MAIS UM ANO – 10 de Janeiro de 2010

1. Com o primeiro de Janeiro, começou o ano de 2010, ano que tem de ser tempo de esperança. No ano passado, a nível internacional e também na gestão da casa comum, em Portugal viveram-se muitos momentos de aflição. Todos falaram da crise e esta foi uma realidade bem visível no nosso viver colectivo. Com a falência de bancos, com a corrupção a invadir os sectores económicos, com a dificuldade em encontrar soluções rápidas, o desemprego atingiu números impensáveis, a situação dos mais pobres agravou-se exponencialmente, muitas empresas faliram e pobres envergonhados começaram a bater às nossas portas. É certo que se criaram “fundos de solidariedade”, mas sempre insuficientes para responder aos problemas mais graves que vão “apanhando” as pessoas. O ano que agora terminou, trouxe à nossa comunidade muitas alegrias, mas também alguns sofrimentos.

• A alegria das famílias que nos trouxeram os filhos pequeninos para receberem o “Baptismo” e que aceitaram aprofundar a própria fé;

• A alegria de tantas crianças a viver a catequese com a preparação para a 1º comunhão e, sobretudo, para o melhor conhecimento de Jesus;

• A alegria dos jovens que se prepararam para receber a “Confirmação” num autêntico catecumenato, ou que se reuniram em grupos para reflectir sobre os fundamentos da fé e os compromissos cristãos, na vida quotidiana;

• A alegria de tantos casais novos que concretizaram o seu sonho de amor, com o sacramento do matrimónio, e aceitaram continuar a encontrar-se para enriquecer de sentido cristão a sua casa;

• A alegria de tantas famílias em crise que foram ajudadas materialmente e, também, receberam ajudas espirituais, para serem capazes de superar todas as dificuldades;

• O sofrimento de tantos ao ver partir pessoas que muito amaram, pais ou filhos, avós ou crianças pequeninas, sofrimento este com o lenitivo da oração e do acompanhamento que ajudou a converter a saudade em razão de esperança;

• O sofrimento de muitos ao sentir a angústia de quantos adoeceram e têm medo de ficar marcados por toda a vida.

É impossível enumerar todas as alegrias e todos os sofrimentos de que a vida de uma comunidade é feita. O que se pretende é que, em 2010, o sofrimento seja menor e a alegria cristã seja a razão de viver.

2. A um ano novo deve corresponder, senão um programa novo, pelo menos um caminho renovado. É isso que se sente na nossa caminhada paroquial: renovar toda a nossa acção pastoral, marcando o ritmo do nosso trabalho com sentimentos de comunhão, no amor, até à unidade. A nossa paróquia tem inúmeros projectos que exigem uma nova organização. O nosso esforço é grande, para respondermos a todos os desafios que a acção pastoral, presente no nosso mundo, nos reclama. Vamos ensaiar um trabalho mais estruturado. São estas as experiências que vamos ensaiar:

• Uma coordenação geral da responsabilidade do pároco, de toda a equipa sacerdotal, da secretaria paroquial e do grupo que se chama secretariado;

• A missão profética, sobretudo ao nível da formação, com as catequistas de infância, de jovens, de adultos, a par de grupos de reflexão cristã, de grupos de acólitos e de grupos de preparação para o Crisma;

• A nível litúrgico, tendo em conta tanto a diversidade de culturas, com as oito Eucaristias dominicais, bem como as celebrações dos baptismos, dos casamentos e mesmo dos ritos a ter nos funerais.

• A missão de acolhimento considerando essencial a recepção das pessoas que nos procuram e os espaços de encontro como o bar, a livraria, o clube de Jovens, a atenção aos enfermos e aos mais velhos que não podem nunca ficar isolados.

• Os serviços de ajuda fraterna, entre as quais estão os roupeiros, os voluntários, as Conferências de S. Vicente de Paulo, para o apoio humano e também o Apostolado da Oração, os grupos revisão de vida, a Legião de Maria e outros.

• A descobrir as outras comunidades, com a preparação do trabalho missionário em Moçambique, no Brasil e noutros lugares.

Tudo isto só é possível com a realização do duplo amor de que fala S. João na sua 1ª Carta: Amando-nos uns aos outros, na certeza de que todo o amor vem de Deus.

3. É claro que este trabalho pastoral em autêntica comunhão supõe uma certa vida comum, como Igreja que somos todos “unidos à cabeça que é Cristo, procurando sempre a defesa e promoção da dignidade humana na liberdade, vivendo e o mandamento do amor em todas as situações, para criar uma comunidade de vida” (cf. L.G. 9).

• Foi esta comunidade que se sentiu feliz ao ver o Padre Lázaro concluir o seu doutoramento em Teologia na Universidade Católica e ao acolher o Padre Arcanjo como colaborador permanente.

• Foi esta comunidade que sofreu e continua a sofrer com o acidente que vitimou o Padre João, inconsciente, na cama de um hospital e sem perspectiva de cura próxima.

• Foi esta comunidade que se alegrou com os muitos sucessos na evangelização, ao atrair tantas crianças, tantos jovens, e tantas famílias.

• É ainda esta comunidade que sente o amor na diversidade, quando tem o benefício de vários carismas (Verbum Dei, Filhas da Caridade, Teresianas, Claretianos, Vicentinos e outros), carismas estes que a enriquecem constantemente.

• É esta a comunidade que vive em permanente comunhão com o seu Bispo, o Cardeal Patriarca, com os padres da vigararia, com os membros de todo o clero neste ano sacerdotal.

4. No início de um novo ano, peço a todos os nossos colaboradores e amigos para construirmos uma comunidade viva, uma comunidade de amor. “Que todos sejamos um só, como Cristo e o Pai são um só” (cf. Jo. 17,20).

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