OS SEMINÁRIOS NA FORMAÇÃO DOS SACERDOTES – 7 de Novembro de 2010

1. As vocações sacerdotais constituem uma das grandes preocupações da Igreja. Daí, que todos os anos, durante duas semanas, se peça a todos os cristãos uma especial oração pelas vocações sacerdotais. É em Novembro com a semana dos seminários, e em Maio com a semana das vocações. Todos os cristãos devem ter consciência de que o sacerdócio ministerial é essencial à vida da Igreja, porque ao padre compete proclamar a Palavra de Deus (missão profética), presidir à Eucaristia e aos outros sacramentos (missão litúrgica), e acompanhar a acção de caridade exercida nas comunidades cristãs (missão social). Acontece porém, que tem diminuído muito o número de jovens que procuram o sacerdócio. Múltiplas são as razões que obrigam a uma reflexão profunda da Igreja e, eventualmente, um renovado esforço na formação sacerdotal.

• À perda de vocações corresponde uma grande diminuição de sacerdotes. No Patriarcado cerca de 50% das comunidades paroquiais já estão a ser presididas por padres de outras dioceses ou por sacerdotes das congregações religiosas. Sem esta ajuda, com muitos sacerdotes de África, e alguns sacerdotes da Índia, as Paróquias ficariam sem a presença do sacerdote como primeiro responsável da comunidade.

• A crise de fé, uma constante na sociedade europeia, afecta muitos dos nossos jovens, sobretudo aqueles que em estudos universitários quase consideram que a ciência e a razão dispensam Deus. Logicamente, os jovens de hoje têm mais dificuldade em descobrir a beleza da vocação sacerdotal, como projecto de vida e forma de realização pessoal.

• Também a renovação conciliar criou dificuldades na vida da Igreja. O conservadorismo de muitos que têm medo de renovar-se e o progressismo de outros que querem mudar tudo sem uma correcta avaliação cria nos mais novos alguma confusão que os afasta da prática cristã e, inevitavelmente, de uma possível vocação sacerdotal.

• Também as famílias, mesmo as mais cristãs com poucos filhos não estimulam a vocação de algum deles, porque quase a consideram como uma rotura na continuidade da família, do nome, da posição social. Para estas o sacerdócio não é futuro para um filho.

• O estilo de vida dos jovens de hoje, também não é muito compatível com a austeridade que ao sacerdote é pedido na exigência da perfeição evangélica.

Tudo isto deu origem a que muito poucos jovens optassem pela vida sacerdotal. É este facto que obriga a Igreja a reflectir e a motivar as comunidades, as famílias e os jovens sobre a importância do sacerdócio ministerial na vida da Igreja. O sacerdote, como Jesus Cristo, é assumido do meio dos homens e constituído servidor para todos os outros no que às coisas de Deus diz respeito a fim de poder anunciar o Evangelho, celebrar a Eucaristia, dar o perdão e a todos incentivar à caridade.

2. Mas há ainda muitos jovens que se deixam apaixonar pela pessoa de Cristo, alimentando a sua fé na família, ou na comunidade paroquial, descobrem a beleza de Cristo sacerdote e querem seguir os seus passos, sendo sacerdotes também. Já não são “recrutados” nas escolas primárias ou nas famílias humildes como aconteceu durante dezenas de anos quando o seminário era sobretudo uma escola de formação humanista. Hoje os jovens que procuram o sacerdócio vêm das universidades, da vida profissional, ou de uma ou outra escola onde esta porta também foi revelada como desafio de futuro. Passaram pelos grupos de jovens nas comunidades paroquiais e ali descobriram que valia a pena ser padre, ao serviço da Igreja e do mundo. Não será porém, possível ser sacerdote sem uma formação integral:

• Formação cultural, humanista, envolvendo muito as ciências, acolhendo correntes de opinião, formação exigente para a presença do sacerdote no meio do mundo;

• Formação teológica para o conhecimento suficiente do mistério de Deus, de Cristo e da Igreja, sem o que não é possível exercer o ministério sacerdotal;

• Formação espiritual para uma relação positiva com Deus na oração e uma relação de proximidade com todos os homens em atitudes de caridade fraterna – a vida espiritual tem duas componentes: a intimidade com Deus que suporta a relação fraterna, o amor aos irmãos que testemunha a relação com Deus;

• Formação pastoral em ordem à actividade organizada da Igreja pela qual se torna presente, aqui e agora, a acção salvífica de Cristo.

Antigamente esta formação era dada nos seminários fechados ao longo de 12 ou 13 anos. Actualmente os seminários estão em relação com as universidades e com as paróquias o que permite uma formação teórica e prática, mais-valia na formação sacerdotal.

3. Os seminários são as escolas de formação sacerdotal. Ao celebrar-se este ano a semana dos seminários entre 7 e 15 de Novembro escolheu-se um ‘slogan’ que alimente a oração dos cristãos. Tal ‘slogan’ é este: “seminário, comunidade dos discípulos de Cristo e irmãos no presbitério”. É um título muito sugestivo porque leva a repensar o que é o seminário para a vida da Igreja. Não é apenas mais uma escola de especialidade, não é um complemento da universidade para uma pós-graduação, não é um espaço de isolamento que torne o futuro padre um homem distante. É uma comunidade em que as pessoas se relacionam ao ritmo da Igreja, é uma comunidade de discípulos de Cristo onde todos aprendem a seguir Cristo de perto, é uma comunidade que está próxima de todo o presbitério diocesano, presbitério em que os futuros padres irão ser integrados. Esta comunidade que é o seminário pode ter objectivos diferentes e complementares:

• Há o seminário humanista que aprofunda valores, consegue uma formação integral e desafia a uma vida de consagração.

• Há o seminário vocacional em que se estuda o chamamento de Deus, em que se compreende a missão que se vai viver, em que se desafia à gratuidade da entrega, onde se assume a decisão pelo sacerdócio.

. Há o seminário pastoral onde, através das ciências religiosas, se aprende a desenvolver as actividades anunciadoras de Jesus que veio para dar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos oprimidos e a alegria aos que sofrem, e instaurar o tempo da reconciliação e da paz.

Estas três dimensões da formação, no Patriarcado de Lisboa, são conseguidas através do Seminário de Penafirme (Humanismo), o Seminário de Caparide (vocacional), o Seminário dos Olivais (Pastoral). Além disto, o Patriarcado tem ainda o pré-seminário, através do qual se acompanham os jovens nas famílias e nas escolas, antes da decisão vocacional.

4. O amor aos seminários é consequência lógica do amor que os cristãos têm ao sacerdócio. É por isso que todos temos que nos motivar para apoiar as vocações sacerdotais. Na nossa Comunidade Paroquial do Campo Grande propomo-nos: orar pelas vocações sacerdotais e pelos seminários onde se formam os futuros sacerdotes; incentivar as famílias a cultivar a vocação sacerdotal dos seus filhos; pedir à Pastoral Catequética e aos grupos de jovens que falem da beleza do sacerdócio e da resposta vocacional; convidar alguns a contribuir com uma bolsa de estudo para a formação de um novo padre; participar no ofertório de domingo 14 no ofertório com um contributo de natureza económica para ajudar os seminários diocesanos.
Todos amamos o sacerdócio. Todos amamos os nossos seminários.

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