A IGREJA, CORPO MÍSTICO DE CRISTO – A liturgia deste domingo está consagrada à vida da Igreja. É S. Paulo que a identifica como Corpo de Cristo, onde todos estão unidos à cabeça e se amam uns aos outros. É a profecia de Neemias que consagra a importância da Lei na vida da comunidade. E, é, finalmente, S. Lucas que convida a comunidade cristã a uma missão extraordinária: “Dar a boa nova aos pobres, a libertação aos oprimidos, a alegria aos que sofrem” (Lc 4, 18). Tem-se aprofundado muito o estudo da Igreja para ter dela um conhecimento maior e todos os cristãos nela se sentirem inseridos.

O Concílio de Trento falava da sociedade dos verdadeiros cristãos, isto é, “dos baptizados, que professam a fé em Jesus Cristo, cumprem os mandamentos e obedecem aos pastores” (S. Roberto Belarmino). Os estudos bíblicos do princípio do séc. XX levaram a repensar a Igreja como Corpo místico de Cristo. Esta visão da Igreja centrava-se no 12º capítulo da primeira Carta aos Coríntios. Facilmente se compreendeu que, na Igreja, todos os cristãos permanecem unidos à cabeça que é Cristo. Mas, também os cristãos estão unidos uns aos outros pela caridade como membros do mesmo Corpo que é Jesus.

Com o Concílio Vaticano II foi-se muito mais longe no estudo da Igreja, reconheceu-se ser ela um mistério que não é possível entender completamente. Dá-se dela, porém, uma imagem extremamente bela. Diz o Concílio que a Igreja é o Povo de Deus, tendo como referência a pessoa de Jesus Cristo, como condição a dignidade e liberdade dos filhos de Deus, como mandamento único o amor, como projecto a felicidade vivida no tempo e na eternidade. Há hoje muitos cristãos que não conhecem a Igreja e que ainda não compreenderam que não podem amar Cristo sem amar a Igreja. É certo que a Igreja é santa e pecadora. Santa no mistério de Cristo de que participa, pecadora na realidade humana dos seus membros. Quanto mais dificuldades a Igreja sentir face ao mundo actual, mais merece dos cristãos um extraordinário amor na comunhão com o Papa, na relação de unidade com o Bispo na diocese e na partilha fraterna e amiga dentro da comunidade cristã a que se pertence.

A liturgia deste domingo permite compreender o mistério da Igreja e convida a uma fidelidade e amor total à Igreja de que fazemos parte.

 Monsenhor Vítor Feytor Pinto

**********************************************************

 

LITURGIA DA PALAVRA

«CUMPRIU-SE HOJE MESMO ESTA PASSAGEM DA ESCRITURA»

(Lc 4, 21)

I LEITURA – Ne 8, 2-4a.5-6.8-10

Depois do regresso do cativeiro e da reconstrução de Jerusalém, o reencontro com a Bíblia.

Leitura do Livro de Neemias
Naqueles dias, o sacerdote Esdras trouxe o Livro da Lei perante a assembleia de homens e mulheres e todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. Desde a aurora até ao meio dia, fez a leitura do Livro, no largo situado diante da Porta das Águas, diante dos homens e mulheres e todos os que eram capazes de compreender. Todo o povo ouvia atentamente a leitura do Livro da Lei. O escriba Esdras estava de pé num estrado de madeira feito de propósito. Estando assim em plano superior a todo o povo, Esdras abriu o Livro à vista de todos; e quando o abriu, todos se levantaram. Então Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, erguendo as mãos: «Amen! Amen!». E prostrando-se de rosto por terra, adoraram o Senhor. Os levitas liam, clara e distintamente, o Livro da Lei de Deus e explicavam o seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. Então o governador Neemias, o sacerdote e escriba Esdras, bem como os levitas, que ensinavam o povo, disseram a todo o povo: «Hoje é um dia consagrado ao Senhor vosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis». – Porque todo o povo chorava, ao escutar as palavras da Lei –. Depois Neemias acrescentou: «Ide para vossas casas, comei uma boa refeição, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que não têm nada preparado. Hoje é um dia consagrado a nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleza».
Palavra do Senhor.

SALMO – 18 B (19), 8.9.10.15 (R. Jo 6, 63c)

Refrão: As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida. Repete-se

A lei do Senhor é perfeita,
ela reconforta a alma;
as ordens do Senhor são firmes,
dão sabedoria aos simples. Refrão

Os preceitos do Senhor são rectos
e alegram o coração;
os mandamentos do Senhor são claros
e iluminam os olhos. Refrão

O temor do Senhor é puro
e permanece eternamente;
os juízos do Senhor são verdadeiros,
todos eles são rectos. Refrão

Aceitai as palavras da minha boca
e os pensamentos do meu coração
estejam na vossa presença:
Vós, Senhor, sois o meu amparo e redentor. Refrão

II LEITURA – Forma longa –  1 Cor 12, 12-30

A unidade dos cristãos em Cristo.

Leitura da Primeira Epístola do Apóstolo S. Paulo aos Coríntios
Irmãos: Assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim sucede também em Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito para constituirmos um só corpo e a todos nos foi dado a beber um só Espírito. De facto, o corpo não é constituído por um só membro, mas por muitos. Se o pé dissesse: «Uma vez que não sou mão, não pertenço ao corpo», nem por isso deixaria de fazer parte do corpo. E se a orelha dissesse: «Uma vez que não sou olho, não pertenço ao corpo», nem por isso deixaria de fazer parte do corpo. Se o corpo inteiro fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo ele fosse ouvido, onde estaria o olfacto? Mas Deus dispôs no corpo cada um dos membros, segundo a sua vontade. Se todo ele fosse um só membro, que seria do corpo? Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo. O olho não pode dizer à mão: «Não preciso de ti»; nem a cabeça dizer aos pés: «Não preciso de vós». Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são os mais necessários; os que nos parecem menos honrosos cuidamo-los com maior consideração; e os nossos membros menos decorosos são tratados com maior decência: os que são mais decorosos não precisam de tais cuidados. Deus organizou o corpo, dispensando maior consideração ao que dela precisa, para que não haja divisão no corpo e os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros. Deste modo, se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele. Vós sois corpo de Cristo e seus membros, cada um por sua parte. Assim, Deus estabeleceu na Igreja em primeiro lugar apóstolos, em segundo profetas, em terceiro doutores. Vêm a seguir os dons dos milagres, das curas, da assistência, de governar, de falar diversas línguas. Serão todos apóstolos? Todos profetas? Todos doutores? Todos farão milagres? Todos terão o poder de curar? Todos falarão línguas? Terão todos o dom de as interpretar?
Palavra do Senhor.

II LEITURA – Forma breve – 1 Cor 12, 12-14.27

Leitura da Primeira Epístola do Apóstolo S. Paulo aos Coríntios
Irmãos: Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros do corpo, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim sucede também em Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito para constituirmos um só corpo e a todos nos foi dado a beber um só Espírito. De facto, o corpo não é constituído por um só membro, mas por muitos. Vós sois corpo de Cristo e seus membros, cada um por sua parte.
Palavra do Senhor

ALELUIA – Lc 4, 18

Refrão: Aleluia. Repete-se
O Senhor enviou-me
a anunciar a boa nova aos pobres,
a proclamar aos cativos a redenção. Refrão

EVANGELHO – Lc 1, 1-4; 4, 14-21

Jesus passa por Nazaré e ensina na sinagoga. Encontra alguma simpatia; mas sobretudo o desdém.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Já que muitos empreenderam narrar os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado. Naquele tempo, Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».
Palavra da salvação.