SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A NATUREZA-3 de Janeiro de 2010

1. Desde 1968 que se celebra, em todo o mundo, o Dia Mundial da Paz. A paz constituiu sempre uma preocupação para a Igreja. Desde tempos imemoráveis que os Papas foram intermediários, nos diversos conflitos entre os povos, para conseguirem acordos de paz, autêntica salvação para populações em grande sofrimento.
Com a segunda guerra mundial, multiplicaram-se as vítimas. Mais de 49 milhões de mortos na Europa, na Ásia e mesmo em África, uma vez que a guerra foi universal. Para além disso, a brutalidade das cidades destruídas, a violência sobre as pessoas que ficaram deficientes, o desespero dos refugiados, todo um mundo profundamente marcado pelo sofrimento.
Perante estes cenários, os países sentiram a necessidade de criar um código de comportamentos a aceitar por todos. Assim, foi proclamada, a 10 de Dezembro de 1948, a Carta dos Direitos Humanos. Exigia o direito à vida, à verdade, à justiça, às liberdades, ao trabalho e à participação. Só nesta base seria possível construir uma sociedade mais justa e mais fraterna.

2. A Igreja associou-se a este esforço de paz, quis ser solidária com todos os homens de Boa Vontade, quis cooperar com a reconstrução do mundo.
O primeiro grito de alerta veio do Papa João XXIII. Num texto maravilhoso, a Encíclica Pacem in Terris publicada a 11 de Abril de 1963, o Papa faz uma longa reflexão sobre os Direitos Humanos, comparando-os com os mandamentos da lei de Deus, reescritos para os homens do século XX. João XXIII abre diálogo com todos os povos, mesmo os que ideologicamente parece estarem mais longe e convida a inserir a liberdade individual no quadro do serviço ao bem comum.
É com grande coragem que João XXIII sublinha os três aspectos que caracterizam a idade moderna: a melhoria das condições sociais e económicas dos trabalhadores, a maior participação das mulheres na sociedade e a criação de novos Estados independentes. Para a construção da paz, exige-se uma visão nova sobre o mundo e sobre cada pessoa.

3. Paulo VI vai aprofundar ainda mais esta preocupação da Igreja pela paz. Nesse sentido, convida todos os responsáveis dos povos a considerarem o dia primeiro de Janeiro de cada ano o Dia Mundial da Paz. Estava-se em 1968, pouco tempo depois da grande crise dos estudantes de Paris. Assim a Igreja respondia àqueles que confundiam a paz apenas com o silêncio das armas. Era necessário educar a humanidade para a paz verdadeira, a paz integral. É esta a tarefa das mensagens da paz que, em cada ano, os Papas enviam a toda a humanidade. São notáveis, alguns dos temas escolhidos:

• A promoção dos Direitos dos Homens, caminho para a paz – 1969

• Educar para a paz, através da reconciliação – 1970

• Cada homem é meu irmão – 1971

• Se queres a paz, trabalha pela justiça – 1972

• A paz é possível – 1973

• A verdade, a força da paz – 1980

• Para servir a paz, respeita a liberdade – 1981
• Diálogo para a paz, um desafio para o nosso tempo – 1983

• Oferece o perdão, recebe a paz – 1997

• A pessoa humana, coração de paz – 2007

• A família humana, caminho de paz – 2008

• Combater a pobreza, construir a paz – 2009

É um conjunto de temas que desafiam a uma educação sistemática a ter por todos os homens, sobretudo os mais responsáveis pelo destino das nações.

4. Neste ano, Bento XVI quer estar perto das grandes preocupações da humanidade. Associa-se por isso aos problemas do ambiente, da ecologia, do respeito pela natureza. O tema do ano é este: “Se quiseres cultivar a paz, preserva a natureza”.

• O respeito pela criação reveste-se de grande importância “porque a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus. A sua salvaguarda torna-se essencial para a convivência pacífica de toda a humanidade.

• O desenvolvimento está intimamente ligado com os deveres que nascem da relação do homem com o ambiente natural que é uma dádiva de Deus para todos.

• A Igreja, não pode ficar indiferente perante as alterações climáticas, a desertificação, a perda de produtividade de inúmeras áreas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento das calamidades naturais e tantas outras coisas.

• Os cristãos têm de acolher os chamados “prófugos ambientais” vítimas da degradação do ambiente onde vivem, e têm também de, quando lhes for possível, ajudar a dar resposta no seu direito à vida, à alimentação, à saúde e ao desenvolvimento.

• Todos os homens e mulheres devem proteger o ambiente e tutelar os recursos e o clima, agindo no respeito por normas bem definidas e tendo em conta a solidariedade devida a quantos vivem na pobreza e a todos os que serão as futuras gerações.

• Uma nova solidariedade é a preocupação do Papa, neste 41º Dia Mundial da Paz.

Nesta mensagem de Bento XVI, há inúmeras referências à responsabilidade dos governantes dos povos. Os cristãos, sem responsabilidades políticas, têm no entanto o dever de poupar energia, de utilizar a água com moderação, ser solidários com os mais pobres e cuidar da limpeza das suas casas, dos seus ambientes, das suas cidades.

5. É diferente, este ano, a proposta para o dia mundial da paz, em que cada um deve recriar a forma de contribuir para a preservação da natureza. Que o fracasso da Cimeira de Copenhaga, não se repercuta na inconsciência das nossas vidas, sem nos preocuparmos com os outros, sobretudo os mais pobres e as novas gerações.

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