CRISTO REI DO UNIVERSO – Para fechar o Ano Litúrgico a Igreja proclama a realeza de Cristo. A Festa de Cristo Rei foi instituída por Pio XI em 1925. Pio XI foi o Papa da promoção do laicado, do apostolado da Ação Católica, da responsabilidade pela ordem temporal. A partir de Pio XI os leigos começaram a assumir que tinham um papel extremamente importante na Igreja. A Ação Católica tinha a preocupação de formar, mas também de comprometer, no testemunho cristão essencial para a difusão do evangelho. É neste contexto que foi instituída a Festa de Cristo Rei. Durante dezenas de anos os militantes faziam neste dia o seu juramento, com a afirmação de uma fé inabalável em Jesus Cristo que queriam anunciar de todas as formas. Através dos leigos a Igreja tinha intervenção na sociedade humana, informando-a dos valores da verdade, da justiça, da liberdade e do amor. A referência, porém, seria sempre Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo. A liturgia deste dia, então, tem 3 dimensões: a profética, a histórica e a da plenitude. O profeta Daniel anuncia o Senhor cheio de poder, honra e realeza (I leitura). Pilatos pergunta a Jesus se é Ele o Rei dos Judeus, ao que Jesus responde que o seu Reino não é deste mundo (evangelho). O Livro da Revelação, o Apocalipse, dará a garantia do triunfo de Cristo no fim dos tempos (II leitura). Em todos os textos o que se celebra é a realeza de Cristo em todo o universo.

1. A profecia
Daniel tem, como todo o Povo de Deus, uma visão temporal. O Povo de Israel espera um Salvador. O profeta imagina um rei poderoso cheio de honra e glória. É a exaltação de uma realeza assim, que seria compreendida pelo Povo de Deus em sofrimento. Muitos séculos iriam passar até surgir o verdadeiro Rei, com uma realeza que não é deste mundo. Preocupar-se, primariamente, com a salvação imediata foi a tentação dos homens através dos tempos. Por isso não sabem esperar pela chegada de Deus, Salvador.

2. A história
Uma das páginas mais belas do Evangelho está no diálogo ente Pilatos e Jesus, na proximidade de uma condenação injusta. Estão em confronto o medo e a hesitação de Pilatos, e a coragem e generosidade de Jesus, que se afirma capaz de sofrer a morte. À pergunta de Pilatos, se Ele é Rei dos Judeus, Jesus diz com toda a clareza que o seu Reino não é daqui, se o fosse estariam ali os seus exércitos para O salvar. A pessoa de Jesus não se enquadra na justiça do tempo. Foi condenado pelo tribunal religioso, dos sacerdotes, pelo tribunal étnico presidido por Herodes, pelo tribunal político, com Pilatos que o interroga, pelo tribunal popular que grita: crucifica-O, crucifica-O. De facto, o seu Reino não é daqui. Numa realeza diferente, o Rei dá a vida pelos pobres e pelos pecadores, pelos simiões que O ajudam a levar a cruz, pelas mulheres que choram o seu infortúnio, pelas mães que ficam de pé na adversidade, pelos centuriões que reconhecem que Ele é o Filho de Deus. A sua realeza é de verdade diferente. Por isso só se realiza na Ressurreição.

3. A plenitude
O Apocalipse é o último livro do Novo Testamento. É preciso saber como Jesus se irá manifestar nos fins dos tempos. De facto, revelar-se-á como o Alfa e o Omega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. Quem já parou diante do retábulo da Capela Sistina compreende que Jesus é Rei, o Senhor dos vivos e dos mortos. Miguel Ângelo traduziu com rasgos de arte o poder glorioso de Jesus Cristo. Os cristãos podem contemplar na última das profecias a certeza de que lhes está reservada a comunhão plena e perfeita com Cristo para lá do fim dos tempos.

Monsenhor Vitor Feytor Pinto

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LITURGIA DA PALAVRA:

«O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO»

 (J0 18, 36)

 I LEITURA – Dan 7, 13-14

O profeta Daniel, em linguagem apocalíptica, anuncia o reino de Deus.

Leitura da Profecia de Daniel
Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino não será destruído.
Palavra do Senhor.

SALMO – 92 (93), 1ab.1c-2.5 (R. 1a)

Refrão: O Senhor é rei num trono de luz. Repete-se

O Senhor é rei,
revestiu-Se de majestade,
revestiu-Se e cingiu-Se de poder. Refrão

Firmou o universo, que não vacilará.
É firme o vosso trono desde sempre,
Vós existis desde toda a eternidade. Refrão

Os vossos testemunhos são dignos de toda a fé,
a santidade habita na vossa casa
por todo o sempre. Refrão

II LEITURA – Ap 1, 5-8

S.João, nesta página do livro do Apocalipse escrito em tempo de grande perseguição à Igreja, procura transmitir aos seus leitores confiança em Jesus Cristo, o Crucificado e depois Ressuscitado.

Leitura do Apocalipse
Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen. Ei-l’O que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram; e por sua causa hão-de lamentar-se todas as tribos da terra. Sim. Amen. «Eu sou o Alfa e o Ómega», diz o Senhor Deus, «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo».
Palavra do Senhor.

ALELUIA – Mc 11, 9.10

Refrão: Aleluia. Repete-se

Bendito o que vem em nome do Senhor,
bendito o reino do nosso pai David. Refrão

EVANGELHO – Jo 18, 33b-37

Jesus confirma, no tribunal romano, o título de Rei, que os seus inimigos citam contra Ele como motivo de condenação. mas o seu «Reino não é deste mundo».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: «Tu és o Rei dos Judeus?». Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?». Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?». Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».
Palavra da salvação.