VÓS SOIS TESTEMUNHAS DO RESSUSCITADO – 17 de Janeiro

1. Todos os anos, entre 18 e 25 de Janeiro, as muitas Igrejas cristãs, celebram a Semana da oração pela Unidade dos Cristãos. Quem conhece os caminhos da história sabe que entre o século IX e o século XI se foi agudizando o grande Cisma do Oriente de que resultou a separação de muitas comunidades cristãs da Igreja, nascendo então a Religião Ortodoxa com inúmeras comunidades autónomas. Mais tarde, no século XVI aconteceram outras separações: Lutero, Calvino e Henrique VIII acabaram por fundar as comunidades vulgarmente chamadas protestantes que, por si, têm depois um número grande de confissões com a sua própria autonomia. As Igrejas cristãs passaram a viver separadas umas das outras. Os cristãos, porém, sentiram a necessidade de rezar pela unidade.

• A Igreja Episcopal (Anglicana) dos E.U.A., em 1908 por iniciativa do reverendo Padre Paul Wattson, lançou a ideia de uma semana mundial de oração, pela unidade dos cristãos.

• Os delegados à Conferência de Edimburgo, membros das sociedades missionárias protestantes encontraram-se durante o Verão de 1910, na capital da Escócia, para ajudar os missionários a criar um espírito comum.

• O Concílio do Vaticano II, promulgando o Decreto sobre o Ecumenismo, em 1964, considerou a oração como a alma do movimento ecuménico e animou a celebração mundial da Semana para a Unidade dos Cristãos.

• O Movimento Ecuménico é hoje um dado adquirido para os cristãos em geral. Basta lembrar o espírito de Assis nascido da reunião interreligiosa de João Paulo II, com 23 líderes de outras tantas religiões.

Esta semana de oração pela unidade dos cristãos é, então, uma oportunidade única para educar as comunidades cristãs, da igreja Católica e de outras Igrejas, no caminho da reconciliação e planear acções ecuménicas, permanentes, na vida de cada uma delas.

2. “Vós sois testemunhas disso…” (Lc. 24) é o tema para este ano 2010, quando se celebra o centenário da Conferência de Edimburgo. No capítulo 24 de S. Lucas, com o episódio dos discípulos de Emaús, que, vendo Cristo Ressuscitado, de imediato quiseram vir ao encontro da comunidade de Jerusalém, de que se haviam separado, faz-se um apelo a que todas as confissões cristãs se reúnam à volta do mesmo Senhor em que acreditam, Jesus Ressuscitado. É que o Senhor é a fonte de comunhão eclesial, de envio para a missão, unidade e, portanto, da contínua necessidade de renovar o compromisso com a unidade cristã. Poderá perguntar-se: testemunhar o quê?

• Testemunhar com a celebração da vida, uma vez que a vida cristã tem valores e expressões que se não encontram em mais parte alguma.

• Testemunhar com a partilha das nossas experiências, pois ser cristão permite experimentar a fé e provocar a ressurreição nas mais diversas situações do quotidiano.

• Testemunhar com a nossa atenção aos outros, quando sabemos que o outro, seja quem for, é sempre uma presença viva de Jesus a quem servimos, a quem amamos.

• Testemunhar com a celebração da fé, sabendo que muitos outros nos precederam na fé e nos desafiam a chegarmos sempre mais longe, no acolhimento, no serviço, na entrega às causas mais nobres da humanidade.

• Testemunhar no sofrimento, porque este constitui um apelo à plena e perfeita comunhão com Cristo na sua paixão, na esperança da ressurreição.

• Testemunhar pela fidelidade às escrituras, porque só a Palavra de Deus é vida, só na Palavra se encontra a mensagem essencial à construção de um mundo novo, mundo de verdade, de justiça, de amor e de paz.

• Testemunhar pela alegria de viver, uma vez que acreditar na ressurreição de Cristo é, também acreditar que é possível vencer as dificuldades e construir, na vida, a Páscoa da Ressurreição.

• Testemunhar pela hospitalidade radical, oferecendo-a e aceitando-a, por saber que as portas abertas é que convertem as solidões em tempo de solidariedade e consolação.

Poderiam ser estes os temas de cada um dos dias da semana da oração pela unidade dos cristãos. A partir deles, cada um pode inventar a melhor maneira de celebrar Cristo ressuscitado de quem importa dar testemunho neste mundo difícil em que vivemos.

3. Se já somos testemunhas, poderemos tornar-nos testemunhas ainda maiores. Encontrei um texto que nos pode dizer como.

• Louvando Aquele que nos dá o dom da vida e a ressurreição (dia 1)

• Sabendo partilhar com outros a história da nossa fé (dia 2)

• Reconhecendo que Deus age em nossas vidas (dia3)

• Dando graças pela fé que temos recebido (dia 4)

• Confessando a vitória de Cristo sobre todo o sofrimento (dia 5)

• Buscando sempre ser mais fieis à Palavra de Deus (dia 6)

• Crescendo na fé, na esperança e na caridade (dia 7)

• Oferecendo hospitalidade e sabendo recebê-la quando nos é oferecida (dia 8)

É um caminho com uma precisão maravilhosa. Em vez de lamentar a divisão dos cristãos, somos convidados a dar testemunho da ressurreição e a chamar todos a ressuscitar de vez com Cristo.

4. Talvez na nossa comunidade possamos fazer uma Semana de Oração diferente. Não com rituais, conferências ou debates, mas com o testemunho das nossas próprias vidas. É um desafio maior.

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