SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ -26 de Dezembro de 2010


«TOMA O MENINO E SUA MÃE E FOGE PARA O EGIPTO» 

                                                                                                  (Mat 2, 13)

 

 I LEITURA – Sir 3, 3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)

O elogio da vida familiar.

Leitura do Livro de Ben-Sirá
Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida e converter-se-á em desconto dos teus pecados.
Palavra do Senhor.

SALMO -127 (128), 1-2.3.4-5 (R. cf. 1)

Refrão: Felizes os que esperam no Senhor
e seguem os seus caminhos.

Ou: Ditosos os que temem o Senhor,
        ditosos os que seguem os seus caminhos.

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem. Refrão

Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa. Refrão

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
todos os dias da tua vida. Refrão

II LEITURA – Col 3, 12-21

A unidade, a harmonia e o amor na vida de familia.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses
Irmãos: Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.
Palavra do Senhor.

ALELUIA – Col 3, 15a.16a

Refrão: Aleluia. Repete-se

Reine em vossos corações a paz de Cristo,
habite em vós a sua palavra. Refrão

EVANGELHO – Lc 2, 41-52

Jesus no meio dos doutores.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.
Palavra da salvação.

SAGRADA FAMÍLIA – Comentários do P.e João Resina (in a Palavra no Tempo II)

            Neste dia a Igreja honra a Família de Nazaré, constituída por José, Maria e Jesus. Mas está sobretudo interessada em que meditemos na importância da família. A família tem evidentemente uma base na Natureza. Ao nascer, o ser humano está mais desprotegido que qualquer cria animal. Não precisa apenas do leite da mãe e de defesa contra os predadores, precisa de muito carinho, tem de aprender a falar e a viver numa cultura.
A família é uma condição necessária. Nós acreditamos que todo o ser humano está chamado a ser filho de Deus. Mas esta vocação não diminui, muito menos destrói, o que acabamos de dizer.
Os seres humanos são capazes de amor e de ódio, de fidelidade e de alheamento, de infinita generosidade e de infinito egoísmo. A segunda Leitura deste missa, tirada da Epístola aos Colossenses (Col 3, 12-21), mostra que o autor tem grande experiência da vida e grande lucidez. Dirige-se a cristãos, e gostaria que todos fossem santos. Mas sabe que nem a esperança na santidade do outro nos pode dispensar de ter paciência, mansidão, capacidade de aceitar os erros e as imperfeições. Talvez tenha já percebido que nós, cristãos, estamos envenenados pela moral, julgamos que conhecemos quais são as obrigações que os outros têm e não cumprem, sentimo-nos lugar-tenentes de Deus, com a obrigação de vigiar e criticar.
Infelizmente, ainda não percebemos que, quando alguém da nossa casa procede mal, não é por falta de doutrina. Pode ser por pura maldade, pode ser porque começou a embirrar connosco, pode ser porque a vida lhe parece sem encanto e vazia, pode ser porque se sente só e sem ajuda . A nossa “doutrinação” não vai ensinar-lhe o que já sabe e não lhe apetece cumprir. Mas vai irritá-lo mais e fazer que se sinta mais só. Aquilo que Deus nos pede não são pregações. Pede-nos que redobremos de paciência, que procuremos nem fazer nem dizer aquilo que magoa, numa palavra, que amemos mais. E como não sabemos como é nem nos apetece procurar, peçamos a ajuda de Deus.
Hoje, o grande inimigo da família é o tempo. Os namorados gostam de passar tempo um com o outro, marido e mulher começam a não ter tempo, nem um para o outro, nem para os filhos (muito menos para os pais, os sogros e os avós). Os horários são exigentes, o emprego é longe de casa, a TV consome o pouco que fica. A pouco e pouco, o outro vai sendo um desconhecido e um estranho. Que admiração se aparecerem então novos conhecimentos…
Esta questão torna-se mais aguda pelo facto de que todos nós vamos evoluindo ao longo da vida. Nesta civilização fervente, a evolução faz-se muito mais depressa do que antigamente. Se marido e mulher não falam (e não têm tempo para falar), cada um evolui segundo a sua própria trajectória, que se vai afastando inexoravelmente da trajectória do outro.
Não temos paciência. Queremos que tudo nos seja servido imediatamente a nosso gosto. Ora um homem e uma mulher precisam de tempo e paciência, generosidade e confiança, para crescerem no encontro. O embevecimento do namoro ou a novidade do dom é apenas o começo. Aqueles que ficaram por aqui não encontraram o tesouro.
Esquecemos que um dos temas grandes do cristianismo é a fidelidade. Na lógica do Evangelho, a fidelidade é um dos dons maiores. Mas a sociedade de consumo ensinou-nos a valorar apenas o que é útil e não dá trabalho. Quando um utensílio não presta, deitamo-lo para o lixo e compramos outro. Fazemos assim com a mulher/o marido, já fazíamos o mesmo com Deus.

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