, em Angola. Vem estudar para a Universidade Católica e ajudar-nos-á na vida da paróquia. Agradecemos ao Senhor Patriarca a oferta deste sacerdote à nossa comunidade.

Para todos, boas férias!

11 de Julho de 2010

FAZER SILÊNCIO, UM DESAFIO

1.      O mundo actual poderia ser chamado “sociedade do barulho”. De facto, sobretudo nas grandes cidades, o ruído é ensurdecedor. O trânsito nas ruas, a vozearia nos cafés e restaurantes, o atropelo das palavras nos autocarros ou nas filas de espera em qualquer repartição, tudo traz à cidade um barulho constante. Quando se entra em casa, mais tarde, logo se liga a televisão e a rádio, diz-se para ter companhia. Os noticiários e os outros programas exigem sempre o contraditório que é o sinónimo de uma discussão que não termina mais. É claro que já se não fala das discotecas ou das festas populares, porque aí, então, o volume das vozes abafa qualquer conversa. É a “sociedade do barulho” em que o ruído parece indispensável.

2.      Em férias, não seria possível criar tempos de silêncio? Talvez fosse uma oportunidade para acalmar os sentidos e, sobretudo, para renovar o espírito. Alguns momentos de silêncio, ao longo dos dias, são um tónico para a saúde física, mas são-no sobretudo para a saúde mental ou, porque não dizê-lo, para o equilíbrio espiritual da pessoa humana. Passa-se a vida a correr de um lado para o outro, a multiplicar conversas de negócios ou de entretém, a ouvir recomendações e conselhos quando não gritos e insultos. Nesta vida agitada de um ano é urgente parar, respirar fundo, fazer silêncio, para ter a serenidade indispensável à harmonia e ao equilíbrio que fazem saudável o ser humano. Este silêncio tem inúmeras dimensões. É no conjunto delas que o silêncio se torna indispensável.

·   Só no silêncio se dão asas à recordação. Trazer à memória todo um passado de que se tem saudades é um exercício que no silêncio se consegue. Pessoas e acontecimentos passam pelo coração e recriam a vida.

·   Só no silêncio se aprofunda a fé. O encontro coma pessoa de Jesus, na fé cristã, exige percorrer os seus caminhos, ouvir de novo as suas palavras, entender os seus gestos. Tudo isto só é possível quando o ruído, à volta, se cala.

·   Só no silêncio é possível a contemplação e o êxtase. O nascer e o pôr do sol, a quebra das ondas junto à praia, a brisa da tarde nas florestas, o sorriso das crianças e a beleza das flores, tudo reclama a paz interior que sem o silêncio não se consegue.

·   Só no silêncio se pode fazer investigação científica ou produção literária. Criar acontecimentos úteis à humanidade, descobrir fórmulas que concretizem esperanças, escrever contos e poemas que recheiam o espírito e tantas outras coisas que são inovação, tudo nasce no silêncio que se abriu ao que era novo.

·   Só no silêncio pode viver-se em intimidade com Deus. Com razão, o Evangelho de Mateus refere que é preciso cada um fechar-se no seu quarto e, ali, a sós com Deus, falar com Ele como um amigo fala a seu amigo. Esta experiência vital de Deus não admite o barulho, pede um silêncio sempre maior.

·   Só no silêncio o amor se revela. Depois de muito terem conversado, aqueles que se amam de verdade, caminham de mãos dadas sem nada precisarem de dizer. O silêncio é a consagração do amor.

Na sociedade do ruído, descobrir o silêncio é um desafio de maior importância. E o que é pena é que a maior parte das pessoas ainda não o entenderam.

3.      O silêncio das palavras abre a porta à linguagem dos gestos Durante as férias, pode ser original programar tempos de silêncio. Alguns fazem-no durante alguns dias, num retiro espiritual ou cultural; outros consagram um dia por semana para se isolarem, passeando sozinhos na montanha ou à beira-mar; outros ainda reservam meia hora diária para “desintoxicar” do ruído de um dia em que continuam a estar no meio do barulho da família ou do grupo de amigos. Estes tempos de silêncio são essenciais, no tempo de férias. As férias são dias únicos para dar tempo em silêncio àquilo que quase se não faz durante o ano:

·   Dar tempo à poesia: ler os poetas e entender as suas mensagens, tantas vezes fundamentais para construir mundos novos;

·   Dar tempo às artes: parar diante de um quadro, de autor preferido e tentar entender a sua linguagem; na pintura, na escultura, nas artes plásticas há sempre segredos a descobrir;

·    Dar tempo à ternura: acompanhar o silêncio de um velho, com tantas histórias de vida, ou admirar a paz de uma criança no silêncio do berço, ou deixar a saudade invadir o coração;

·   Dar tempo à oração: criar espaços de silêncio para fazer a experiência vital de Deus que constantemente interpela para uma felicidade diferente, a alegria dos seus dons;

O silêncio das palavras não é o silêncio do coração. Sem ruído, o coração fala mais alto e sentem-se mais os desafios da realização e da esperança.

4.      Porquê falar do silêncio neste tempo de férias? Calar as vozes que inquietam, calar as vozes que magoam, calar as vozes que dispersam, é um exercício magnífico para o tempo que todos os anos se repete no Verão. Porque as férias são necessárias perante o trabalho que a todos espera no ano que começa em Setembro, o silêncio é agora muito importante.

·   Para descansar dos inúmeros ruídos que a todos envolveram meses a fio e que impediram algum melhor acerto nas decisões;

·   Para sonhar novos ideais que vão dar mais beleza ao cansaço de cada dia, com projectos inovadores que respondam ao anúncio da Boa Nova e ao serviço da caridade;

·   Para dialogar com Deus na oração que cada um procurará ter, com mais intimidade e com a criatividade necessária para a plena e perfeita identificação com Cristo que nos conduz à santidade.

Aproveitemos as férias para fazer silêncio, a fim de que possamos depois conversar com os outros, a partir de um coração novo, um coração que sabe amar.

4 de Julho de 2010

AS FÉRIAS ESTÃO A CHEGAR

  1. O Verão começou, como acontece todos os anos, a 21 de Junho. Já fazia falta o sol e a pontinha de calor que dá alegria à vida, uma vez que a chuva e o frio teimavam em continuar. Os próximos meses, Julho, Agosto e Setembro, são oportunidade para, à escolha de cada um, se programarem as férias. Muitos não conseguem mais do que uns 15 dias de descanso. Alguns propõem-se, durante um mês, sair do seu meio habitual e rumar para outras paragens, deixando para trás todas as preocupações. Só as crianças e os jovens nas escolas podem alargar mais os dias de repouso. Mas será que as pessoas são capazes de preparar os dias de férias, programar as actividades a desenvolver, escolher com cuidado a forma de ocupar os dias? É a isto que se chama “preparar as férias”. O que são afinal as férias?

·   Tempo de descanso, após um ano de trabalho, muitas vezes carregado de dificuldades, com sofrimento à mistura e sem os resultados desejados. É, então, oportunidade de recuperar forças.

·   Tempo para rumar a outras paragens, ver outros lugares, conhecer outras culturas, contactar com outras pessoas, fazer outras experiências, experimentar outros sabores, um sem número de coisas que uma viagem proporciona.

·   Tempo para estar com velhos amigos que, ao longo do ano, vivem longe. É o momento de fazer crescer uma amizade que nem os silêncios, nem as distâncias conseguem apagar. De facto, os verdadeiros amigos são os primeiros e nem sempre pode estar-se com eles…

·   Tempo para fazer coisas que se guardaram para as férias: ler alguns livros, ver alguns filmes, ouvir música, visitar algum museu, experimentar alguns “pratos exóticos”, saborear a vida no convívio da família, com filhos e netos por perto.

·   Tempo para ir à praia, para estar no campo, para respirar silêncio, para deixar o sol entrar na vida e ler, no caminho das estrelas, o sonho de aventuras sempre mais belas, com a certeza de que tudo isto tonifica o espírito e dá coragem para recomeçar.

  1. As férias serão também tempo para Deus? Esta é uma pergunta oportuna, uma vez que muitos, em férias, se esquecem de conversar com este amigo único, “o Senhor Deus das nossas vidas”. Há pessoas que consagram os primeiros dias de férias a tempo de recolhimento, numa qualquer casa de oração. Pode ser num retiro pessoal ou de grupo ou, simplesmente, num mosteiro ou convento onde todo o ambiente facilita a relação com Deus. Depois, ao longo dos outros dias de férias, podem programar-se actividades mais voltadas para a espiritualidade:

·   Procurando aprofundar a fé, na leitura da Palavra de Deus, no conhecimento mais exigente da pessoa de Jesus Cristo, na afirmação de uma aproximação maior ao mistério da Igreja;

·   Consagrando um tempo significativo à oração, “falando com Deus como um amigo fala a seu amigo” (cf. Ex 33, 7-11), confrontando os acontecimentos lidos nos jornais com o projecto de Deus que é sempre um projecto de amor e de paz;

·   Dedicando algumas horas a visitar os mais pobres, levando-lhes o conforto de uma presença, com a partilha suficiente que os alivie nas suas dificuldades e lhes garanta a suficiente qualidade de vida;

·   Participando com mais frequência na Eucaristia, o grande Sacramento que “é sinal de unidade, vínculo de amor e banquete da alegria pascal” (S.C.47); a missa quase diária pode ser estímulo para uma espiritualidade comprometida na vida;

·   Vivendo com o povo as festas dos oragos da aldeia, dando assim testemunho de uma fé vivida dentro da comunidade local; participar nas tradições das terras de referência é um sinal de que a cultura, os ambientes mais abertos, o sucesso social não adormeceram a fé cristã recebida no seio da família.

Deus não pode estar ausente das férias de um cristão. Importante é saber como privilegiar a relação com Deus, num tempo que está mais livre, em que melhor se pode chamar a Deus “Abba, Pai”.

  1. Desafios para as férias de 2010. Este ano os cristãos estão envolvidos em acontecimentos que marcaram muito a vida das famílias, das comunidades, dos movimentos.

·   Há uma crise económica, o que obriga os cristãos a serem moderados nas suas despesas. Mesmo que tenham bens, também então têm o dever de ser austeros, repartindo o que gastariam, por outros que não têm possibilidade de fazer férias.

·   Bento XVI fez uma viagem apostólica a Portugal. Em férias há oportunidade de reler os discursos do Papa, ver o DVD que lembra a passagem do Santo Padre por Lisboa, Fátima e Porto, tirar conclusões para a actividade pastoral do próximo ano.

·   O ano 2010 foi o Ano Sacerdotal. Poderá fazer-se um estudo sobre o sacerdócio, descobrir a importância do sacerdócio comum que todos os cristãos devem sentir ser elemento da sua consagração baptismal e, também, sentir a responsabilidade pelo sacerdócio ministerial. Conversar sobre a missão sacerdotal, interessar os jovens pela beleza desta missão e orar constantemente ao Senhor para que “mande operários para a sua messe” (Lc. 10, 3).

·   A passagem do Padre João para a casa de Deus obriga a pensar como pode cada um compensar a sua falta: aceitando ser catequista, querendo colaborar na liturgia das crianças ou em outras, continuar a estudar para valorizar a sua acção pastoral.

Estes e outros acontecimentos podem motivar uma programação diferente das nossas férias. A criatividade faz parte da nossa maravilhosa aventura humana e cristã.

  1. A Paróquia também tem tempo de férias. Nestes três meses, reduzem-se as actividades. Cada sacerdote terá um mês de férias: Julho – Padre Arcanjo; Agosto – Padre Vitor; Setembro – Padre António. O Padre Ernesto ajuda a cobrir as faltas. Ao domingo deixarão de celebrar-se as missas das 13h 15 e das 17h 45. As catequeses param até Setembro. Só a caridade continua em pleno a responder aos desafios do amor repartido.

      Preparemo-nos para as nossas férias.

27 de Junho de 2010

AVALIAÇÃO

  1. Quando se fala de avaliação, acontece sempre uma certa angústia, porque as pessoas temem que os outros se debrucem apenas sobre o que de negativo aconteceu na sua acção ou na sua vida. Avaliação, porém, é extremamente importante, para reconhecer o que de bem se fez e que é preciso continuar a valorizar ainda mais, e para enfrentar o que houve de menos bom e que pode ser corrigido, depois de ultrapassado, abrindo portas a novos sonhos. Avaliar e ser avaliado faz parte do caminho normal das pessoas e das organizações.

·   O exame de consciência, tão recomendado na nossa vida espiritual, é uma forma bonita de avaliação pessoal.

·   As provas de exame propostas nas escolas, quer para passar de ano, quer para fazer licenciaturas, mestrados e doutoramentos, são indispensáveis a resultados importantes para as pessoas e as instituições.

·   A avaliação de profissionais constitui um desafio à mais qualidade, utilíssimo para garantir desempenhos – atingir melhores objectivos.

·   As empresas são avaliadas pelos relatórios de actividades e de contas que, com resultados positivos, permitem projectar mais longe os novos programas e orçamentos.

·   Também as comunidades cristãs têm o dever de avaliar-se e deixar-se avaliar, tendo em atenção a sua acção profética, litúrgica e sociocaritativa. É por isso que as paróquias dão conta à diocese das suas dificuldades e dos seus projectos, esperando a aprovação sempre necessária.

·   Até a Igreja universal, em muitos Sínodos e Concílios, faz exercício de avaliação, para corrigir erros (os Papas chegam a pedir perdão por eles) e para abrir caminhos novos perante o mundo que se renova, sobretudo, perante as constantes exigências do Evangelho.

Avaliar é acto indispensável à vida humana, uma vez que os seres humanos são imperfeitos e devem poder chegar mais longe, lutando constantemente, para a perfeição desejada. 

  1. Jesus Cristo não teve receio de avaliar e de deixar-se avaliar. Ao longo do Evangelho deparamos com situações que são maravilhoso exercício de avaliação sem um estudo exaustivo. Gosto de recordar alguns:

·   Depois de enviar os discípulos dois a dois, deu-lhes orientação e eles partiram para levar a paz a toda a gente onde chegavam (cf. Lc 10, 17-20). Depois, reuniu-se com eles e eles contaram o que aconteceu, tendo Jesus dado a palavra final de avaliação de quanto haviam feito.

·   A Pedro, cuja debilidade bem conhecia, apesar do sua espantosa generosidade, pôde dizer: “E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32). É o convite a uma certa revisão de vida, autêntica avaliação pessoal para Pedro.

·   A João e Tiago, filhos de Zebedeu, Jesus foi capaz de dizer “não sabeis o que estais a pedir” (Mt 20, 22). Ter este ou aquele lugar não depende de mim mas do Pai que está nos céus.

·   A Judas, numa última tentativa de aproximação, quase a pedir-lhe que revisse a sua posição, Jesus soube dizer: “Com um beijo, entregas o Filho do Homem?” (Lc 22, 48). Era o último apelo à avaliação necessária, para não cair na tentação de trair um amigo.

·   O próprio Jesus também quis avaliar-se. Na oração em Getsmani Ele acabou por rezar: “Pai, se é possível, afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22, 42).

            Em todo o seu caminhar, Jesus foi-se avaliando para cumprir sempre a vontade do Pai e soube avaliar os seus discípulos para que, vencidas as dificuldades, pudessem com a força do Espírito Santo, continuar a obra começada.

  1. Também na Paróquia do Campo Grande queremos avaliar todos os projectos que estão em curso. Neste fim de ano pastoral, viveram-se inúmeras iniciativas, algumas de extraordinária importância e mesmo excepcionais. Foi o caso da passagem do Papa pela nossa paróquia (na Av. Estados Unidos e em Entrecampos e Av. da República) e também o Ano Sacerdotal (com a imagem do Bom Pastor entre nós). Tivemos em toda a acção pastoral uns 38 projectos diferentes. Como realizámos esta aventura pastoral?

·   Pedimos a cada projecto um pequeno relatório numa folha A4, com a indicação dos resultados conseguidos e a ideia para prosseguir a acção.

·   A 9 de Julho, o Conselho Permanente (secretariado) irá analisar o que se fez, cruzar os elementos que permitam fazer crescer a comunidade, nesta grande aventura da evangelização.

·   Estabelecer-se-ão os critérios de acção para o próximo ano pastoral, tendo em conta a profecia (o anúncio de Jesus Cristo vivo), a liturgia (a celebração dos sacramentos, a vida de oração), a acção sociocaritativa (a caridade generosa em tempo de grande crise).

·   Conseguir-se-á lançar em Setembro o novo programa pastoral para 2010/2011, desafio enorme para, com entusiasmo, continuarmos a levar a todos os que no-la pedem a Boa Nova da Salvação.

São os serviços que estão a autoavaliar-se, é a comunidade paroquial enquanto tal que deixa avaliar-se, é cada pessoa, com exigência espiritual que tem de avaliar-se. A avaliação, procura do bem que se faz para o projectar e do menos bom que acontece para o contrariar, é isso que permite “fazer novas todas as coisas” (Ap. 21,5)

4.     Já se está a preparar o novo ano pastoral. É no esforço de todos, na generosidade de muitos e na alegria de cada um que continuamos unidos “na doutrina dos apóstolos, na fracção do pão, nas orações e, até, na partilha de bens” (Act 2, 42-43).

20 de Junho de 2010

CARTA DE ROMA

 NO GRANDE CENÁCULO DO ANO SACERDOTAL

Queridos Amigos

  1. Escrevo de Roma, onde estou a participar num encontro de sacerdotes que marcará o fim do Ano Sacerdotal. Como sabem, este ano foi considerado “Jubilar”, pois nele se comemoram os 150 anos da morte do santo Cura d’Ars, modelo de sacerdote. O Papa Bento XVI quis encerrar o ano sacerdotal com um “grande cenáculo”, tempo de fraternidade, de reflexão e oração. Estamos quase 8.000 sacerdotes, dos cinco continentes, representando umas centenas de países. Não podem imaginar a alegria que sentimos, estando lado a lado, padres mais novos e mais velhos, padres diocesanos e religiosos, padres cheios de vida e outros já cansados por inúmeros caminhos. Durante estes três dias em Roma, 9, 10, 11 de Junho, reunimo-nos em duas das Basílicas de Roma: S. Paulo fora de Muros e S. João de Latrão. É nesta que estou a viver cada momento deste grande encontro.

A Basílica de S. João de Latrão é a cátedra da Diocese de Roma, o que a coloca acima de todas as Igrejas do mundo. É aqui que se reúnem 50% dos 7.500 padres inscritos neste “cenáculo”. Temos três grandes temas de reflexão:

·   Conversão e missão – Só um coração radicalmente convertido ao Senhor Jesus Cristo, em caminho de santidade, será capaz de viver a missão de ir por todo o mundo anunciar a Boa Nova. O próprio Jesus dissera a Pedro: “E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32).

·   Invocando o Espírito Santo com Maria, em fraterna comunhão – “O amor está difundido nos nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Ro 5,5). Esta certeza cria relação de amor no presbitério, de tal forma que nenhum sacerdote fica sozinho, quanto ao serviço do Reino, com Maria Mãe de Jesus.

·   Com Pedro, em comunhão eclesial – A vida, na comunidade cristã, é uma vida em comunhão. “Que a minha comunhão convosco seja também comunhão com o Pai e seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1,3). Esta densidade da unidade eclesial é parte integrante do sacerdócio, também ele gerador de unidade.

No último dia, na Praça de S. Pedro, celebraremos a Eucaristia com Bento XVI. É o momento mais alto deste nosso cenáculo.

  1. A ideia da comunhão sacerdotal é a marca destes dias do Ano Sacerdotal. De facto, no dia da ordenação sacerdotal, o padre afirma a sua comunhão com o Bispo e, através dele, a sua união a todo o presbitério. “Prometes-me obediência e reverência” pergunta o Bispo, ao que o jovem padre responde: “Prometo”. Esta obediência e reverência outra coisa não são do que a entrega da inteligência e da vontade na missão que ao padre é confiada. Esta comunhão total é indispensável, é o grande sinal da unidade. Ao longo da minha vida tenho sentido, de muitas formas, o desafio desta comunhão total.

·   Recordo o Bispo que me ordenou, D. Domingos, Bispo da Guarda. Chamou-me para trabalhar com ele. Acompanhei os seus sonhos, as suas esperanças, como as suas desilusões e sofrimentos. Foi um tempo de entrega total.

·   Recordo o Padre Manuel, depois Bispo de Nampula. Durante seis anos, em trabalho lado a lado, recriei o sacerdócio e descobri as alegrias do serviço radical aos outros. Como ele me disse, em cartão que me enviou: “Nunca queiras nada, serve sem medida”.

·   Recordo também o Padre Armindo, que um dia me acolheu no Campo Grande e me aceitou para celebrar, em cada domingo, a Eucaristia do Campo Grande. E a comunhão foi tal que acabei por ficar, para continuar o milagre da Igreja na cidade.

·   Recordo ainda o Padre João, que agora nos deixou. Durante duas dezenas de anos foi confidente a quem confiava dificuldades, mas foi também exigente no pensar e sonhar ministério, e foi sobretudo exemplo de desprendimento, de pobreza, de disponibilidade total.

Falar de comunhão sacerdotal reclama descobrir quem nos ajudou a caminhar e, ao mesmo tempo, reclama também saber a quem podemos apoiar nas sendas do sacerdócio.

  1. Nestes dias de Roma, o cenáculo é sobretudo um tempo de retiro espiritual e de oração comprometida. Três marcas podem ficar do ano sacerdotal:

·   A referência constante à pessoa de Jesus. A vida sacerdotal não assenta em doutrinas ou preceitos, radica na pessoa viva de Jesus que dá sentido a todos os momentos do sacerdócio. A minha vida está n’Ele.

·   A fidelidade à missão. Só o amor é garantia de fidelidade. E porque se ama o que se é e o que se faz, a eficácia da missão está garantida. Assim eu saiba amar.

·   A oração pessoal intensa. Sem tempos de intimidade com Deus, sem a experiência vital de Deus, não é possível ser fiel e realizar a missão que me é confiada.

Esta trilogia simples pode ser a conclusão a tirar deste cenáculo sacerdotal que agora se abriu em Roma e a que eu tenho o privilégio de participar.

  1. Queridos Amigos, durante esta semana no centro da cristandade terei sempre presente a nossa comunidade paroquial de Campo Grande. Desejo que continuemos unidos, pedindo ao Senhor que nos dê sacerdotes, para que a nossa missão possa chegar mais longe.

Muito unido no Senhor Jesus Cristo.

13 de Junho de 2010

PASSOU PELA NOSSA PARÓQUIA FAZENDO O BEM

1. O dia do Corpo de Deus, na nossa paróquia do Campo Grande, foi este ano diferente. Pelas 10 da manhã, no hospital de S. José, o Padre João não resistiu aos sofrimentos dos últimos meses e partiu ao encontro de Deus. Não podia ter um dia mais bonito para celebrar a ressurreição. Ele sabia que “a vida não acaba apenas se transforma e, desfeita a tenda do exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna” (2 Cor 5,1). Então, nesta Festa do Corpo e Sangue de Cristo, o Padre João foi celebrar no Céu o banquete eterno, a Eucaristia definitiva. Ele conhece, hoje, em toda a sua plenitude, a glória do Cordeiro. A 17 de Dezembro passado, com uma queda na rua, começou o calvário do Padre João Resina. Um hematoma extensíssimo, uma cirurgia de risco e, depois, um coma de quase seis meses.

  • Depois desta situação extrema, em inconsciência profunda, com total

  incapacidade de comunicação, sem poder responder a familiares e

  amigos,

• Depois de intensos cuidados médicos, no Curry Cabral, em S. José e no Hospital do Mar,

• Depois das inúmeras visitas das pessoas mais próximas que, sem grandes sinais, procuravam adivinhar sentimentos e expressões, sorrisos e angústias,

• Depois do carinho dos irmãos que o não deixaram um único momento e tudo fizeram para o trazer de novo à vida,

• Depois do Sacramento da Unção dos Doentes e das muitas orações repetidamente feitas na Comunidade Paroquial, 

após todas as incertezas e as esperanças, abriram-se para o Padre João Resina as Portas do Paraíso. Vale a pena rezar: “As portas da nova cidade abrem-se para ti. Deus é Pai, é Amigo, salvar-te-á.” 

2. O Padre João nunca gostou de homenagens, nem quando se jubilou, deixando de ser professor no Técnico, nem quando completou 50 anos de Sacerdócio. Nunca quis mais que uma Eucaristia de Acção de Graças e uma refeição de amigos. Nem ‘prendas’, nem ‘discursos’, nem outras expressões de festa. É claro que não pode fazer-se agora uma homenagem póstuma. Mas é muito bom recordar o Padre João. 

• Foi um sacerdote com total entrega à sua missão: em Belém, com o Padre Felicidade; na Capela do Rato em tempos muito difíceis; em S. Nicolau e em Moscavide, com responsabilidades pastorais acrescidas; aqui na nossa comunidade paroquial do Campo Grande que acumulou com a Paróquia da Cruz Quebrada; em tudo sempre o mesmo pastor.

• Foi um cientista de extraordinário rigor, desde Lovaina onde se doutorou, ao Instituto Superior Técnico onde ensinou e à Universidade Católica, com os seus vários institutos, onde ajudou a formar profissionais de qualidade.

• Foi um pensador de rara cultura publicando artigos, proferindo conferências, escrevendo livros, dando opinião, comunicando as suas reflexões que se repercutiam depois na prática de muitos.

• Foi um catequista de rara intuição, abrindo caminhos novos na transmissão da Palavra de Deus a crianças e a adultos, para a descoberta da fé cristã, como razão de viver. No Campo Grande rasgou horizontes, formou pessoas, iniciou uma catequese para o futuro, provando que ciência e fé se não contradizem.

• Foi um amigo único, no estar, no respeitar, no conviver e no servir. Se amar é fazer felizes os outros, o Padre João teve atenção com todos, relacionando-se com cada um segundo a sua cultura, a sua sensibilidade, a sua fascinação pelo belo, pela riqueza que cada pessoa trazia consigo.

• Foi um homem de oração que se perdia, noite adentro, com um pequeno grupo de amigos, a conversar com Deus, na capela do quinto andar aqui na Paróquia. Gostava muito de fazer silêncio, cultivando a intimidade máxima com o Senhor a quem deu a vida. 

O Padre João foi um homem de Deus, é a síntese que resume toda a sua vida pessoal, quer na cultura, na ciência, na filosofia, quer na sua fé, no seu sacerdócio, na sua acção pastoral. 

3. Nos últimos trinta anos, o Padre João Resina foi nosso companheiro de caminho ao serviço da Comunidade Paroquial do Campo Grande. Estou certo de que não partiu. Como acreditamos na vida eterna, compreendemos a morte, o maior limite, mas cremos também na ressurreição, o maior desafio. De certeza que o Padre João junto de Deus vai acompanhar dia a dia a vida da nossa comunidade. Mais do que pedirmos para ele a paz, queremos pedir-lhe que junto de Deus peça por nós, pelo nosso trabalho e por todos os que, de qualquer maneira, recorrem à nossa comunidade.

Padre João, até breve!

6 de Junho de 2010