NA PARÓQUIA, O MINISTÉRIO DA CARIDADE – 10 de Outubro de 2010

1. A caridade está no centro da vida cristã, é ela síntese da espiritualidade evangélica, uma vez que a “caridade tudo crê, tudo sofre, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13, 7). Porque não acaba nunca, a caridade anima as comunidades cristãs e dá visibilidade à Igreja. Ao lerem-se as páginas do Novo Testamento, esta exigência de amor constante e universal, constitui a grande norma da vida e da acção. Se não, vejamos:

· “Dou-vos o mandamento novo, que vos ameis uns aos outros, caso contrário, não podereis ser meus discípulos” (Jo 13, 34-35). O amor é o ponto de partida para uma prática permanente.

· “A fé sem obras é morta” (Tg 2, 17) A fé é adesão à pessoa de Cristo, mas isto implica o amor aos irmãos, um amor prático, visível.

· “Vim para dar a Boa Nova aos pobres, a liberdade aos prisioneiros, a libertação aos oprimidos, a alegria a todos os que sofrem” (Lc 4, 16-19). É a concretização do amor que se tem para com os mais carenciados.

· “Faz assim e viverás” (Lc 10, 27ss.). O exemplo prático da caridade activa é a parábola do samaritano, do homem que perante o outro homem caído viu, parou, se aproximou, lhe cuidou das feridas, o levou à estalagem, pagou e se responsabilizou pelo futuro dele.

· “Não havia necessitados entre eles” (Act 2, 49). A experiência das primeiras comunidades cristãs era uma experiência de partilha até à unidade, uma vez que todos punham os seus bens em comum, para a salvação total dos mais pobres.

Esta caminhada pelas páginas do Novo Testamento permite compreender que o ministério da caridade faz parte integrante da aventura cristã. Não basta a leitura da Palavra e o seu anúncio (ministério profético), não bastam a oração e a celebração (ministério litúrgico), para uma verdadeira comunidade cristã exige-se a atenção aos mais pobres e a solução, passo a passo, dos seus problemas humanos (ministério da caridade).

2. O segundo mandamento é o mesmo que o primeiro. Em tradução feliz, alguns autores trocaram a expressão “ é semelhante” por “é o mesmo”. De facto, não é possível amar a Deus sem amar o próximo e o mandamento do amor é um só. Yves Congar dizia que a comunhão de amor com Deus é o sustentáculo da comunhão com o próximo e que esta comunhão de amor com o outro é o testemunho da comunhão de amor com Deus. Com uma fórmula tão simples, compreende-se que o amor aos outros é o corolário do amor que se tem a Deus. Por isso Jesus soube dizer “o que fizeste aos mais pequeninos dos teus irmãos, foi a mim que o fizeste” (Mt 25, 40). Há inúmeras formas de amar o outro:

· A solidariedade permite fazer meu o sofrimento do outro, a ponto de tudo procurar para encontrar solução para o seu problema. A solidariedade não é um sentimento, é um compromisso de acção.

· A partilha leva-me a pegar nos meus bens disponíveis e, com eles, responder a inúmeras carências que afligem pessoas, famílias, grupos humanos. A partilha é um convite a dar com algum sacrifício, procurando com humildade ser eficaz na ajuda que se presta.

· A oferta ao outro pode ser espontânea ou simplesmente individual, perante um caso gritante ou a angústia de alguém que está muito próximo e a quem, sistematicamente se pode ajudar.

· O apoio organizado permite estudar caso a caso situações concretas e construir respostas que levem a pessoa em perda, a encontrar um sentido novo para a vida e uma capacidade autêntica de recomeço. Este apoio tem sempre uma organização de suporte.

O ministério da caridade converge para esta acção organizada, com atenção integral à pessoa humana, ao ponto de oferecer uma solução que é global, que leva aquela pessoa a assumir um projecto e a conseguir redescobrir o sentido para a vida, com plena realização.

3. Na paróquia, comunidade viva, a partilha organizada de bens constitui maneira de estar e de ser cristão, forma privilegiada de realizar actos de amor. É por isso que a nossa comunidade do Campo Grande tem inúmeras formas de servir os mais pobres, exercendo o ministério da caridade.

· O Centro Social Paroquial, com as suas valências que permitem ajudar crianças, adolescentes, jovens e seniores: a creche, o jardim-de-infância, o clube de jovens, o centro de dia.

· A visita domiciliar, com a preocupação de assistir em casa os mais doentes e os de mais idade: com refeições, apoio social, pastoral da saúde e até simples companhia.

· As Conferências de S. Vicente de Paulo, com atenção a famílias isoladas e mais carenciadas, através do fornecimento de géneros alimentícios, de visitas frequentes, de apoio nas idas ao Centro de Saúde ou ao Hospital, da solução de problemas com as crianças na escola.

· O acompanhamento de Bairros Sociais, com uma presença efectiva no Bairro das Murtas (com 122 famílias) e no Bairro das Fonsecas e Calçada (com 770 famílias). A assistência a estes bairros é integral, com o apoio a todos os níveis.

· O Fundo da Solidariedade, respondendo às grandes urgências motivadas pela crise económica e social que afecta não apenas a Europa e o país, mas que magoa os nossos vizinhos, em pobreza envergonhada. É o amor completamente anónimo, no dar e no receber. O número de conta para esta partilha discreta é 0033-0000-45372486619-05

Uma comunidade cristã tem de ser muito generosa no ministério da caridade. Só assim merece ser chamada de cristã.

4. Estamos no início do ano. É tempo de cada um se inscrever em trabalho efectivo na comunidade, seja no ministério profético, no ministério litúrgico ou no ministério da caridade. Não pode é estar sem fazer nada.

Click para Imprimir esta Página

Comments are closed.