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NA QUARESMA,
DAR MAIS TEMPO À ORAÇÃO
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A oração constitui o normal respirar,
na vida do cristão. Quem esquece a oração, em termos de vida
cristã, quem abandona a oração, acaba por morrer, porque lhe falta o
contacto habitual com Cristo, o único que dá a vida e vida em
abundância. Daí a recomendação de Jesus: "Convém orar sempre, sem
nunca desanimar" (Lc 18,1). A quaresma traz consigo o convite a uma
oração frequente. A Igreja, no séc. IV, propôs quarenta dias para a
preparação da Páscoa, porque quarenta dias tinha sido o tempo de
deserto a que Jesus se sujeitou ao preparar a sua vida publica. A
Quaresma é este tempo de deserto que os cristãos podem viver em
oração, antes de chegarem à alegria da Páscoa. Aliás, depois, ao
longo de toda a sua vida pública, Jesus de muitas maneiras fará
silêncio, para se encontrar com o Pai, em oração profunda.
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No Baptismo, nas águas do
Jordão, tomado do Espírito, aceitou a missão que o Pai lhe dava:
"Este é o meu filho mito amado em quem pus todo o meu enlevo,
escutai-O" (Lc 3, 21-22).
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Na Transfiguração, no Monte
Tabor, arrastara consigo três discípulos, para com eles,
recordar a libertação do povo de Israel (Moisés) e a constante
presença de Deus nas profecias (Elias). Também os discípulos
foram envolvidos na contemplação do Pai (cf. Mt 17, 1-9).
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Nas canseiras do anúncio da
Boa Nova, muitas vezes deixou os discípulos e subiu sozinho ao
monta para rezar. era ali que o surpreendiam as multidões
famintas de graças e de bênçãos.
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No Jardim das Oliveiras,
mesmo com os discípulos a dormir, Jesus pede ao Pai que lhe
afaste este cálice de dor. "Mas não se faça a minha vontade, ó
Pai, mas só a Tua vontade." (Mt 26, 34).
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Na Cruz, na densidade da
maior dor, aceitou cumprir a missão dando a vida, mas, ao mesmo
tempo, pede pelos homens prometendo o paraíso a um que com Ele
fora crucificado.
Para Jesus, o diálogo com o Pai foi uma
constante. Em todas as circunstâncias, descobriu a forma de se
relacionar com o Pai e de viver ao ritmo da sua vontade. A oração de
Jesus era mais do que um encontro com o Pai, era um compromisso
constante.
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Perguntar-se-á, como é a oração dos
cristãos sobretudo neste tempo de quaresma? Será mesmo encontro,
diálogo e compromisso? No mundo de hoje, mesmo os cristãos, quase
todos perderam o hábito de oração frequente. O mundo tem muito
ruído, as pessoas andam muito atarefadas, a ciência, as filosofias,
os interesses ocuparam o lugar de Deus. A ciência tem respostas que
dispensam Deus, na solução dos problemas dos homens. As filosofias
justificam tudo pela razão, pelo que Deus já não tem lugar como
grande arquitecto do universo e garante do agir humano. Os
interesses satisfazem-se com o jogo de influências onde Deus não tem
lugar. A oração tornou-se artigo dispensável, porque dela não vem
qualquer lucro. A perda de fé é uma consequência e a oração é
desnecessária. Num mundo assim, torna-se essencial, para o cristão,
uma redescoberta da relação com Deus, através da oração, encontro,
diálogo, compromisso.
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A oração é encontro. O
encontro com Deus supõe alguma intimidade. Razão pela qual
Moisés "plantou a tenda da oração fora do acampamento" (Ex 33,
7). Também Jesus disse aos discípulos "fecha-te no teu quarto e
ali, a sós com Deus, fala com Ele como um amigo fala a seu
amigo" (Mt 6, 6).
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A oração é diálogo. O diálogo
exige comunicação, o dar e receber, o transmitir alegrias e
dificuldades, esperando logo depois as respostas que dão sentido
ao que se está a viver. Com razão o Vaticano II, na Dei Verbum
diz que "a Deus falamos quando rezamos e a Deus escutamos quando
lemos a "Sua Palavra" (D.V. 25). É um diálogo vivo.
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A oração é compromisso.
Quando se está com um amigo e ele fala, interpela, propõe,
sentimo-nos comprometidos a agir, para responder com eficácia a
tudo aquilo que motivou a nossa conversa. É assim com Deus, na
oração. Eu que vivi a experiência de Deus, comprometo-me a dar
continuidade, na vida, a tudo o que na oração "conversei".
Infelizmente. a maior parte dos cristãos
vive orações rituais, normalmente marcadas pela rotina e sem
influência na vida que se vive em família, no trabalho, na
sociedade.
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Podem sugerir-se alguns desafios para
uma oração mais exigente neste tempo de Quaresma. Para dar-se
mais tempo a Deus, na intimidade de um encontro que se quer
profundo, fora do barulho do mundo. Podem ensaiar-se conversas com
Deus, sabendo que na Palavra de Deus se descobrem respostas para os
problemas do dia-a-dia. Podem assumir-se compromissos, para uma vida
diferente, de autênticas atitudes cristãs, assumindo a ordem
temporal na verdade, na justiça, no amor. Para consegui-lo, há
várias propostas:
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A "Lectio Divina", com a
leitura e reflexão sobre a Palavra de Deus. Métodos? É simples:
ler, reler, sublinhar, fazer silêncio, e tentar aplicar à vida o
que se reflectiu. Um quarto de hora, ou mais, todos os dias.
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A "Liturgia das horas", com a
oração de laudes (de manhã) e de vésperas (à tarde) saboreando
os salmos e as pequenas leituras que são desafio para o ser
cristão.
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A Eucaristia ferial", ao
menos uma vez por semana, utilizando a celebração do mistério
pascal para uma mais profunda comunhão com Cristo Redentor e
Senhor.
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Um tempo especial dado a Maria,
eventualmente a celebração dos mistérios da luz, para
compreender a riqueza do Rosário na perspectiva da vida cristã.
E tantas outras iniciativas onde não
faltarão livros de leitura, conversas com tertúlias, debates sobre
temas de actualidade, tudo componentes de uma Quaresma vivida com
mais intensidade e verdade cristã.
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A meio da Quaresma, a Comunidade
Paroquial do Campo Grande tem a oportunidade de avaliar como está a
vivê-la. Não pode acontecer que seja um tempo como os outros. A
renovação quaresmal depende de cada um de nós.
7 de Março de 2010
Veja também Tempo de Oração -
3ª semana da Quaresma

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