XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 29 de Agosto de 2010

«QUEM SE EXALTA SERÁ HUMILHADO E QUEM SE HUMILHA SERÁ EXALTADO».
                                                                           (Lc 14, 11)

I LEITURA – Sir 3, 19-21. 30-31

«Meu filho, quanto mais fores mais deves ser humilde».

Leitura do Livro do Ben-Sirá
Filho, em todas as tuas obras procede com humildade e serás mais estimado do que o homem generoso. Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás graça diante do Senhor. Porque é grande o poder do Senhor e os humildes cantam a sua glória. A desgraça do soberbo não tem cura, porque a árvore da maldade criou nele raízes. O coração do sábio compreende as máximas do sábio e o ouvido atento alegra-se com a sabedoria.

SALMO – 67 (68), 4-7ab. 10-11

Refrão: Na vossa bondade, Senhor, preparastes uma casa para o pobre.

Os justos alegram-se na presença de Deus,
exultam e transbordam de alegria.
Cantai a Deus, entoai um cântico ao seu nome;
o seu nome é Senhor: exultai na sua presença. Refrão

Pai dos órfãos e defensor das viúvas,
é Deus na sua morada santa.
Aos abandonados Deus prepara uma casa,
conduz os cativos à liberdade. Refrão

Derramastes, ó Deus, uma chuva de bênçãos,
restaurastes a vossa herança enfraquecida.
A vossa grei estabeleceu-se numa terra
que a vossa bondade, ó Deus, preparara ao oprimido. Refrão

II LEITURA – Heb 12,18-19. 22-24a

«Não vos aproximastes dum coisa papável, mas da cidade de Deus».

Leitura da Epístola aos Hebreus
Irmãos: Vós não vos aproximastes de uma realidade sensível, como os israelitas no monte Sinai: o fogo ardente, a nuvem escura, as trevas densas ou a tempestade, o som da trombeta e aquela voz tão retumbante que os ouvintes suplicaram que não lhes falasse mais. Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva, de uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu, de Deus, juiz do universo, dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição e de Jesus, mediador da nova aliança.

EVANGELHO – Lc 14, 1.7-14

«Quando um homem te convidar para um banquete, não tomes o primeiro lugar».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus entrou, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobre mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Jesus disse ainda a quem O tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM (Comentários do P.e João Resina in a Palavra no Tempo II)

          Um dos principais fariseus convida Jesus para um banquete. Jesus não se coíbe de criticar, com alguma dureza, quer os convivas, quer aquele que O tinha convidado.
          Critica nos convivas, a pressa com que ocupam os primeiros lugares. Ninguém como Ele tem o direito de fazer essa crítica. “Ele, que é de condição divina, não reivindicou ser tratado como Deus; mas despojou-se de si mesmo, tomando a condição de servo…” (Fil 2, 6-7). È claro que nós cá em baixo temos outra lógica. Queremos subir na vida, ficamos contentes quando os outros reconhecem a nossa importância, exibimos os nossos títulos e diplomas (conquistados às vezes com atropelo da justiça).
          Houve quem dissesse que este texto é um convite aos cristãos para renunciarem a progredir. Discordo. O cristão tem o direito e o dever de se inserir na vida e dar o melhor de si mesmo. Jesus não cruzou os braços. O que nos pede é que vivamos para a verdade, a justiça, o amor, e não para a vaidade. Se isso não conduzir à cruz, aceitemos como Ele aceitou. Se nos conduzir ao triunfo, aceitemos com alegria, mas não nos iludamos com a glória. Não percamos de vista o julgamento definitivo das nossas obras; é Ele que o fará um dia. Recordo uma palavra do Concílio II do Vaticano: “Os cristãos que desempenham parte activa no actual desenvolvimento económico-social e lutam pela justiça e pela caridade reconheçam que podem contribuir muito para o bem da humanidade e para a paz no mundo…. Fieis a Cristo e ao seu Evangelho, adquirindo a competência e a experiência absolutamente indispensáveis, respeitem a hierarquia entre actividades terrenas, de maneira que toda a sua vida, tanto individual como social, seja penetrada do espírito das bem-aventuranças e especialmente do espírito da pobreza.” (Constituição Gaudium et Spes, 72).
          A crítica ao dono da casa parece-nos mais insólita. Então um rico não pode convidar parentes e amigos, tem de convidar sempre os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos? Não esqueçamos que a linguagem das parábolas é tipicamente exagerada, não é para ser levada à letra. Por outro lado, uma vez mais, Jesus é o único que poderia dizer isto a sério, se quisesse. O Pai convidou os homens (a maioria são pobres, doentes, criminosos) e mandou que Ele fizesse as honras da casa. Ele lidou com os pobres e os ricos, bons e maus, mas conviveu sobretudo, com os pobres e os pecadores.
          Claro que um rico pode convidar os amigos (Jesus aceitou o convite de Marta e Maria). Mas tem de aprender a olhar para a sua riqueza e para a dor dos pobres com o olhar de Jesus. É verdade que o Evangelho não dá a este respeito normas taxativas. Mas a ideia vulgar de que “é meu é meu” e que cumprimos com a nossa fé dando aqui e além umas moedas aos pobres parece muito diferente da vida e da palavra de Jesus.
          Era preciso que empenhasse-mos no amor dos pobres mais bens, mais tempo, mais carinho. Por exemplo, não imagino Jesus a gastar milhares de contos para passar férias no outro cabo do mundo. “Mas esse dinheiro é meu, foi ganho com o meu trabalho!” De acordo, mas há homens e mulheres que dão o mesmo esforço e a mesma dedicação, e ganham o salário mínimo. Alguns têm familiares doentes. Além disso, a questão não é só de dinheiro, é também de presença e calor humano. Há nesta cidade tantos doentes que passam o dia na solidão! Finalmente, já a obra da transformação das estruturas da sociedade. Cito de novo o Concílio: “Não se dê ao mundo o escândalo de haver algumas nações, geralmente de maioria cristã, na abundância, enquanto outras não têm sequer o necessário para viver e são atormentadas pela fome, pela doença e por toda a espécie de misérias. Pois o espírito de pobreza e caridade são a glória e testemunho da Igreja de Cristo”. (Constituição Gaudium et Spes, 88).

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