XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 19 de Setembro de 2010

«NÃO PODEIS SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO»

                                                                                                                         (lc 16, 13)

I LEITURA – Am 8, 4-7

“Escutai bem, vós que espezinhais o pobre …  o Senhor jurou pela glória de Jacob: «Nunca esquecerei nenhuma das suas obras.”

Leitura da Profecia de Amós
Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra. Vós dizeis: «Quando passará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os celeiros de trigo? Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas. Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo». Mas o Senhor jurou pela glória de Jacob: «Nunca esquecerei nenhuma das suas obras».
Palavra do Senhor

SALMO – 112 (113), 1-2.4-6.7-8 (R. cf. 1a.7b)

Refrão: Louvai o Senhor, que levanta os fracos.
Ou:
Louvai o Senhor, que exalta os humildes.
Ou: Aleluia.

Louvai, servos do Senhor,
louvai o nome do Senhor.
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e para sempre.
Refrão

O Senhor domina sobre todos os povos,
a sua glória está acima dos céus.
Quem se compara ao Senhor nosso Deus,
que tem o seu trono nas alturas
e Se inclina lá do alto a olhar o céu e a terra? Refrão

Levanta do pó o indigente
e tira o pobre da miséria,
para o fazer sentar com os grandes,
com os grandes do seu povo. Refrão

II Leitura – 1 Tim 2, 1-8

“Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo”

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo a Timóteo
Caríssimo:
Recomendo, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e acções de graças por todos os homens, pelos reis e por todas as autoridades, para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.
Isto é bom e agradável aos olhos de Deus, nosso Salvador; Ele quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que Se entregou à morte pela redenção de todos. Tal é o testemunho que foi dado a seu tempo e do qual fui constituído arauto e apóstolo – digo a verdade, não minto – mestre dos gentios na fé e na verdade. Quero, portanto, que os homens rezem em toda a parte, erguendo para o Céu as mãos santas, sem ira nem contenda.
Palavra do Senhor

EVANGELHO –  Lc 16, 1-13  (Forma longa)

As parábolas da exigência. O Administrador infiel.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador, que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’. Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».
Palavra da salvação.

XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM – (Comentários do Pe. João Resina in “A Palavra no Tempo II”)

            A primeira Leitura é do Livro de Amós. Elias e Eliseu tinham sido grandes Profetas, mas os seus temas só nos foram transmitidos de maneira genérica. Amós é o primeiro Profeta cujas pregações foram conservadas num Livro. Viveu em meados do séc. VIII a.C., mas parece nosso contemporâneo.

            O Livro começa por uma critica violenta contra as atrocidades cometidas nas guerras, quer pelos exércitos inimigos, quer pelas próprias tropas dos judeus. Deus não pode abençoar os povos que cometem tais crimes!

            Nesta época, os judeus estão divididos em dois reinos, Israel ao Norte e Judá ao Sul. O Reino do Norte experimenta um súbito desenvolvimento, na agricultura, no artesanato e no comércio. Fazem-se grandes fortunas; e os novos ricos começam a comprar todas as terras, a construir palácios nas cidades e casas de férias no campo. Os preços sobem em flecha, acresce a corrupção. Os pequenos proprietários têm de vender as terras para pagar as dívidas, passam a trabalhar como assalariados, acabam na escravidão. O profeta denuncia o atropelo do direito, a exploração dos humildes, a miséria da maioria e o luxo desmedido dos ricos, o abandono dos pobres. “Oprimis o pobre, exigis o seu quinhão de trigo; sois opressores do justo, aceitais subornos, violais o direito dos pobres no tribunal. Por isso, eles têm medo e calam-se, sentindo que os tempos são maus.” (5, 11-13). A religião, financiada pelos ricos, está reduzida a uma empresa de cerimónias, solenidades e festas. “Detesto as vossas festas …, não aceito os vossos holocaustos …, não quero ouvir mais a música das vossas harpas. O que quero, é que jorre a equidade como uma fonte e a justiça como uma torrente que não seca.” (5, 21-24).

            O Evangelho (Lc 16, 1-13) conta a história de certo administrador que, sabendo que ia ser despedido, “comprou” a amizade dos devedores do seu patrão perdoando parte do que deviam. Jesus começou por comentar: só é pena que os maus tenham tanta habilidade para as coisas más e os bons tenham tão pouca habilidade para as coisas boas… E criticou a desonestidade do administrador: “Ninguém pode servir a dois senhores. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13).

            A segunda Leitura é da I Epístola a Timóteo. S. Paulo recomenda a Timóteo que convide os cristãos a rezar por todos os homens, e nomeadamente “pelos reis e por todas as autoridades, para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica.” (I Tim 2, 2). Ora talvez nunca como hoje os governantes e os que têm alguma espécie de poder precisaram de orações. Nos últimos 20 anos do séc. XX a desigualdade no mundo e a miséria dos grupos mais pobres cresceu de maneira assustadora. O séc. XXI está a começar sob o signo de uma violência inaudita. À guerra nuclear e à guerra subversiva sucede a guerra terrorista. Aumenta a sede da vingança. Era preciso que uns e outros tivessem a grandeza de alma para parar, reflectir  e dialogar. Era preciso que se pusessem de acordo sobre quais são as situações mais injustas e dessem as mãos para começar a construir. Há no mundo competência e dinheiro (mais haveria se não se gastasse tanto com armas). É urgente matar a fome, não os homens. É urgente tentar debelar a malária, a sida e as outras epidemias que afligem a humanidade.

            O mundo – e a Igreja – precisam de um novo profeta: um homem (ou uma mulher) que tenha prestígio para suscitar o diálogo, que ofereça propostas capazes de apaixonar o que ainda há de bom nos corações dos homens. Era preciso que nós, cristãos, ensinássemos com as nossas vidas que Deus não pode dividir os homens, Ele que é o amor.

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