SER HUMILDE NA ORAÇÃO – O mundo de hoje cultiva a arrogância. Fala-se muito da afirmação pessoal, do êxito e do sucesso nas mais pequeninas coisas, da qualidade no estilo de vida. Tudo isto revela a tendência para que cada um se centre em si mesmo, no seu próprio egoísmo. Quando se fala das relações humanas, todos fazem apelo aos seus direitos, muito poucos referem os seus deveres. Todos querem ser superiores aos outros. Tem-se muita dificuldade em aceitar a autoridade de terceiros. Desta necessidade de afirmação surgem visões erradas da igualdade humana. Se é certo que todos somos iguais em dignidade e direitos, é verdade também que todos somos diferentes em responsabilidades e compromissos a assumir. A beleza da igualdade não pode comprometer a organização da sociedade. É neste contexto que se compreende a parábola dos dois homens que entraram no templo para orar. Com uma clarividência extraordinária Jesus revela a arrogância do fariseu e a humildade do publicano. No fim da história Jesus diz claramente que “o publicano voltou para casa justificado enquanto o fariseu não, porque quem quiser ser humilde será exaltado e quem se exaltar será humilhado” (Lc 18, 14).

Já Ben-Sirá no Antigo Testamento dizia que Deus não faz acepção de pessoas, por isso cuida do pobre, do órfão e da viúva, isto é aqueles que estão cheios de problemas. É a estes que Deus assiste com toda a sua ternura, é nestes que se centra toda a oração do justo, é por estes que o Messias virá ao mundo. Podiam reler-se, quer Isaías na profecia da consolação, quer Lucas na missão de Jesus. Nos dois textos se diz que o Redentor virá na força do Espírito para dar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos oprimidos, a alegria aos que sofrem (cf Is 61 e Lc 4). Deus atende sempre a oração do justo, daquele que se abandona completamente em suas mãos. Ao arrogante que proclama a sua importância, Deus deixou-o cair para que compreenda que no mistério da vida “tudo é graça” (cf Bernanos – Jounal d’un curée de campagne). Pode referir-se ainda S. Paulo que, ao preparar a sua morte, escreve a Timóteo dizendo que combateu um bom combate, mas que a sua salvação depende exclusivamente de Deus que o ama.

Comentários de Monsenhor Vítor Feytor Pinto

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LITURGIA DA PALAVRA

«Todo aquele que se exalta será humilhado
e quem se humilha será exaltado».

(Lc 18, 14)

I LEITURA – Sir 35, 15b-17.20-22a (gr. 12-14.16-18)

O Senhor é o juiz verdadeiro. A oração do homem atinge o céu. Feliz aquele que tem a humildade de pedir.

Leitura do Livro de Ben-Sirá
O Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido. Não despreza a súplica do órfão, nem os gemidos da viúva. Quem adora a Deus será bem acolhido e a sua prece sobe até às nuvens. A oração do humilde atravessa as nuvens e não descansa enquanto não chega ao seu destino. Não desiste, até que o Altíssimo o atenda, para estabelecer o direito dos justos e fazer justiça.
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 33 (34), 2-3.17-18.19.23 (R. 7a)

Refrão: O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz. Repete-se

Ou: O Senhor ouviu o clamor do pobre. Repete-se

A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes. Refrão

A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,
para apagar da terra a sua memória.
Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,
livrou-os de todas as angústias. Refrão

O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado
e salva os de ânimo abatido.
O Senhor defende a vida dos seus servos,
não serão castigados os que n’Ele confiam. Refrão

II LEITURA – 2 Tim 4, 6-8.16-18

«O tempo da minha partida está iminente. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. E agora já me está preparada a coroa da justiça.»

Leitura da Segunda Epístola do Apóstolo S. Paulo a Timóteo
Caríssimo: Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram. Queira Deus que esta falta não lhes seja imputada. O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.
Palavra do Senhor.

ALELUIA – 2 Cor 5, 19

Refrão: Aleluia. Repete-se

Deus estava em Cristo
reconciliando o mundo consigo
e confiou-nos a palavra da reconciliação. Refrão

EVANGELHO – Lc 18, 9-14

O fariseu e o publicano. O publicano era pecador. Teve a coragem de se ver no espelho de Deus, de aceitar a sua imagem, de pedir perdão. Saíu do templo justificado, quer dizer, tornado justo. O fariseu nunca tinha roubado, nunca fora infiel à mulher, não perdia uma missa, rezava a todas as horas prescritas. (Jesus não o acusa de mentira). Saíu do templo mais pecador do que tinha entrado. ( Pe. João Resina in A Palavra no Tempo)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».
Palavra da salvação.