III DOMINGO DO TEMPO COMUM – 23 de Janeiro de 2011

“CAMINHANDO AO LONGO DO MAR DA GALILEIA, VIU DOIS IRMÃOS: SIMÂO, CHAMADO PEDRO, E SEU IRMÃO ANDRÉ (…). DISSE-LHES JESUS: «VINDE E SEGUI-ME, E FAREI DE VÓS PESCADORES DE HOMENS».” 

(Mt 4, 18-19)

 I LEITURA – Is 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4)

«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz»

Leitura do Livro de Isaías
Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.
Palavra do Senhor.

SALMO -26 (27), 1.4.13-14 (R. 1a)

Refrão: O Senhor é minha luz e salvação.

Ou: O Senhor me ilumina e me salva.

O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei-de temer?
O Senhor é protector da minha vida:
de quem hei-de ter medo? Refrão

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor
todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário. Refrão

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem confiança e confia no Senhor. Refrão

II LEITURA – 1 Cor 1, 10-13.17

Na Igreja não devem exixtir divisões, rivalidades ou partidos.

Leitura da Primeira Epístola do Apóstolo S. Paulo aos Coríntios
Irmãos: Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir. Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós, que há entre vós quem diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo». Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo que recebestes o Baptismo? Na verdade, Cristo não me enviou para baptizar, mas para anunciar o Evangelho; não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO – Forma longa Mt 4, 12-23

Jesus instala-se em Cafarnaum, escolhe os primeiros apóstolos e começa a pregar.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou». Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus». Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.
Palavra da salvação.

III DOMINGO DO TEMPO COMUM – Comentários do P.e João Resina (in a Palavra no Tempo II)

            A seguir ao baptismo no Jordão, Jesus retira-se para o deserto da Judeia, onde reza, jejua e enfrenta as tentações do demónio. Depois, regressa à sua terra a Galileia. Não se demora em Nazaré e vai morar, em Cafarnaum, na margem noroeste do “mar” da Galileia (o lago de Genesaré, que tem 40 Km de comprimento e e 20 de largura). Cafarnaúm é uma vila de pescadores e agricultores. Como está perto da fronteira e passa por ela “o caminho do mar”, a estrada que do Egipto conduz à Mesopotâmia, tem uma, alfândega, onde trabalham publicanos.
           No séc. VIII a.C., a Assíria tinha-se apoderado desta região. Logo a seguir Isaías anuncia que no “no futuro, o Senhor cobrirá de glória o caminho do mar, a Galileia dos gentios; o o povo que andava nas trevas verá uma grande luz…” (Is 8, 23-9,3, primeira leitura). S. Mateus interpreta Isaías: a grande luz de que ele falava seria a pregação de Jesus.
            “Caminhando na praia, Jesus viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.» E eles deixaram as redes e seguiram-no. Mais adiante, viu outros dois irmãos, Tiago e seu irmão João, os quais com seu pai Zebedeu, consertavam as redes dentro do barco. Chamou-os, e eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no.” Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo (Mat 4,12-23, Evangelho desta missa). Dias depois, “Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto da alfândega, e disse-lhe: «Segue-me» E ele levantou-se e seguiu-o.” (Mat 8,9).
            A segunda Leitura é tirada do 1º Capitulo da I Epistola aos Coríntios. Corinto era uma cidade conhecida pela liberdade de costumes dos seus habitantes. S. Paulo atreve-se a anunciar aqui Jesus Cristo e consegue formar uma comunidade. Aí permanece ano e meio, entre os anos 50 e 52. Mas os coríntios são dificeis. Depois da partida de Paulo, começam a formar capelinhas. Há os rigoristas, que vêem pecado em tudo, e os que começam a viver com outras pessoas da cidade. Desentendem-se na doutrina. Informado do que está a acontecer, S. Paulo escreve-lhes várias cartas, exortando-os a que não façam divisões e explicando com mais vagar o que já lhes tinha ensinado. (Parece que as actuais duas Epístolas aos Coríntios resultam da junção de algumas destas cartas).
            O problema da unidade acompanha a vida da Igreja. Na Última Ceia, Jesus pediu ao Pai por todos os que haviam de acreditar: “que todos sejam um, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti.” (Jo 17, 20-23). Infelizmente, além das pequenas divisões e defecções, houve a grande cisão entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas, consumada no XI, e as crises da Reforma, desencadeada no séc. XVI. Durante séculos, católicos, ortodoxos e protestantes acusaram-se mutuamente de infidelidades à doutrina de Jesus e de cedências aos interesses do mundo. O séc. XX foi um tempo de reaproximação. Os teólogos aplanaram dificuldades doutrinais, as autoridades dialogaram, os cristãos das várias confissões saíram da atitude de condenação e começaram a desejar a unidade com sinceridade e empenho. Entre os dias 18 e 25 de Janeiro de cada ano, todas as Igrejas celebram o oitavário da unidade: tempo de oração e reflexão sobre este problema urgente.

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