XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM – 22 de Agosto de 2010

«EIS QUE HÁ ÚLTIMOS QUE SERÃO PRIMEIROS, E PRIMEIROS QUE SERÃO ÚLTIMOS

(Lc 13,  30) 

I LEITURA – Is 66,18-21

O dia da aliança definitiva

SALMO – 116 (117), 1-2

Refrão: Ide por todo o mundo, anunciai a boa nova.

II LEITURA – Heb 12, 5-7.11-13

«O Senhor corrige aquele a quem tem amor»

EVANGELHO – Lc 13, 22-30

«Entrai pela porta estreita»

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XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

            Alguém pergunta a Jesus: “São poucos os que se salvam?” Jesus não fornece a estatística, em vez disso pede que cada um seja exigente consigo próprio. Uma das ilusões dos judeus era estarem convencidos de que a condição primeira da salvação era pertença ao povo de Moisés. Ora Jesus, que anunciou um Reino novo, tornou claro que a pertença a esse Reino, dependia muito mais da fidelidade que dos ritos, dependia muito mais da fidelidade interior do que o cumprimento material das leis. Aquilo que é pedido a cada homem é que vá tentado amar como Deus ama. Na rectidão e no dom, sem limites nem fronteiras. Por isso, acrescentou que muitos dos que “tinham comido e bebido com Ele” e “O tinham ouvido nas suas praças” iam ser rejeitados, “porque praticavam a iniquidade”. Disse que a porta do Reino é estreita.

            Esta afirmação não é contraditória da infinita misericórdia de Deus. Somos todos pecadores A diferença parece ser entre aqueles que compreenderam que o essencial está no amor a Deus e aos irmãos, sobretudo se são necessitados, e aqueles que só entenderam que é bom subir na vida, e se sobe com “esperteza”. Deus vai perdoar infinitos pecados aos que apesar de tudo fizeram algum bem, mas vai desprezar a “esperteza”. Daí o aparente paradoxo: muitos dos que se imaginam em segurança (eram respeitados e aclamados pelo sistema) vão ser rejeitados, muitos zé-ninguéns, vindos de terras obscuras, viram sentar-se à mesa do Reino de Deus.

            A segunda Leitura, da Epístola aos Hebreus, recorda que, às vezes, Deus nos corrige neste mundo. Felizes de nós se entendermos, e arrepiarmos caminho.

            A primeira Leitura é tirada da terceira parte do Livro de Isaías, escrita já depois do Exílio, no século V a.C. Quinhentos anos antes de Jesus, anuncia que Deus é Deus de todos os homens e todos os homens estão convidados para a festa final.

            Permanece uma questão. O Senhor Jesus mandou que a sua palavra fosse anunciada a toda a Terra. É claro que desejou que todos os homens acreditassem n’Ele. Mas a maioria ainda não acreditou, são muitos os que se lhe opõem. Qual é o nosso papel? Voltemos ao Evangelho. Jesus enviou os Apóstolos a proclamar a Boa Nova. Recomendou-lhes, que não se deixassem contaminar pela lógica do poder. Deu a vida em firmeza daquilo que tinha ensinado, nunca maltratou aqueles que se lhe opuseram. Anunciou aos Apóstolos que porventura lhes sucederia o mesmo, e eles aceitaram. Infelizmente, houve um dia em que os cristãos regressaram à lógica deste mundo. Inventaram a Inquisição.

            Em boa hora, o Papa João Paulo II pediu ao mundo perdão por estas coisas. Seguia, aqui, o Consílio II do Vaticano: “Acreditamos que esta única religião verdadeira se encontra na Igreja católica e que a Igreja católica recebeu do Senhor Jesus o encargo de a anunciar a todos os homens… O Concílio declara que a verdade não se impõe senão pela sua própria força… Todos os homens devem estar livres de coração, quer por parte dos indivíduos, quer dos grupos sociais, quer de qualquer autoridade humana, de tal modo que em matéria religiosa ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência… O homem deve responder voluntariamente a Deus com a fé e portanto ninguém deve ser forçado a abraçar a fé contra a vontade… Os cristãos, procedendo cordatamente com aqueles que estão fora da Igreja,  procurem difundir com desassombro e fortaleza a palavra da vida, até ao dom do seu sangue… O amor de Cristo incita os cristãos a agir com amor, prudência e paciência para com os homens que se encontram no erro ou na ignorância relativamente à fé”. (Declaração Dignitatis Humanae, 1-14).

P.e João Resina Rodrigues (in A Palavra no Tempo II)

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