O ELOGIO DA ESPERANÇA – Num tempo em que se vivem tantas dificuldades de natureza social, económica, política, cultural, tem muita importância uma reflexão sobre a esperança. Na Liturgia deste domingo indicam-se as razões da esperança, dá-se resposta à esperança e oferece-se a liberdade esperada. É este o contexto das três reflexões que a Palavra de Deus nos propõe. O Povo de Israel apesar do cativeiro da Babilónia já muito longo, porque acredita em Deus, mantém a esperança (I Leitura). A esperança do surdo-mudo encontra resposta na atitude de Jesus que dizendo Effathá lhe restitui o ouvido e a fala (Evangelho), e só um coração livre é capaz de celebrar a alegria prometida e esperada. A fé é o sustentáculo da esperança. E, na esperança, é sempre possível chegar mais longe (II Leitura).

1. As razões da esperança
O profeta Isaías pede ao Povo de Israel que mantenha a coragem apesar das inúmeras adversidades. Não basta a transformação individual de cada crente, é necessária a transformação de todo o povo. Ao referir a renovação pessoal, o profeta diz que os cegos vêem, os coxos andam, os surdos ouvem e os mudos falam e tudo isto é fonte de alegria. Acrescenta, porém, que toda a terra deve transformar-se e aí, fala dos rios que fertilizam a terra e os caminhos novos que conduzem à salvação. Tudo são razões de esperança.

2. A resposta à esperança
Jesus é o Messias, vem anunciar a boa nova do reino, quer oferecer a todos a salvação. Então, aqueles que têm dificuldades recorrem a Ele, trazem-lhe os cegos, os coxos e os paralíticos, e Ele cura-os a todos (cf Mc 4, 22). Hoje trazem-lhe um surdo-mudo. Jesus responde à esperança daquele homem com gestos humanos “meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua” (Mc 7, 34). Depois, porém, faz mais, dizendo Effathá, que significa “abre-te” e o homem passou a ouvir e a falar correctamente. O povo ao ver este gesto salvador de Jesus ficou entusiasmado dizendo: “tudo o que faz é admirável” (Mc 7, 37). Jesus tem sempre resposta à esperança do homem.

3. A esperança é fonte de liberdade
A liturgia continua a ler a Carta de S. Tiago. A esperança verdadeira assenta em atitudes de justiça e de liberdade. O cristão não pode fazer acepção de pessoas, deve tratar a todos por igual, independentemente da riqueza, da condição social, ou de qualquer outra razão. É neste sentido que Tiago na sua carta exige obras de santidade e de verdade. É que, como ele diz, a fé e a esperança sem obras são mortas.

Monsenhor Vítor Feytor Pinto
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LITURGIA DA PALAVRA:

«TUDO O QUE FAZ É ADMIRÁVEL.»

(Mc 7, 37)

I LEITURA – Is 35, 4-7a

«As águas brotarão no deserto e a terra seca transformar-se-á em lago.»

Leitura do Livro de Isaías
Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-nos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca transformar-se-á em lago e a terra árida em nascentes de água.
Palavra do Senhor.

SALMO – 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R. 1)

Refrão: Ó minha alma, louva o Senhor. Repete-se

Ou: Aleluia. Repete-se

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos. Refrão

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos. Refrão

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores. Refrão

O Senhor reina eternamente;
o teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações. Refrão

II LEITURA – Tg 2, 1-5

S. Tiago lembra que é vazia uma fé que não se prolongue n0 amor a Deus e aos irmãos.

Leitura da Epístola de São Tiago
Irmãos: A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas. Pode acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também um pobre e mal vestido; talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí, abaixo do estrado dos meus pés». Não estareis a estabelecer distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios? Escutai, meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam?
Palavra do Senhor.

ALELUIA – cf. Mt 4, 23

Refrão: Aleluia. Repete-se
Jesus pregava o Evangelho do reino
e curava todas as enfermidades entre o povo. Refrão

EVANGELHO – Mc 7, 31-37

A cura do surdo – mudo.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos
Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Efatá», que quer dizer «Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar correctamente. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. Cheios de assombro, diziam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».
Palavra da salvação.