ANO NOVO – VIDA NOVA – 1 e 2 de Janeiro de 2011

1. A noite da passagem de ano traz sempre consigo um misto de emoção e de saudade: saudade dos momentos belos vividos ao longo do ano que acaba, emoção na expectativa de um tempo novo carregado de surpresas, mas  também de esperança em sonhos que se concretizam e aventuras que nos fazem felizes. Talvez por isso haja muitas formas de celebrar a passagem de ano, marcando nela perspectivas que definem até as nossas opções de vida. Por isso, há quem celebre o “réveillon” em lugares selectos com gente escolhida, e grupo de pessoas iguais. Também há quem viva a passagem de ano no meio da rua com todos aqueles que se juntaram para ouvir os cantores preferidos ou se alegrarem com a multidão em festa. Há, finalmente, uns tantos que preferem a intimidade, o silêncio ou a contemplação, formas excelentes de celebrar ideais que marcam a vida.

• Os grupos selectos encontram-se em clubes que programaram a festa, em casinos previamente escolhidos, em discotecas com óptimos disc jockeys, ou em pequenas tertúlias onde o debate é o mote para a alegria comum.

• A gente simples do povo prefere a praça pública, no meio da vozearia e da música popular, onde não faltam cantores pop e grinaldas de luz lançadas em fogo de artifício.

• Quem prefere a intimidade, resguarda-se no aconchego da família, ou procura o silêncio de um templo, ou uma liturgia simples onde presta culto ao Deus da vida.

Seja qual for a maneira de viver esta noite única, a passagem de ano tem a sua magia que permite a aproximação das pessoas e a partilha da ternura entre todos que se desejam um “Ano Novo muito feliz”.

2. O último dia do ano pode ser um tempo de balanço, pode ser uma oportunidade para repensar a vida. Durante os 365 dias quantas horas de alegria, quantas de realização plena, quantas de sucesso nas iniciativas em que se esteve comprometido! Também quantos momentos de angústia nascidos da surpresa de situações difíceis e da quase incapacidade para resolver problemas delicados. Ao longo dos meses surgiram doenças, desempregos, crises sociais, desajustes familiares, dificuldades económicas, e tantas outras que obrigaram a pensar. As coisas positivas e negativas tornam-se experiência de vida que pode preparar para o ano que agora começa. Vale a pena pensar como foram as diversas situações da vida quotidiana.

• Nas relações familiares, o diálogo conseguido, as tensões superadas, os cansaços vencidos pelo envolvimento do casal e dos filhos no projecto comum que sintetiza a vida;

• No trabalho profissional, a competência necessária, eficácia suficiente, a cordialidade na equipa;

• No convívio com os amigos, o respeito pelo outro, a capacidade de ouvir, o perdão quando necessário, a disponibilidade para servir;

• No exercício da cidadania, o sentido da responsabilidade, a capacidade de ser solidário, a esperança activa para vencer todas as crises;

• No serviço à Igreja e ao mundo, o culto dos valores humano-cristãos, a capacidade de intervenção, a responsabilidade pelo bem-comum;

• Na vida espiritual e religiosa, a relação efectiva com Deus, a oração programada, os tempos de silêncio e de contemplação;

• No viver da esperança, acreditar constantemente que as dificuldades se superam sempre e que Deus é o companheiro de caminho em todas as horas.

Reflectir em cada uma destas perspectivas olhando o ano que passa, vai ajudar a construção de uma vida nova no ano que agora começa. É este um grande desafio para cada cristão que sabe referir-se aos valores do Evangelho em todos os seus comportamentos. Ser cristão é mesmo ser diferente, não por privilégios que se procuram, mas por exigências que se assumem e se vivem.

3. O Dia de Ano Novo pode e deve tornar-se um tempo de compromisso. Há no mundo diversas experiências que apontam para isso. Realizadas ciclicamente constituem um apelo para que o Ano Novo seja melhor.

• A Oração de Taizé: em cada ano dezenas de milhares de jovens reúnem-se numa das mais importantes cidades do mundo para pedir a Deus especiais bênçãos que podem trazer aos homens mais verdade, mais justiça, mais amor e mais paz.

• O Dia Mundial da Paz: desde 1968, por vontade de Paulo VI, a Igreja convida todos os homens de boa vontade, neste dia, a afirmar-se pela paz. Neste ano de 2011 a grande oração de Bento XVI centra-se na não-violência reafirmando que “a liberdade religiosa é caminho para a paz”.

• O Concerto do Ano Novo em Viena: é uma tradição de transmitir através das televisões para muitos milhões de espectadores a música mais bela que o espírito humano soube criar; Mozart, Beethoven, Strauss e tantos outros com a sua arte, anunciam ao mundo a beleza da música que é respiração de Deus.

• As Grandes Liturgias nas catedrais: em todo o mundo conhecido, onde o cristianismo tem lugar, celebram-se liturgias de rara beleza, onde milhares de fiéis suplicam a Deus as maiores bênçãos para o Ano Novo que começa.

• Os ritos familiares: não há família, rica ou pobre, em que pais e filhos, avós e netos, se não juntem para celebrar a alegria da vida de que a família é um sinal perene.

É em todo este envolvimento que todos os homens e mulheres de boa-vontade, com cartões “bonitos”, se desejam Boas Festas e Ano Novo muito feliz. Parecem palavras simples mas escondem uma ternura invulgar de que os homens precisam para acreditarem uns nos outros e se darem as mãos na busca do bem-comum.

4. Novas atitudes num ano que se sabe difícil, é o que se pede aos cristãos ao entrarem em 2011. De facto, há muitos limites de natureza económica, há muitos problemas sociais como o desemprego, o aumento de impostos, o baixar de salários, o agravar de custos na saúde e no ensino, há sobretudo a instabilidade cujo preço não é possível calcular. O que será pedido aos cristãos?

• A austeridade de vida: não há medida para marcar atitudes, mas é cada um que deverá descobrir onde cortar para viver com simplicidade o mesmo estilo de vida de tantos dos seus concidadãos.

• A capacidade de partilha: sabendo o cristão que os bens têm um destino universal, repartir o supérfluo pelos que não têm e pôr ao serviço dos outros alguns bens que não são extremamente necessários, é desafio evangélico, é anúncio de Jesus Cristo.

• A alegria no meio da dificuldade: o exemplo dos santos que sofreram, de tantas formas, a experiência do sacrifício, perante as privações do povo, torna-se modelo para se não perder a alegria fonte da esperança para vencer com espírito novo todas as crises.

• A intensidade da oração: é a altura de forçar o Céu para que venha em auxílio sobretudo dos mais pobres e dos que mais sofrem, ajudando-os com o testemunho dos cristãos no mundo que perdeu a fé e que até na dificuldade se esquece de Deus.

• A esperança activa: quanto mais cada um se envolver em iniciativas concretas, individuais ou organizadas, tanto mais a esperança se converte em vida, e a vida se transforma em alegria no caminho de todos.

Aos cristãos que se sentem ligados à nossa Comunidade Paroquial do Campo Grande, convidando-os a um estilo novo de vida, desejo Feliz Ano Novo, carregado das melhores bênçãos do nosso Deus.

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