XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM – 8 de Agosto de2010

  «FELIZES OS SERVOS QUE O SENHOR, À SUA CHEGADA, ENCONTRAR VIGILANTES»   (Lc 12, 37)

I LEITURA – Sab 18, 6-9

«Os antigos estabeleceram esta norma: os justos devem aceitar quer os bens, quer os perigos».

SALMO – 32 (33), 1.12.18-20.22

Refrão: Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

II LEITURA – Heb 11,1-2.8-19

«A fé é a garantia das coisas que se esperam».

EVANGELHO – Lc 12, 32-48

S. Lucas tenta despertar o povo que, adormecido pela falsa ideia da proximidade do fim do mundo, se deixara cair na inactividade.

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XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM – A Epístola aos Hebreus

            A segunda Leitura é tirada da Epístola aos Hebreus (Heb 11,1-2.8-19). Julga-se que esta epístola foi escrita, depois da morte de São Paulo, por alguém do seu grupo, tendo como destinatários os cristãos oriundos do judaísmo. Estes cristãos tinham nostalgia das grandes cerimónias do Templo de Jerusalém; ainda não tinham interiorizado que os mandamentos ou são consequência do mandamento do amor, ou têm pouca importância; sobretudo, nem todos tinham entendido que Jesus Cristo está infinitamente acima de Moisés e dos Profetas.
            Por isso, a Epístola começa com a afirmação fundamental: “Muitas vezes e de muitos modos, nos tempos antigos, Deus falou aos nossos antepassados, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por quem criou o ” (Heb 1, 1-2).
            Mas Jesus, sendo Filho de Deus e o Senhor de todas as coisas, não se apresentou com a glória e o poder de Deus. “Partilhou a condição dos homens, a fim de destruir, pela sua morte, aquele que tinha o poder da morte, o diabo. (…) Ele assemelhou-se em tudo, aos seus irmãos (…) a fim de expiar os pecados do povo. É precisamente por que Ele mesmo sofreu e foi posto à prova. (2, 14-18). “De facto, nós não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, pois Ele foi provado em tudo como nós, excepto no pecado. Aproximemo-nos, então, com grande confiança, a fim de encontrar misericórdia e ajuda. (4, 15-16).
            No Templo de Jerusalém os sacerdotes da Antiga Lei ofereciam sacrifícios de bois e ovelhas, mas o seu valor era apenas simbólico. Agora temos a realidade: Jesus, Filho de Deus, vindo ao nosso mundo, é doravante o único sacerdote, a sua morte na cruz é o único sacrifício salvador. “Nos dias da sua vida terrena, Cristo apresentou (a seu Pai) orações e súplicas (…) Apesar de ser Filho de Deus, aprendeu a obediência no sofrimento, e, tornado perfeito, tornou-se para todos os que lhe obedecem fonte de salvação . (5, 7-9).
            Um dos temas fundamentais nas epístolas de São Paulo tinha sido a fé. A Epístola recorda: que “a fé é garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que não se vêem. (Heb 11, 1). Nós acreditamos em coisas que não vemos, firmados na palavra de Jesus, Ele é para nós a garantia da realidade dessas coisas.
            A fé é uma relação de confiança: confiança em quem conhecemos, confiança na sua palavra. Todo o amor exige confiança, por isso a fé está na base da nossa relação com Deus.
            “Pela fé, Abraão obedeceu ao ser chamado por Deus, e partiu para um lugar que viria a receber como herança. E, partiu, sem saber para onde ia. (11, 8). Os autores desta Epístola tinham aprendido com São Paulo a situar aqui a grandeza de Abraão: acreditou e obedeceu à palavra de Deus, partiu sem pedir o mapa da viagem.
            Abraão recebei a promessa de que a Palestina seria um dia dos seus descendentes. Em todo o caso, Abraão, “morou na terra prometida, como se fosse estrangeiro” (11, 9). O facto de saber, na fé, que aquela terra seria dada à sua descendência, não o autorizou a impor-se aos habitantes. Quase dois mil anos passados, compreendemos, nós também, que a fé não nos torna donos do mundo.

P.e João Resina Rodrigues (extracto de A Palavra no Tempo II)

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