(Mt 1, 23)
I LEITURA – Is 7, 10-14
Os inimigos cercam Jerusalém, o rei e os senhores pensam entregar-se; o profeta traz a palavra de esperança e a confiança na vitória.
Leitura do Livro de Isaías
Naqueles dias, o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».
Palavra do Senhor.
SALMO – 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. 7c e 10b)
Refrão: Venha o Senhor: é Ele o rei glorioso.
Ou: O Senhor virá: Ele é o rei da glória.
Do Senhor é a terra e o que nela existe,
o mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas. Refrão
Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso. Refrão
Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu Salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face do Deus de Jacob. Refrão
II LEITURA – Rom 1, 1-7
S. Paulo recorda que Jesus Cristo é o Filho de Deus “prometido nas Sagradas Escituras”.
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por chamamento divino, escolhido para o Evangelho que Deus tinha de antemão prometido pelos profetas nas Sagradas Escrituras, acerca de seu Filho, nascido, segundo a carne, da descendência de David, mas, segundo o Espírito que santifica, constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição de entre os mortos: Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor. Por Ele recebemos a graça e a missão de apóstolo, a fim de levarmos todos os gentios a obedecerem à fé, para honra do seu nome, dos quais fazeis parte também vós, chamados por Jesus Cristo. A todos os que habitam em Roma, amados por Deus e chamados a serem santos, a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Palavra do Senhor.
EVANGELHO – Mt 1, 18-24
Maria, de quem nasceu Jesus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.
Palavra da salvação.
IV DOMINGO DO ADVENTO – Comentários do P.e João Resina (in a Palavra no Tempo II)
Neste domingo antes do Natal, a Igreja contempla Maria, a Virgem Mãe de Jesus.
O Novo Testamento e os primeiros escritores cristãos falam dela com respeito e amor, mantendo ao mesmo tempo uma extrema discrição. Compreenderam que Maria é o sim dado a Deus pela criatura, compreenderam que esse sim a envolve no silêncio da contemplação e do dom. As poucas palavras da sua boca que nos foram transmitidas estão cheias de uma sabedoria serena e humilde. Os textos desta missa são referências de alguma maneira indirectas.
A primeira Leitura tem uma história complicada. No séc.VIII a.C., mal o rei Acaz sobe ao trono de Judá, com 20 anos, os reinos vizinhos aliam-se contra ele e vêm cercar Jerusalém. A cidade entra em desespero, mas o profeta Isaías é enviado por Deus ao rei, a dizer-lhe que não tema: os inimigos não conquistarão a cidade; e a jovem rainha dará à luz um filho, que será um “Emanuel”, “Deus connosco”. Nos quinhentos anos que se seguem, este texto foi lido e relido. E surgiu a esperança de que, um dia, Deus levasse mais longe a promessa: enviasse, não um novo rei, mas o Messias. No séc. II a.C., os judeus de Alexandria traduzem a Bíblia para grego. E escrevem: “Há-de a Virgem conceber e dar à luz um filho, a quem porá o nome de ´Emanuel´.”(Is 7,10-14). Mais duzentos anos, e S. Mateus aplica este texto a Maria.
A segunda leitura é o prólogo da Epístola de S. Paulo aos Romanos: recorda que Cristo é o Filho de Deus “prometido nas Sagradas Escrituras, nascido segundo a carne da descendência de David, constituído, segundo o Espírito Santo, Filho de Deus em todo o seu poder pela ressurreição de entre os mortos.”(Rom 1,2-4). Como na Epístola aos filipenses, S. Paulo sublinha simultaneamente a condição humana de Jesus e a sua filiação divina. Mas a filiação divina fica oculta até ao dia da ressurreição.
O Evangelho é uma segunda Anunciação, feita desta vez a S. José: ”não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo”.(Mt 1,20).
A escolha destes textos não tem como objectivo ensinar-nos algo que ainda não tivéssemos aprendido. É um convite a que aceitemos, nós também, o dom de Deus.
Na civilização ocidental que é a nossa, os homens das últimas décadas do séc.XX deixaram de precisar de Deus; depois fizeram um pouco pior, puseram Deus de acordo com as suas paixões. Hoje cada qual procede como é do seu gosto e opinião (exemplo mais inocente, defrauda a comunidade nos impostos) e continua a ir comungar aos domingos. Nas civilizações orientadas pelo Islão a cegueira é a do fundamentalismo totalitário. Mais a Oriente, o bramanismo e o budismo propõem uma vida justa e austera, mas resistem a confiar num Deus pessoal e bom.
É a este mundo que nós anunciamos o nascimento de Jesus, Filho da Virgem Maria. Aprendemos com ela que o único anúncio que tem força é do amor fiel, humilde, capaz de aceitar a alegria e a cruz. O mundo está saturado de doutrinas e programas, mas está vazio de amor.
Fôssemos nós capazes de, ao menos nestes dias, acolher, perdoar, compreender… Fôssemos nós capazes de ir ao encontro dos que estão sós, dos que estão enrodilhados nos seus desgostos, medos e zangas… Fôssemos capazes de renunciar à nossa sobranceria, orgulho, vaidade – porque Maria e o presépio nos ensinaram a ser de outra maneira! A própria Igreja, tão diferente daquilo que Jesus quis e ensinou … E se, um dia, um Natal, nós mudássemos, entrássemos nos seus caminhos?