A VERDADEIRA ALEGRIA – 12 de Dezembro de 2010

1. Na tradição da Igreja, a meio do Advento, celebra-se o Domingo da Alegria. Porquê falar-se de alegria quando se está ainda em tempo de preparação para o Natal, tempo de silêncio, de reflexão, de análise profunda da própria vida, de conversão, que supõe penitência para a reconciliação verdadeira? Vivendo tudo isto, neste tempo de Advento, os cristãos não podem dispensar-se da alegria verdadeira que lhes vem do nascimento de Jesus, a celebrar no dia de Natal. A alegria do Advento inunda cada um dos gestos de preparação, seja nas orações, nas liturgias, na reconciliação sacramental, seja mesmo na organização da festa de família que supõe tornar a casa mais bonita, ter uma mesa farta, e, porque não, ter uma árvore de Natal com presentes simbólicos, ao pé do presépio que nos mostra Jesus, o grande presente para toda a humanidade. O Advento torna já próxima a pessoa de Jesus e por isso é já tempo de alegria.

2. O mundo de hoje revela porém falsas alegrias, o que obriga os cristãos a redescobrir a verdadeira felicidade que só em Jesus Cristo pode acontecer.

• A alegria não é o barulho ensurdecedor, a gargalhada estridente, a música em altos decibéis, a anedota picante, ou manifestações outras, que podem fazer rir mas não fazem ninguém feliz.

• A alegria não pode estar no regozijo do mal dos outros, na distância sistemática dos mais carenciados e que mais sofrem, na constante fuga aos problemas que exigiriam solidariedade e partilha.

• A alegria não se manifesta no convívio social, que atinge o clímax com o álcool em demasia, com a droga alienante, com o desperdício de refeições inacabadas.

• A alegria não se conforma com os comportamentos de risco, sejam eles de natureza física, moral, psicológica ou social.

A alegria não se identifica nunca com a alienação que desresponsabiliza e descompromete.

Por saber-se que a alegria e a felicidade estão desclassificadas, os cristãos, sobretudo neste tempo de Advento, são convidados a irem à procura da alegria verdadeira.

3. Na proximidade do nascimento de Jesus, que a celebração do Natal representa, os cristãos identificam-se com Cristo, única fonte de alegria verdadeira. Para a comunidade cristã a alegria tem dimensões de rara beleza, que é necessário redescobrir:

• é fruto do Espírito Santo trazendo consigo o amor e a paz. (cf. Gl 5, 22);

• é um dom de Deus, de tal maneira importante, que Paulo repete muitas vezes: “alegrai-vos, digo-vos de novo, alegrai-vos.” (Fl 3, 1);

• tem sinais exteriores como o sorriso, a serenidade e a paz;

• oferece momentos de grande felicidade, perante o mistério da vida, a variedade da cultura, e, sobretudo, as revelações da presença de Deus no mundo;

• cresce no silêncio da contemplação, na simplicidade da súplica, na garantia do perdão, na certeza de um Deus que sabe amar.

Quantas outras coisas poderiam falar da alegria verdadeira que em Cristo tanto se revela na pobreza do presépio como na certeza do sepulcro vazio que afirma ressurreição.

4. O Natal, também este ano convida a viver em alegria. É o Evangelho das Bem-Aventuranças que o pede insistentemente, oferecendo um padrão de felicidade que só em Jesus se pode encontrar: “Felizes mesmo que pobres, felizes até quando se chora, felizes quando se luta pela justiça, felizes quando se é verdadeiro, felizes quando se constrói a paz.” Esta síntese de Jesus no Monte das Bem-Aventuranças foi vivida antecipadamente por quantos prepararam o Natal de Jesus.

• A felicidade de Zacarias, quando o Senhor lhe revelou que na velhice de Isabel ia ter um filho, João, o precursor.

• A felicidade de Maria que depois de conversar com o Arcanjo Gabriel soube dizer a Deus um sim, sem condições.

• A felicidade de Isabel ao admirar-se por vir ter com ela a mãe do seu Senhor.

• A felicidade de Maria e José ao terem um filho numa gruta de Belém onde sentiram a alegria dos pastores.

• A felicidade do velho Simeão e da profetisa Ana por terem tido o dom de ver numa criança, apresentada no templo, o seu Senhor.

• A felicidade dos Magos que vieram de longe, seguindo uma estrela, para adorar o Deus que acabava de nascer.

• A felicidade de João Baptista que ao ver Jesus soube chamar-lhe o Cordeiro de Deus e dizer que Jesus deveria crescer enquanto ele diminuía.

A felicidade de todos estes foi diferente porque centrada em Jesus. Foi também uma felicidade sem limite porque cada um deles, a seu modo, entrava no projecto de Deus.

5. O terceiro domingo do Advento convida os cristãos à alegria verdadeira, para atingir a felicidade a que cada um é chamado. Porém, como não há vidas iguais porque cada projecto de futuro é diferente, é cada um de nós que, centrado em Jesus, pode redescobrir a alegria e recriar a felicidade.

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