A Igreja celebra nestes dias aquilo a que pode chamar-se o coração do ano litúrgico. No princípio, na comunidade de Jerusalém, celebrava-se apenas o Domingo de Páscoa. Evocava-se a Ressurreição do Senhor que, na madrugada do primeiro dia da semana, depois do dia 14 do mês de Nissan, venceu a morte, quebrando a pedra do Sepulcro. Mais tarde, compreendeu-se que não bastava viver a Vigília Pascal e era necessário completar esta celebração com dois momentos evocativos da Redenção: a Ceia Pascal e a memória da Paixão e Morte de Jesus. Assim surgiu o Tríduo Pascal, com 5.ª Feira Santa, 6.ª Feira Santa e Vigília Pascal. É esta a grande evocação que vai celebrar-se na Semana Santa.

. A Última Ceia foi vivida por Jesus com os Apóstolos. Cumpriram-se todos os rituais da Páscoa judaica. O pão ázimo, o cordeiro e as leitugas, ervas amargas. Jesus, porém, no fim, tomou o pão, partiu-o e deu-o aos seus discípulos dizendo: “É o meu corpo”. Fez o mesmo com o vinho: “É o cálice do meu sangue, entregue por vós”. Os cinco capítulos do Evangelho de João (13 a 17) oferecem-nos o discurso da Ceia. Nele encontra-se o maior testemunho de amor de quem se prepara para dar a vida por todos os homens.

. A Paixão e a Morte na Cruz constituem o mais iníquo de todos os julgamentos. Jesus contrariava a justiça dos príncipes dos sacerdotes e dos doutores da lei e dos fariseus, proclamando a verdade, a liberdade, o amor e a paz. Os judeus preferiram as suas conveniências e levaram Jesus ao tribunal religioso e ao tribunal político. Até pelo julgamento da multidão em massa foi condenado. Ouviu-se um grito: “À morte, crucifica-o”. E Pilatos consumou a condenação.

. A madrugada de domingo levou Maria de Magdala ao sepulcro. A pedra estava retirada, as vestes e o sudário estavam dobrados a um canto e o sepulcro estava vazio. “Onde o puseram?” Questionava-se Maria. “Aquele que procuras entre os mortos, está vivo”, foi o verecdito do Anjo do Senhor. Jesus ressuscitou. Tudo foi confirmado por João e Pedro. A ressurreição de Cristo, a festa desta luz nova, mudou completamente o rosto do mundo.

São estes três acontecimentos que se celebram no Tríduo Pascal. Depois da entrada solene de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos, a Igreja acompanha o mistério de Jesus e identifica-se com o caminho da Redenção.

TRIDUO PASCAL

Ceia do Senhor– 18 de Abril – 19 horas

Paixão do Senhor – 19 de Abril – 15 horas

Vigília Pascal – 20 de Abril – 22 horas

CEIA DO SENHOR – Missa Vespertina

Ultima Ceia – Grão Vasco

I LEITURA – Ex 12, 1-8.11-14

Com a Ceia Pascal, os judeus recordavam, todos os anos, a libertação do Egipto. Imolavam um cordeiro e louvavam a Deus

Leitura do Livro do Êxodo
Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: «Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».
Palavra do Senhor.

SALMO -115 (116), 12-13.15-16bc.17-18 (R. cf. 1 Cor 10, 16)

Refrão: O cálice de bênção é comunhão do Sangue de Cristo. Repete-se

Como agradecerei ao Senhor
tudo quanto Ele me deu?
Elevarei o cálice da salvação,
invocando o nome do Senhor. Refrão

É preciosa aos olhos do Senhor
a morte dos seus fiéis.
Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:
quebrastes as minhas cadeias. Refrão

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,
invocando, Senhor, o vosso nome.
Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,
na presença de todo o povo. Refrão

II LEITURA – 1 Cor 11, 23-26

S. Paulo recorda a instituição da Eucaristia pelo Senhor e a sua entrega à Igreja, para que esta a celebre até ao fim dos tempos.

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios
Irmãos: Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim». Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.
Palavra do Senhor.

ACLAMAÇÃO ANTES DO EVANGELHO – Jo 13, 34

Refrão: Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai. Repete-se

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:
Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Refrão

EVANGELHO – Jo 13, 1-15

Jesus «deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura». Com este gesto Jesus manifesta-nos a Sua realidade de «Servo».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?». Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».
Palavra da salvação.

QUINTA-FEIRA SANTA – CEIA DO SENHOR (Uma Homilia do Pe João Resina extraída do Livro “A Palavra no tempo II)

Jesus gostava de almoçar e jantar com os seus discípulos. A partilha da refeição tem desde tempos imemoriais um significado de comunhão. De resto, o seu grupo não era fechado: todas pessoas que o procuravam, pobres, aleijados, coxos, cegos, pecadores,…, tinham ocasião de comer com Ele.
A Ceia da Páscoa era a festa principal dos judeus. Celebrava a libertação do cativeiro no Egipto e a Aliança com Yahweh no monte Sinai. Embora tivesse um carácter religioso, realizava-se em cada casa, presidida pelo chefe da família, na noite de sexta para sábado a seguir à primeira lua cheia da primavera.
Dias antes, os apóstolos perguntam a Jesus onde é que Ele tenciona fazer a festa. Jesus sabia que o Sinédrio procurava matá-lo e não ignorava que Judas estava disposto a traí-lo. Mandou pedir uma sala em casa de um seu conhecido e supõe-se que antecipou a data para a noite de quinta feira.
Naquele tempo, as ruas eram de terra e as pessoas ou usavam sandálias ou andavam descalças. Quando um rico dava um jantar a figuras importantes, mandava que um criado lavasse os pés aos convivas, à medida que iam entrando.
Depois de se sentar à mesa com os apóstolos, Jesus levantou-se, tirou o manto, deitou água numa bacia e começou a lavar-lhes os pés. Ficaram naturalmente espantados, mas só Pedro reagiu: não deixo que me Tu me laves os pés! “Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer, tu não o entendes agora, mas hás-de entendê-lo mais tarde.” (Jo 13,7).
A Igreja ensina, e com razão, que o homem deve purificar-se para participar na Eucaristia. O mal é quando essa purificação se torna meramente ritual. Pouco adianta confessarmo-nos, se continuamos encerrados no nosso orgulho e sobranceria. “Vós chamais-me ´Mestre´ e ´Senhor´, e dizeis bem, porque o sou. Ora se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.” (Jo 13,13). É claro que “lavar os pés” pode ser pôr uma arrastadeira a um doente, ter paciência com um familiar quando ele nos está a aborrecer, não responder a uma injúria com outra injúria. “Tu não és capaz de entender agora. Mas entendê-lo-ás mais tarde”. Esta palavra é importante na sua serenidade. Pode acontecer que nós, cristãos, algum dia nos sintamos amachucados porque não somos capazes de corresponder àquilo que Jesus nos pede. A ponto de sermos salteados pela tentação: não era mais simples desistir? Mas a palavra dirigida a Pedro é também para nós. Havemos de entender. Mesmo que demore algum tempo.
Em todas as refeições, o chefe da família agradecia a Deus o dom do pão; só depois o partia e o distribuía pelos convivas. Jesus continuou de maneira diferente: “Tomou um pão e depois de pronunciar a bênção, partiu-o e entregou-o as discípulos, dizendo: «Tomai. Isto é o meu corpo». ”(Marc 14,22).
Durante a Ceia, o cálice costumava passar de mão em mão, por três vezes. Antes da última passagem, o presidente fazia uma acção de graças a Deus. “Depois, tomou o cálice, deu graças e entregou-lho. Todos beberam dele. E Ele disse-lhes: «Isto é o meu sangue da aliança, que vai ser derramado por todos»”. (Marc 14,23-24).
A 1ª Epístola aos Coríntios e o Evangelho de S. Lucas insistem na ideia do dom e sacrifício: “Isto é o meu corpo que é dado por vós… Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, derramado por vós.”(Luc 22, 19-20: cf. I Cor 11, 24-25). Trazem ainda o convite, ou a ordem, “Fazei isto em memória de mim.” (Luc 22,20; I Cor 11, 24-25).
A Igreja Católica, as Igrejas Ortodoxas e Lutero interpretaram estes textos como significando uma presença real do Senhor Jesus. O texto da 1ª Epístola aos Coríntios dá um grande apoio a esta fé. Muitas Igrejas protestantes, depois de Lutero, tentaram reduzir a presença a um simples símbolo.
O Senhor ressuscitou no ano 30. A partir do Pentecostes desse ano, convertem-se em Jerusalém muitos milhares de judeus. O Livro dos Actos dos Apóstolos conta que esses homens e mulheres “eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações.” (Act 2¸42). A “fracção do pão” é o termo que então designava a Eucaristia. Parece claro que os discípulos tinham a consciência de que a identidade cristã e a unidade nas comunidades se fazia na profissão da fé, no baptismo e na celebração da Eucaristia.
Paulo funda a Igreja de Corinto no ano 50 e deixa-a entregue aos responsáveis que designou. Mais adiante, pelo ano 57, os Coríntios pedem-lhe conselhos, e ele responde por carta. O capítulo 11 da I Epístola aos Coríntios procura consolidar a fé na Eucaristia.
Hoje, como então, a verdade da vida cristã e a unidade das comunidades faz-se na profissão da fé, no baptismo e na “fracção do pão”

PAIXÃO DO SENHOR

 

I LEITURA – Is  52, 13 – 53, 12

Ao apresentar a figura misteriosa do «Servo», o profeta anuncia Jesus Cristo. Da Sua morte nascerá um novo Povo, a Igreja.

Leitura do Livro de Isaías
Vede como vai prosperar o meu servo: subirá, elevar-se-á, será exaltado. Assim como, à sua vista, muitos se encheram de espanto – tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano – assim se hão-de encher de assombro muitas nações e, diante dele, os reis ficarão calados, porque hão-de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o que nunca tinham ouvido. Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor? O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós. Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. Foi eliminado por sentença iníqua, mas quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo. Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça, nem se tivesse encontrado mentira na sua boca. Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades. Por isso, Eu lhe darei as multidões como prémio e terá parte nos despojos no meio dos poderosos; porque ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores.
Palavra do Senhor.

SALMO – 30 (31), 2.6.12-13.15-16.17.25 (R. Lc 23, 46)

Refrão: Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito. Repete-se

Em Vós, Senhor, me refugio,
jamais serei confundido,
pela vossa justiça, salvai-me.
Em vossas mãos entrego o meu espírito,
Senhor, Deus fiel, salvai-me. Refrão

Tornei-me o escárnio dos meus inimigos,
o desprezo dos meus vizinhos
e o terror dos meus conhecidos:
todos evitam passar por mim.
Esqueceram-me como se fosse um morto,
tornei-me como um objecto abandonado. Refrão

Eu, porém, confio no Senhor:
Disse: «Vós sois o meu Deus,
nas vossas mãos está o meu destino».
Livrai-me das mãos dos meus inimigos
e de quantos me perseguem. Refrão

Fazei brilhar sobre mim a vossa face,
salvai-me pela vossa bondade.
Tende coragem e animai-vos,
vós todos que esperais no Senhor. Refrão

II LEITURA – Hebr 4, 14-16; 5, 7-9

Jesus Cristo não é apenas o «Homem das dores», apresentado por Isaías. É também o nosso Sumo Sacerdote e o único Mediador entre Deus e os homens. A sua morte foi causa da nossa salvação.

Leitura da Epístola aos Hebreus
Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de Se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança, ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno. Nos dias da sua vida mortal, Ele dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte, e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento. E, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se, para todos os que Lhe obedecem, causa de salvação eterna.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO – Jo 18, 1-19, 42

«Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
N Naquele tempo, Jesus saiu com os seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia lá um jardim, onde Ele entrou com os seus discípulos. Judas, que O ia entregar, conhecia também o local, porque Jesus Se reunira lá muitas vezes com os discípulos. Tomando consigo uma companhia de soldados e alguns guardas, enviados pelos príncipes dos sacerdotes e pelos fariseus, Judas chegou ali, com archotes, anternas e armas. Sabendo Jesus tudo o que Lhe ia acontecer, adiantou-Se e perguntou-lhes:
J «A quem buscais?».
N Eles responderam-Lhe:
R «A Jesus, o Nazareno».
N Jesus disse-lhes:
J «Sou Eu».
N Judas, que O ia entregar, também estava com eles. Quando Jesus lhes disse: «Sou Eu», recuaram e caíram por terra. Jesus perguntou-lhes novamente:
J «A quem buscais?».
N Eles responderam:
R «A Jesus, o Nazareno».
N Disse-lhes Jesus:
J «Já vos disse que sou Eu. Por isso, se é a Mim que buscais, deixai que estes se retirem».
N Assim se cumpriam as palavras que Ele tinha dito: «Daqueles que Me deste, não perdi nenhum». Então, Simão Pedro, que tinha uma espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O servo chamava-se Malco. Mas Jesus disse a Pedro:
J «Mete a tua espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que meu Pai Me deu?».
N Então, a companhia de soldados, o oficial e os guardas dos judeus apoderaram-se de Jesus e manietaram-n’O. Levaram-n’O primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote nesse ano. Caifás é que tinha dado o seguinte conselho aos judeus: «Convém que morra um só homem pelo povo». Entretanto, Simão Pedro seguia Jesus com outro discípulo. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote, enquanto Pedro ficava à porta, do lado de fora. Então o outro discípulo, conhecido do sumo sacerdote, falou à porteira e levou Pedro para dentro. A porteira disse a Pedro:
R «Tu não és dos discípulos desse homem?».
N Ele respondeu:
R «Não sou».
N Estavam ali presentes os servos e os guardas, que, por causa do frio, tinham acendido um braseiro e se aqueciam. Pedro também se encontrava com eles a aquecer-se. Entretanto, o sumo-sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. Jesus respondeu-lhe:
J «Falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem, e não disse nada em segredo. Porque Me interrogas? Pergunta aos que Me ouviram o que lhes disse: eles bem sabem aquilo de que lhes falei».
N A estas palavras, um dos guardas que estava ali presente deu uma bofetada a Jesus e disse-Lhe:
R «É assim que respondes ao sumo sacerdote?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Se falei mal, mostra-Me em quê. Mas, se falei bem, porque Me bates?».
N Então Anás mandou Jesus manietado ao sumo-sacerdote Caifás. Simão Pedro continuava ali a aquecer-se. Disseram-lhe então:
R «Tu não és também um dos seus discípulos?».
N Ele negou, dizendo:
R «Não sou».
N Replicou um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha:
R «Então eu não te vi com Ele no jardim?».
N Pedro negou novamente, e logo um galo cantou. Depois, levaram Jesus da residência de Caifás ao Pretório. Era de manhã cedo. Eles não entraram no pretório, para não se contaminarem e assim poderem comer a Páscoa. Pilatos veio cá fora ter com eles e perguntou-lhes:
R «Que acusação trazeis contra este homem?».
N Eles responderam-lhe:
R «Se não fosse malfeitor, não t’O entregávamos».
N Disse-lhes Pilatos:
R «Tomai-O vós próprios, e julgai-O segundo a vossa lei».
N Os judeus responderam:
R «Não nos é permitido dar a morte a ninguém».
N Assim se cumpriam as palavras que Jesus tinha dito, ao indicar de que morte ia morrer. Entretanto, Pilatos entrou novamente no pretório, chamou Jesus e perguntou-Lhe:
R «Tu és o Rei dos judeus?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?».
N Disse-Lhe Pilatos:
R «Porventura sou eu judeu? O teu povo e os sumos-sacerdotes é que Te entregaram a Mim. Que fizeste?».
N Jesus respondeu:
J «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui».
N Disse-Lhe Pilatos:
R «Então, Tu és Rei?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».
N Disse-Lhe Pilatos:
R «Que é a verdade?».
N Dito isto, saiu novamente para fora e declarou aos judeus:
R «Não encontro neste homem culpa nenhuma. Mas vós estais habituados a que eu vos solte alguém pela Páscoa. Quereis que vos solte o Rei dos judeus?».
N Eles gritaram de novo:
R «Esse não. Antes Barrabás».
N Barrabás era um salteador. Então Pilatos mandou que levassem Jesus e O açoitassem. Os soldados teceram uma coroa de espinhos, colocaram-Lha na cabeça e envolveram Jesus num manto de púrpura. Depois aproximavam-se d’Ele e diziam:
R «Salve, Rei dos judeus».
N E davam-Lhe bofetadas. Pilatos saiu novamente para fora e disse:
R «Eu vo-l’O trago aqui fora, para saberdes que não encontro n’Ele culpa nenhuma».
N Jesus saiu, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse-lhes:
R «Eis o homem».
N Quando viram Jesus, os príncipes dos sacerdotes e os guardas gritaram:
R «Crucifica-O! Crucifica-O!».
N Disse-lhes Pilatos:
R «Tomai-O vós mesmos e crucificai-O, que eu não encontro n’Ele culpa alguma».
N Responderam-lhe os judeus:
R «Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque Se fez Filho de Deus».
N Quando Pilatos ouviu estas palavras, ficou assustado. Voltou a entrar no pretório e perguntou a Jesus:
R «Donde és Tu?».
N Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-Lhe então Pilatos:
R «Não me falas? Não sabes que tenho poder para Te soltar e para Te crucificar?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Nenhum poder terias sobre Mim, se não te fosse dado do alto. Por isso, quem Me entregou a ti tem maior pecado».
N A partir de então, Pilatos procurava libertar Jesus. Mas os judeus gritavam:
R «Se O libertares, não és amigo de César: todo aquele que se faz rei é contra César».
N Ao ouvir estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado «Lagedo», em hebraico «Gabatá». Era a Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Disse então aos judeus:
R «Eis o vosso Rei!».
N Mas eles gritaram:
R «À morte, à morte! Crucifica-O!».
N Disse-lhes Pilatos:
R «Hei-de crucificar o vosso Rei?».
N Replicaram-lhe os príncipes dos sacerdotes:
R «Não temos outro rei senão César».
N Entregou-lhes então Jesus, para ser crucificado. E eles apoderaram-se de Jesus. Levando a cruz, Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário, que em hebraico se diz Gólgota. Ali O crucificaram, e com Ele mais dois: um de cada lado e Jesus no meio. Pilatos escreveu ainda um letreiro e colocou-o no alto da cruz; nele estava escrito: «Jesus, o Nazareno, Rei dos judeus». Muitos judeus leram esse letreiro, porque o lugar onde Jesus tinha sido crucificado era perto da cidade. Estava escrito em hebraico, grego e latim. Diziam então a Pilatos os príncipes dos sacerdotes dos judeus:
R «Não escrevas: ‘Rei dos judeus’, mas que Ele afirmou: ‘Eu sou o Rei dos judeus’».
N Pilatos retorquiu:
R «O que escrevi está escrito».
N Quando crucificaram Jesus, os soldados tomaram as suas vestes, das quais fizeram quatro lotes, um para cada soldado, e ficaram também com a túnica. A túnica não tinha costura: era tecida de alto a baixo como um todo. Disseram uns aos outros:
R «Não a rasguemos, mas lancemos sortes, para ver de quem será».
N Assim se cumpria a Escritura: «Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica». Foi o que fizeram os soldados. Estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe:
J «Mulher, eis o teu filho».
N Depois disse ao discípulo:
J «Eis a tua Mãe».
N E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa. Depois, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse:
J «Tenho sede».
N Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca. Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou:
J «Tudo está consumado».
N E, inclinando a cabeça, expirou.
N Por ser a Preparação, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado, – era um grande dia aquele sábado – os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele. Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis. Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso Lhe será quebrado». Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram». Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, embora oculto por medo dos judeus, pediu licença a Pilatos para levar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu-lho. José veio então tirar o corpo de Jesus. Veio também Nicodemos, aquele que, antes, tinha ido de noite ao encontro de Jesus. Trazia uma mistura de quase cem libras de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em ligaduras juntamente com os perfumes, como é costume sepultar entre os judeus. No local em que Jesus tinha sido crucificado, havia um jardim e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ainda ninguém fora sepultado. Foi aí que, por causa da Preparação dos judeus, porque o sepulcro ficava perto, depositaram Jesus.
Palavra da salvação.

ORAÇÃO UNIVERSAL

I. Pela santa Igreja
Oremos, irmãos caríssimos, pela santa Igreja de Deus, para que o Senhor lhe dê a paz, a confirme na unidade e a proteja em toda a terra, e a todos nós conceda uma vida calma e tranquila, para glória de Deus Pai todo-poderoso.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, que em Jesus Cristo revelastes a vossa glória a todos os povos da terra, protegei a obra da vossa misericórdia, para que a Igreja, dispersa por todo o mundo, persevere firme na fé para dar testemunho do vosso nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

II. Pelo Papa
Oremos pelo nosso Santo Padre, o Papa Francisco, para que Deus nosso Senhor, que o elevou ao episcopado, o conserve e defenda na sua Igreja para governar o povo santo de Deus.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, que tudo governais com sabedoria, atendei favoravelmente as nossas súplicas e, por vossa bondade, protegei o Pastor que escolhestes para a vossa Igreja, a fim de que o povo cristão, governado por Vós sob a direcção do Sumo Pontífice, progrida sempre na fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

III. Por todos os ministros e pelos fiéis
Oremos pelo nosso Bispo D. Manuel Clemente. e por todos os bispos, presbíteros e diáconos, pelos que exercem na Igreja algum ministério e por todo o povo de Deus.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, cujo Espírito santifica e governa todo o corpo da Igreja, ouvi as súplicas que Vos dirigimos por todos os membros da comunidade cristã, e fazei que, ajudados pela vossa graça, todos Vos sirvam com fidelidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

IV. Pelo catecúmenos
Oremos pelos (nossos) catecúmenos, para que Deus nosso Senhor os ilumine interiormente e lhes abra as portas da sua misericórdia, de modo que, recebendo o perdão de todos os seus pecados pela água regeneradora do Baptismo, sejam incorporados em Jesus Cristo Nosso Senhor.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, que dais continuamente novos filhos à vossa Igreja, aumentai a fé e a sabedoria dos (nossos) catecúmenos, de modo que, renascendo na fonte baptismal, sejam contados entre os vossos filhos de adopção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

V. Pela unidade dos cristãos
Oremos por todos os nossos irmãos que crêem em Cristo, para que Deus nosso Senhor lhes dê a graça de viverem a verdade em suas obras e os reúna e guarde na unidade da sua Igreja.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, que reunis os vossos fiéis dispersos e os conservais na unidade, olhai propício para todo o povo de Cristo, para que vivam unidos pela integridade da fé e pelo vínculo da caridade todos aqueles que foram consagrados pelo mesmo Baptismo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VI. Pelos judeus
Oremos pelo povo judeu, para que Deus nosso Senhor, que falou aos seus pais pelos antigos Profetas, o faça progredir no amor do seu nome e na fidelidade à sua aliança.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, que confiastes as vossas promessas a Abraão e à sua descendência, atendei com bondade as preces da vossa Igreja, para que o povo da primeira aliança alcance a plenitude da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VII. Pelos que não crêem em Cristo
Oremos pelos que não crêem em Cristo, para que, iluminados pelo Espírito Santo, possam também eles encontrar o caminho da salvação.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, concedei aos que não crêem em Cristo que vivam de coração sincero na vossa presença, a fim de encontrarem a verdade, e a nós, vossos filhos, concedei também a graça de entrar profundamente no mistério de Cristo e de o viver fielmente na união da fraterna caridade, para darmos ao mundo o testemunho perfeito do vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VIII. Pelos que não crêem em Deus
Oremos pelos que não crêem em Deus, para que, pela rectidão e inceridade da sua vida, cheguem ao conhecimento do verdadeiro Deus.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, que criastes os homens para que Vos procurem, de modo que só em Vós descanse o seu coração, concedei-lhes que, no meio das suas dificuldades, compreendendo os sinais do vosso amor e o testemunho dos crentes, todos se alegrem de Vos conhecer como único Deus verdadeiro e Pai de todos os homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

IX. Pelos governantes
Oremos pelos governantes de todas as nações, para que Deus nosso Senhor dirija a sua mente e o seu coração segundo a sua vontade, para buscarem sempre a verdadeira paz e a liberdade de todos os povos.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, em cujas mãos estão os corações dos homens e os direitos dos povos, assisti os nossos governantes, para que, com o vosso auxílio, se fortaleça em toda a terra a prosperidade das nações, a segurança da paz e a liberdade religiosa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

X. Pelos atribulados
Oremos, irmãos, a Deus Pai todo-poderoso, para que livre o mundo de todos os erros, afaste as doenças e a fome em toda a terra, abra as portas das prisões e liberte os oprimidos, proteja os que viajam e reconduza ao seu lar os emigrantes e os desterrados, dê saúde aos enfermos e a salvação aos moribundos.

Oração em silêncio. Depois o sacerdote diz:
Deus eterno e omnipotente, consolação dos tristes e fortaleza dos que sofrem, ouvi as súplicas dos que Vos invocam nas tribulações, para que todos tenham a alegria de encontrar em suas dificuldades o auxílio da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

SEXTA FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR – Texto do P.e João Resina extraído do livro Palavra no Tempo II

Contemplamos a Paixão de Jesus Cristo. O Senhor reza longamente na angústia e sua sangue no Jardim das Oliveiras, enquanto Pedro, Tiago e João dormiam a poucos passos. É preso e conduzido aos Sumos-sacerdotes e ao Sinédrio. Enfrenta a mentira, o ódio e a calúnia, e é declarado réu de morte pelas autoridades religiosas do seu povo. “Depois, cuspiam-Lhe no rosto e batiam-Lhe. Outros esbofeteavam-nO, dizendo: «Advinha, Messias, quem foi que te bateu?» ” (Mt 26, 67-68). É levado ao tribunal de Pilatos. Continua a enfrentar a mentira e agora o jogo político dos que mandam na religião e no mundo. Recebe o desprezo e o ódio da populaça que dias antes O aclamava como Messias e hoje reclama o o perdão de Barrabás e a sua morte na cruz. É flagelado e vilipendiado pela soldadesca. Colocam-lhe uma coroa de espinhos. Ratificada a sua condenação por Pilatos, carrega a cruz até ao Calvário e aí é cravado nela. Está só, entregue aos sarcasmos dos vencedores. Os seus discípulos tinham-no abandonado. O Pai deixa-o sofrer as dores e o abandono. Morre ao fim de longas horas, entregando-se nas mãos do Pai.
A cruz é um dos suplícios mais terríveis que os homens inventaram. Pendurado pelos braços, o condenado vai perdendo lentamente o controlo dos músculos do tórax e sofre uma asfixia progressiva. Se quiser murmurar alguma palavra, tem de tentar aliviar o peito fazendo força nos pés, que estão trespassados. O pericárdio vai acumulando liquido e o coração funciona cada vez pior. As hemorragias causadas pelas feridas nas mãos e nos pés causam-lhe uma sede terrível.
Para os romanos a cruz era o suplício dos escravos, os judeus pensavam que só um homem maldito por Deus podia acabar na cruz. A cruz, que hoje é um sinal de amor e de esperança, era naquele tempo o emblema do horror. Os primeiros cristãos precisam de coragem para anunciar a ressurreição de um homem que morreu na cruz.
Nesta tarde contemplamos a morte de Cristo, estamos na compaixão. Mas não ignoramos que a Paixão de Cristo se insere na longa paixão dos homens.
Desde que o mundo é mundo, é imensa a dor dos homens. Há os que vivem na miséria e morrem à fome, os que sofrem da doença e não são tratados quando seria possível fazê-lo, os que são envolvidos pela violência e pela guerra; há os ódios e as divisões entre indivíduos e entre grupos; há a desigualdade que permite aos ricos viver a seu bel-prazer e condena os pobres a vegetar; há um imenso rol de injustiças. É grande o clamor dos humilhados e ofendidos. Mas um dos aspectos mais graves é que todo o indivíduo e todo o grupo que tem poder se serve desse poder para escravizar, subornar, comprar, iludir, envenenar, os indivíduos e os grupos que podem menos. Até nestes dias e até nestas horas que deviam merecer o respeito, os jornais e as televisões nos anunciam que isso continua a fazer-se.
Jesus não veio ao mundo para morrer, Jesus disse no Jardim das Oliveiras que não gostava do sofrimento. Aceitou sofrer e morrer, na fidelidade ao seu caminho. Suponho, em todo o caso, que ao enfrentar a morte, se sentiu feliz por partilhar a sorte destes irmãos mais doridos. Acreditamos que somos todos pecadores, todos precisamos de perdão e redenção. Acreditamos que o mistério da morte de Cristo nos alcançou a salvação, e que recebemos força e luz para vivermos da maneira diferente: para o amor e não para o ódio, para o perdão e não para a vingança, para a paz e não para a guerra.
Estamos no mistério da compaixão. Não ignoramos que o Senhor agradece a nossa presença. Mas espera que trabalhemos por um mundo melhor.

 

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