(Lc 17, 17-18)
I LEITURA – 2 Reis 5, 14-17
O profeta Eliseu cura da lepra um estrangeiro.
Leitura do Segundo Livro dos Reis
Naqueles dias, o general sírio Naamã desceu ao Jordão e aí mergulhou sete vezes, como lhe mandara Eliseu, o homem de Deus. A sua carne tornou-se tenra como a de uma criança e ficou purificado da lepra. Naamã foi ter novamente com o homem de Deus, acompanhado de toda a sua comitiva. Ao chegar diante dele, exclamou: «Agora reconheço que em toda a terra não há outro Deus senão o de Israel. Peço-te que aceites um presente deste teu servo». Eliseu respondeu-lhe: «Pela vida do Senhor que eu sirvo, nada aceitarei». E apesar das insistências, ele recusou. Disse então Naamã: «Se não aceitas, permite ao menos que se dê a este teu servo uma porção de terra para um altar, tanto quanto possa carregar uma parelha de mulas, porque o teu servo nunca mais há-de oferecer holocausto ou sacrifício a quaisquer outros deuses, mas apenas ao Senhor, Deus de Israel».
Palavra do Senhor.
SALMO – 97 (98), 1-4 (R. cf. 2b)
Refrão: O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.
Ou: Diante dos povos manifestou Deus a salvação
Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória. Refrão
O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel. Refrão
Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai. Refrão
II LEITURA – 2 Tim 2, 8-13
“Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos.”
Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo
Caríssimo: Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho, pelo qual eu sofro, até ao ponto de estar preso a estas cadeias como um malfeitor. Mas a palavra de Deus não está encadeada. Por isso, tudo suporto por causa dos eleitos, para que obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará; se Lhe formos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo.
Palavra do Senhor.
EVANGELHO – Lc 17, 11-19
Jesus cura dez leprosos. Só um deles manifesta gratidão. Era um samaritano.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».
Palavra da salvação.
XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – Comentários do P.e João Resina (in a Palavra no Tempo II)
Os antigos tinham grande horror à lepra. Temiam o contágio, viam nela um sinal de maldição. Pensando que toda a doença era um castigo infligido por Deus, concluíam que, tendo recebido um mal tão terrível, estes doentes eram ou tinham sido grandes pecadores. Os leprosos eram expulsos das povoações e só de longe podiam gritar por ajuda. O Antigo Testamento proibia qualquer contacto com um leproso.
Jesus respeita a Tradição dos Antigos quando ela ensina coisas justas, mas tem a coragem de a desrespeitar quando ela é contrária ao amor ou simplesmente ao bom senso. Por exemplo, não deixa de curar um doente por nesse dia ser sábado. Logo no princípio da sua vida pública, há um leproso que se aproxima e lhe diz: “Senhor, se quiseres, podes curar-me”. Infringindo a Lei, Jesus estende a mão e toca-o, ao mesmo tempo que diz: “quero, fica curado” (Mt 8, 1-8; Mc 1, 40-45; Lc 5, 12-16). Suponho que quis significar duas coisas: o leproso é um doente, não necessariamente um grande pecador; mesmo que seja necessário defender a população do contágio, isso não deve ser feito relegando seres humanos para situações infra – humanas. O Evangelho desta missa (Lc 17, 11-19) conta que, mais adiante, à entrada duma povoação, dez leprosos, mantendo-se a distância, lhe bradam: “Mestre, tem compaixão de nós”. Jesus manda que vão apresentar-se aos sacerdotes e, no caminho, ficam curados. Um deles volta atrás, a agradecer. Era samaritano. Jesus trata este com carinho: A tua fé te salvou. Vai em paz”.
A primeira Leitura é tirada do Livro dos Reis (II Reis 5, 14-17). Na vizinha Síria, o general comandante do exército, Naamã de seu nome, tinha lepra. Rico e poderoso, útil ao rei, ninguém ousara expulsá-lo. Mas é um homem que sofre. Ouve dizer que há um grande profeta em Israel. Pensa que não perde nada em ir ver. Leva credenciais do seu rei e muito dinheiro para pagar. O profeta Eliseu trata-o como se ele fosse um pobre qualquer: manda um criado a dizer-lhe que vá lavar-se ao Jordão. Naamã fica furioso e volta costas. A custo, os eus servos convencem-no a banhar-se no rio. Ao ver que fica curado, o general regressa e, com humilde dignidade, agradece ao profeta. Declara que doravante só rezará ao Deus de Israel.
Mas a continuação do texto é ainda mais importante. Naamã põe a Eliseu um problema de consciência: de acordo com o protocolo, costuma acompanhar o seu soberano quando ele vai ao templo; que há-de fazer, agora que só acredita no Deus de Israel? O profeta Eliseu tem uma resposta magnânima, espantosa quando recordamos a dureza dos costumes daquela época: “Vai em paz”.
A segunda Leitura é tirada de uma carta de S. Paulo a Timóteo (II Tim 2, 8-13). Paulo está na prisão, mas recorda que “a palavra de Deus não está nunca acorrentada”.
Precisamos de sabedoria para conjugar a atitude de Eliseu e esta palavra de Paulo. Perante um cristão de outra confissão ou perante um crente não cristão é errado abrir guerra. Na companhia de ortodoxos ou de protestantes invoquemos com eles o Senhor Jesus, junto de maometanos não tenhamos medo de rezar com eles a Deus, Senhor do céu e da terra. É talvez o que Eliseu sugeriu a Naamã: quando acompanhares o teu rei ao templo dele, reza a Deus, que é um só. Por outro lado, é claro que o ecumenismo não pode equivaler a uma banalização da verdade. Mantendo o respeito por todos, não pondo nunca em dúvida a lealdade daqueles com quem se confronta, cada homem tem o direito e o dever de testemunhar da verdade que lhe foi dado alcançar. Nós, cristãos, acreditamos em Deus, acreditamos em Jesus e na sua palavra, acreditamos que Ele fundou uma Igreja. Não podemos desistir de o pregar.