A FAMÍLIA DE NAZARÉ – A família de Jesus, vivendo em Nazaré depois do regresso do Egipto, tinha o ritmo de vida normal em qualquer família da Galileia. José trabalhava em carpintaria, fazendo arados e outras alfaias agrícolas, Maria orientava as lides da casa, como o fazia qualquer mulher e Jesus crescia em idade, em sabedoria e em graça diante de Deus e dos homens. O mais belo desta família era a vulgaridade. Ali não se faziam milagres, nem havia soluções vindas directamente de Deus. Talvez seja por isso, que a Igreja quer celebrar neste dia a Festa da Sagrada Família, considerando a família de Nazaré uma referência para qualquer família cristã. Toda a gente tem consciência de que a família sofre hoje uma grande crise. Não é só a multiplicidade de modelos de família é, sobretudo, a ideia de que a família perdeu a sua identidade.
Para os cristãos a família é uma comunidade de pessoas ao serviço da vida para o desenvolvimento da humanidade (cf FC). Uma família com estas características vive o amor até à comunhão plena, serve a vida, não apenas transmitindo-a mas também educando-a, constrói uma nova humanidade com os essenciais valores de referência, a verdade, a justiça, a liberdade e a paz. A família de Nazaré era assim. E, é por isso que a Igreja a oferece hoje como eventual modelo a seguir. Uma família iluminada pela força do evangelho tem estabilidade, vive a fidelidade, consagra a alegria e a felicidade. Com verdade, João Paulo II, na Exortação Pastoral, Christifideles Laici, define família como “o espaço social onde a vida nasce, cresce e se desenvolve até à felicidade de todos os seus membros (cf CfL).
O trabalho de José e de Maria na educação de seu filho era absolutamente normal. Jesus que fora criança a precisar de todos os cuidados, tornou-se adolescente com as suas normais tendências de autonomia. Recorde-se a subida ao templo quando Ele tinha 12 anos. A harmonia e a fidelidade vivida durante a vida privada de Jesus pode ser uma referência para todas as famílias cristãs. Apoios para esta harmonia familiar são sem dúvida as recomendações de Ben-Sirá (I leitura), as virtudes essenciais (Col) e, finalmente, a normalidade da vida de Jesus, Maria e José (Lc).

Monsenhor Vitor feytor Pinto
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LITURGIA DA PALAVRA:

«Entretanto, o Menino crescia,

tornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria.

E a graça de Deus estava com Ele.»

(Lc 2,  40)

I LEITURA – Sir 3, 3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)

O elogio da vida familiar

Leitura do Livro de Ben-Sirá
Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida e converter-se-á em desconto dos teus pecados.
Palavra do Senhor.

SALMO – 127 (128), 1-2.3.4-5 (R. cf. 1)

Refrão: Felizes os que esperam no Senhor
e seguem os seus caminhos. Repete-se

Ou: Ditosos os que temem o Senhor,
ditosos os que seguem os seus caminhos. Repete-se

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem. Refrão

Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa. Refrão

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
todos os dias da tua vida. Refrão

II LEITURA – Col 3, 12-21

A unidade, a harmonia e o amor na vida de família.

Leitura da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Colossenses
Irmãos: Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.
Palavra do Senhor.

ALELUIA – Col 3, 15a.16a

Refrão: Aleluia. Repete-se

Reine em vossos corações a paz de Cristo,
habite em vós a sua palavra. Refrão

EVANGELHO – Lc 2, 22-40

A apresentação no Templo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia, tornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.
Palavra da salvação.