NO DIÁLOGO ENTRE A FÉ E CIÊNCIA – 31 de Janeiro de 2010

1.  Acabo de ter conhecimento de que o tema para reflexão, no dia da Universidade Católica (7 de Fevereiro), é este: “No diálogo entre a Fé e a Ciência”. É um tema do maior interesse, uma vez que muitos considerem incompatíveis Ciência e Fé. Antecipo a reflexão que nos é proposta pela Universidade Católica, com dois documentos notáveis, um do Frei Bento Domingues, no Público de 24 de Janeiro e outro de uma informação recebida por e-mail e que é da autoria de Gabriel García Márquez, prémio Nobel da Literatura, uma carta enviada aos seus amigos.

2. O texto de Bento Domingues, quero que seja uma grande homenagem ao nosso querido Padre João Resina. Diz o autor:

“Entre nós, o Padre João Resina, que foi professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa e investigador do Centro de Física da Matéria Condensada, soube marcar sempre, com muita clareza, a distinção entre o campo da ciência e o da religião. Para este grande espiritual e pouco amante de liturgias farfalhudas, os conflitos entre a ciência e a Igreja católica não se colocaram entre duas verdades em conflito – como às vezes se diz -, mas entre duas maluqueiras. Apetece-me sugerir a edição, em livro, dos seus textos referidos em nota, para leitura dos estudantes de teologia, dos pregadores e dos catequistas. Sem ter em conta que o clima cultural se modificou a partir da prática das ciências, corre-se o risco de criar dificuldades escusadas, no campo religioso, às crianças e aos adultos, que podem ver conflitos onde não existem. Quando dirigia a catequese na paróquia do Campo Grande (Lisboa), o Padre Resina manifestou a sua preocupação antecipadora: que se fale dessas coisas às crianças antes de se falar no liceu; e que se diga que uma coisa é tudo o que vem de Deus, que é a criação, e outra a maneira como o Universo evoluiu e que não tem nada a ver com religião.

Referindo-se às acusações que lhe faziam em nome da Bíblia, o próprio Galileu observava com ironia: ‘A intenção do Espírito Santo é ensinar-nos como se deve ir para o céu e não como vai o céu.’ Sabia que estava a usar a palavra ‘céu’ em sentidos completamente diferentes.”

3.  O texto de García Márquez em carta aos seus amigos, aparece agora na Internet:

“Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapos e me presenteasse com mais algum tempo de vida, eu aproveitaria esse tempo o mais que pudesse.

.Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
.Aos homens eu provaria quão equivocados estão ao pensar que deixam de se enamorar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se enamorar.
.A um menino dar-lhe-ia asas e apenas lhe pediria que aprendesse a voar.
.Aos velhos eu diria que a morte não chega com o fim da vida, mas sim com o esquecimento.

Tantas coisas aprendi convosco homens …

.Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.
.Aprendi que quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, agarrou-o para sempre.
.Aprendi que um homem só tem direito a olhar o outro de cima para baixo, quando está a ajudá-lo a levantar-se.

São tantas coisas as que pude aprender convosco, mas Deus tem-me ensinado o suficiente para continuar até quando Ele desejar.
Sempre existe um amanhã em que a vida nos dá outra oportunidade para fazermos as coisas bem, mas pensando que hoje é tudo o que nos resta, gostaria de dizer-te quanto te quero, que nunca te esquecerei.
O amanhã não está assegurado a ninguém, jovens ou velhos. Hoje, pode ser a última vez que vejas aqueles que amas. Por isso, não esperes mais, fá-lo hoje, porque o amanhã pode não chegar. Senão lamentarás o dia em que não tiveste tempo para um sorriso, um abraço, um beijo e o teres estado muito ocupado para atenderes esse último desejo.
Mantém junto de ti o ouvido o muito que precisas deles, o quanto lhes queres e trata-os bem, aproveita para lhes dizer, ‘perdoa-me’, ‘por favor,’ ‘obrigado’ e todas as palavras de amor que conheces.”

Um comentário: Não sei qual a dimensão religiosa de García Márquez, mas sei que é cristão.

4. No diálogo entre a Ciência e a Fé, temos sempre motivos acrescidos para acreditar em Deus e levarmos a toda a humanidade os valores que, por Cristo em Cristo, Deus nos testemunha. Meu Deus, eu creio!

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