O MISTÉRIO DO AMOR HUMANO – Neste domingo começa na liturgia o Tempo Comum. Em cada domingo é escolhido um tema essencial para a vida do cristão. A primeira reflexão proposta, evoca o mistério do amor. Pode dizer-se que o amor humano está por compreender. Muitos consideram-no apenas desejo, outros referem-no como sentimento e alguns julgam que só é verdadeiro quando é paixão. Ora, o amor humano podendo ter todos estes elementos, deverá ser muito mais do que isso. O amor tem que ser compromisso. Um pouco à maneira da fé, também o amor é confiança em alguém, é conhecimento de alguém, é compromisso de vida com alguém. As leituras deste domingo convidam a um amor compromisso.

Nas bodas de Caná, ao faltar o vinho, acontecem situações que transformam completamente a relação entre as pessoas. É Maria que se dá conta da falta de vinho, é Jesus que apesar de não ser ainda a sua hora se dispõe a apoiar um casal de noivos em dificuldade, é um servidor surpreendido com a qualidade do vinho que está a ser servido, são todos os convidados que se apercebem que aquele vinho é o melhor. Podia dizer-se que o amor humano reclama atenção aos acontecimentos, capacidade de resolver as dificuldades com a criatividade necessária, compreensão para a importância do tempo na valorização das relações, e, finalmente, a certeza de que a felicidade é possível com o esforço de todos. O mais interessante é que Jesus com este gesto de ternura para com os jovens noivos, revelou aos discípulos, pelo seu primeiro milagre, que Ele era o Filho de Deus.

Se o amor humano numa visão meramente filosófica está na capacidade de fazer feliz o outro (cf Erich Fromm), o amor com a força do Evangelho gera a presença constante de Deus, “onde estão dois ou três reunidos em meu nome, eu estou no meio deles”(Mt 18, 20).

Compreende-se que o primeiro tema do tempo comum seja o amor. As famílias, mesmo as cristãs, estão hoje marcadas pelo muito egoísmo, uma enorme quota de amor próprio. É preciso reconhecer a necessidade do amor uno, indivisível, fiel e fecundo. Não é nada fácil na sociedade actual. Daí, o esforço a realizar nas famílias cristãs, para que o amor que vem de Deus seja o factor de união profunda, de comunhão total.

Já o profeta Isaías considera Jerusalém a cidade de Deus, a esposa do Senhor, linguagem do Antigo Testamento que se vê repetida por S. Paulo, ao afirmar a Igreja como esposa de Cristo. É à luz destas imagens que as famílias cristãs podem celebrar o amor que a todos faz felizes.

Monsenhor Vitor Feytor Pinto

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LITURGIA DA PALAVRA:

«MANIFESTOU A SUA GLÓRIA

E OS DISCÍPULOS ACREDITARAM N’ELE.»

(Jo  2, 11)

I LEITURA – Is. 62, 1-5

No contexto da libertação e da reconstrução de Jerusalém: a exigência da justiça e o convite à alegria.

Leitura do Livro de Isaías
Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta», mas hão-de chamar-te «Predileta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predileta do Senhor e a tua terra terá um esposo. Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.
Palavra do Senhor.

SALMO – 95 (96), 1-3.7-8a.9-10a.c (R. 3)

Refrão: Anunciai em todos os povos
as maravilhas do Senhor. Repete-se

Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira,
cantai ao Senhor, bendizei o seu nome. Refrão

Anunciai dia a dia a sua salvação,
publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas. Refrão

Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder,
dai ao Senhor a glória do seu nome. Refrão

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante d’Ele a terra inteira;
dizei entre as nações: «O Senhor é Rei»,
governa os povos com equidade. Refrão

II LEITURA – 1 Cor 12, 4-11

A diversidade dos dons e das vocações, a unidade do povo de Deus.

Leitura da primeira Epístola do Apóstolo S. Paulo aos Coríntios
Irmãos: Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. A um o Espírito dá a mensagem da sabedoria, a outro a mensagem da ciência, segundo o mesmo Espírito. É um só e o mesmo Espírito que dá a um o dom da fé, a outro o poder de curar; a um dá o poder de fazer milagres, a outro o de falar em nome de Deus; a um dá o discernimento dos espíritos, a outro o de falar diversas línguas, a outro o dom de as interpretar. Mas é um só e o mesmo Espírito que faz tudo isto, distribuindo os dons a cada um conforme Lhe agrada.
Palavra do Senhor.

ALELUIA – cf. 2 Tes 2, 14

Refrão: Aleluia. Repete-se

Deus chamou-nos, por meio do Evangelho,
a tomar parte na glória
de Nosso Senhor Jesus Cristo. Refrão

EVANGELHO – Jo 2, 1-11

Bodas de Caná-Veronese

As bodas de Caná.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.
Palavra da salvação.