MARIA, A SENHORA DA ESPERANÇA – 5 de Dezembro de 2010

1. O Advento é tempo de esperança. A humanidade espera a vinda do Messias, o Salvador prometido. N’Ele se concentra a esperança de todos os homens. Já Isaías dissera: “eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho ao qual será posto o nome de Emanuel” (Is 7, 14). A profecia de Isaías anunciava para breve o que Deus no princípio dissera à serpente: “farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta esmagará a tua cabeça” (Gn 3, 15). Os textos do Velho Testamento ofereciam a esperança da salvação, que iria concretizar-se com o nascimento de Jesus, “Aquele que vem para salvar”. E Maria, Mãe do Salvador, torna-se referência de esperança.

• Maria foi privilegiada na sua conceição ao ser preservada da culpa original. É Imaculada na sua Conceição.

• Maria soube dizer sim a Deus, um sim sem condições, quando o Anjo Gabriel a surpreendeu, pedindo-lhe, da parte de Deus, que fosse a Mãe do Salvador. É o mistério da Anunciação.

• Maria esteve disponível para ir correndo, a Ain-Karim visitar a prima Isabel, também ela à espera de João, o Precursor. É a ternura da Visitação.

• Maria caminhou até Belém, a cidade de David, para ali ter o nascimento de Jesus seu Filho. É o mistério da Natividade.

• Maria viveu em silêncio na pequenina aldeia de Nazaré para acompanhar o seu Filho ao longo de trinta anos, guardando tudo no seu coração de mãe. É a oração do silêncio, aquela que Deus mais ouve.

• Maria acompanha a vida pública de Jesus, na Galileia e na Judeia, sempre discreta como sombra protectora. O anúncio do Reino também lhe pertence.

• Maria está de pé junto à cruz, para receber do seu Filho a humanidade inteira que João representa. “Mulher eis aí o teu Filho.” E a Senhora da Piedade torna-se mãe da Igreja, mãe da Humanidade.

• Maria está também no Pentecostes, com todos os Apóstolos, para receber a missão de levar a todos os povos a salvação. Ela é de verdade a padroeira do mundo todo.

Cada um destes momentos da vida de Maria revelam-na como Senhora da Esperança, porque todos podem nela pôr os olhos, quaisquer que sejam as dificuldades a sofrer. Como acompanhou Jesus acompanha todos os que nela confiam.

2. O Mundo actual precisa de ter esperança. Sem ela não se ultrapassam as dificuldades. A esperança activa não permite a ninguém ficar parado, obriga a enfrentar a adversidade, a descobrir os caminhos novos, e a percorrê-los com tenacidade, para atingir os objectivos desejados. Neste tempo de crise, os cristãos têm consciência do número imenso de desempregados, a quantidade de pessoas que vivem abaixo do nível da pobreza, de muitos que, sem abrigo, vagueiam pelas ruas neste Inverno. Os cristãos sabem que 35% das crianças em Portugal abandonam a escola, que há adolescentes à espera de bebés, que há jovens flagelados pelo álcool e pela droga. É num mundo assim, que perdeu valores, que é urgente ter esperança, lutando por algo de melhor. Maria pode ser desafio desta esperança.

• Em Nazaré soube dizer: “Servirei o Senhor como Ele quiser” (Lc 1, 38). Os cristãos têm que servir a Humanidade com os valores do Evangelho como Jesus pede.

• Em Ain-Karim pediu na oração “que os humildes fossem exaltados e os famintos cheios de bens” (Lc 1, 52-53). Os cristãos têm que aprender a repartir preocupando-se pelos mais pobres, pelos que não têm ninguém.

• Em Belém soube fazer silêncio na contemplação do Menino Jesus, a melhor das orações. Os cristãos têm de aprender a orar no silêncio, adorando, agradecendo, contemplando.

• Na fuga para o Egipto soube viver a experiência dos marginais. Os cristãos precisam de saber ser solidários junto daqueles que estão em grande provação, os doentes, os deficientes, os idosos, mas também os migrantes, os estrangeiros, os que não têm ninguém.

• Numa rua de Jerusalém ouviu Jesus quase a recusar recebê-la, mas logo entendeu o veredictum: “Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. A aparente recusa tornou-se um hino de louvor. Os cristãos precisam de aprender a ouvir a Palavra de Deus e a levá-la para as suas vidas.

• Junto à cruz, no Calvário, entre outras mulheres, Maria ficou de pé, não se deixou vencer pela dor, ficou em comunhão com o seu Filho. Os cristãos têm de aprender com Maria a viver as situações mais difíceis para poderem merecer depois a alegria da ressurreição.

Cada gesto de Maria, cada palavra, expressão da comunhão profunda com o seu Filho Jesus, são o grande fundamento da esperança que desafia os cristãos a um permanente recomeço, quaisquer que sejam as dificuldades que possam cruzar as suas vidas.

3. A Esperança cristã assenta num quadro de valores que, à sua maneira, Maria viveu até às últimas consequências. Pautou toda a sua vida pela verdade, autenticidade da vida, pela justiça, a constante preocupação por Jesus e os que o seguiam, e pelo amor, síntese da sua entrega ao projecto de Deus. Por tudo isso, Nossa Senhora é invocada neste Advento como Senhora da Esperança. Recorrendo a ela sabemos ter uma protectora que nos ajuda a recomeçar apesar de todas as dificuldades que as crises do mundo trazem consigo. Foi na superação dos sofrimentos do seu tempo que Maria se tornou co-redentora da Humanidade, Senhora da Esperança.

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