A ALEGRIA DA RESSURREIÇÃO – 24 de Abril de 2011

1. Os discípulos estavam desiludidos. Tinham andado com Jesus quase quatro anos, julgavam que Ele seria quem vinha para restaurar o Reino de Israel e, afinal, Ele fora condenado à morte, e à morte na cruz. Judas tinha-O traído, Pedro acabara por negá-l’O, todos os outros haviam fugido. Era a desilusão geral. Depositado no sepulcro de José de Arimateia, a aventura daquele “profeta” tinha chegado ao fim. Mesmo nestas circunstâncias restou a Jesus a ternura das mulheres que, domingo, foram de manhã cedo ao sepulcro para lançarem no túmulo alguns perfumes, a última homenagem que queriam prestar-Lhe. Aconteceu, porém, que o sepulcro estava vazio. A pedra tinha sido rolada, o sudário e as vestes estavam dobradas em cantos diferentes, e, de Jesus não havia notícia. Apareceu-lhes um mensageiro que lhes disse “Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: ressuscitou” (Lc 24, 6).
É então que os seus mais próximos, que haviam perdido a esperança, se aperceberam do grande acontecimento. Ao terceiro dia Jesus ressuscitou, como havia prometido.

Maria julgou que tinham roubado o corpo do Senhor. Perguntou ao jardineiro onde o pusera. E este disse-lhe: “Maria”, ao que ela respondeu: “Rabuni”. Reconheceu que Jesus estava vivo a falar com ela.

Pedro e João correram ao sepulcro e confirmaram o que Maria lhes dissera, indo, logo de seguida, dar aos irmãos a boa notícia de que Jesus estava vivo.

Os onze discípulos reuniram-se no Cenáculo pela tardinha e Jesus entrou para lhes dizer “a paz esteja convosco, recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados estes ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20, 22-23). Com alegria compreenderam que o Reino do perdão e do amor estava a começar.

Os companheiros de Emaús, possuídos de tristeza, nem sequer tinham reconhecido Aquele homem que os acompanhava. Foi à mesa, ao partir do pão, que se deram conta que Ele era o Senhor. Foram, de corrida, juntar-se a todos no Cenáculo, partilhando a certeza da Ressurreição.

Os pescadores de Tiberíades julgavam ver na praia um outro trabalhador da faina. Afinal, João e Pedro, possuídos de esperança, acabaram por ver n’Ele o próprio Jesus, comendo os pães e os peixes assados na brasa, naquela praia diferente.

Os 500 irmãos, no Monte das Oliveiras, escutaram conversas de despedida. A mensagem de Jesus era simples “Não olheis para o céu, olhai antes para o mundo que é urgente salvar”.

Até Saulo, o perseguidor, na estrada de Damasco, foi surpreendido por Jesus Ressuscitado. Ele que não acreditava compreendeu que Jesus estava vivo e mudou radicalmente a sua vida. Tornou-se Apóstolo.

A Ressurreição de Jesus venceu a desilusão dos Apóstolos. No mundo de hoje há imensos homens e mulheres carregados de desilusão. A Ressurreição de Cristo é um grito de esperança, como Cristo ressuscitou tudo e todos vamos ressuscitar.

2. A Ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa fé. Quem lê a Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios encontra um capítulo dedicado à Ressurreição de Jesus. É o capítulo 15. Com uma linguagem muito simples, Paulo interpela aqueles que não acreditam na Ressurreição, dizendo: “Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou, e, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé, a nossa pregação não tem sentido, somos os mais infelizes dos homens”. Paulo acrescenta logo depois “Mas Ele ressuscitou.” De alguma maneira o Apóstolo Paulo quer dissipar todas as nossas dúvidas, por muito grandes que elas sejam. Vale a pena perguntar porque duvidamos tantas vezes. As dúvidas que temos justificam-se. É, porém, necessário ultrapassá-las.

• São fruto da razão que quer explicar tudo, quando há inúmeras coisas que não podem compreender-se senão à luz da fé, da adesão incondicional à Pessoa de Jesus.

São resultado de um ambiente agnóstico e, às vezes, hostil. Os cristãos sofrem imensas pressões que os levam a hesitar mesmo nas verdades essenciais da fé.

São consequência das nossas crises, com inúmeros problemas por resolver, com sofrimento acumulado, que leva a considerar que se foi abandonado por Deus.

São a expressão da nossa atitude espiritual que, em plena oração, se fica perplexo perante o mistério de Deus que transmite um amor que é difícil compreender.

Até os grandes santos tiveram dúvidas. Teresa de Ávila, Teresa de Calcutá, Inácio de Loyola, Francisco Xavier, todos nos revelaram as suas dúvidas, mas em todos prevaleceu sempre a fé na Ressurreição, o fundamento de toda a vida cristã.

3. Os cristãos são-no na medida em que vivem como ressuscitados. A Ressurreição de Cristo invade a vida do cristão. Paulo pôde mesmo dizer “Já não sou eu que vivo, é Ele que vive em mim” (Gl 2, 20), acrescentando mais tarde “O meu viver é Cristo” (cf. Gl 2, 20). Quando acreditamos na Ressurreição a nossa vida está “encharcada” de Cristo, isto é, o Senhor possui-nos com a sua alegria, e permite-nos transmitir aos outros a mesma alegria da Ressurreição. As consequências na vida de todos os dias são maravilhosas:

Somos homens e mulheres de esperança, com a certeza de que nada e ninguém nos pode vencer. Mesmo passando pela provação, somos capazes de a ultrapassar para sentirmo-nos com Cristo verdadeiramente ressuscitados.

Sabemos não estar sós nas nossas dores. Em todas as situações, também na pobreza, na doença, na solidão, o Senhor que é a Vida, dá dimensão nova à nossa própria vida, porque é fonte de alegria constante.

Acreditamos que a morte não é o fim, porque “a vida não acaba apenas se transforma, e desfeita a morada do exílio terrestre adquirimos no Céu uma habitação eterna” (2Cor 5, 1). Como Cristo ressuscitou, todos ressuscitamos.

Participamos já da Ressurreição de Jesus. Em tudo temos capacidade de passar da morte à vida, do pecado à graça, do sofrimento à esperança, da angústia à serenidade e à paz, da perplexidade à alegria sem fronteiras. Tudo isto é ressuscitar.

A grande síntese da vida cristã é a Ressurreição de Jesus. A ela se refere todo o nosso viver humano, seja na família ou na sociedade, no trabalho ou na comunidade cristã, sempre.

4. O Domingo de Páscoa, o dia da alegria geral. A nossa Comunidade Paroquial do Campo Grande acolhe os catecúmenos, baptizados na Vigília Pascal; acompanha os doentes, levando-lhes a casa a imagem do Senhor para beijar; celebra a Eucaristia, o Mistério Pascal por excelência, afirmação da Ressurreição; convida todos à alegria, apesar das dificuldades, das crises, dos problemas de uma sociedade em sofrimento.
Neste Domingo de Páscoa desejamo-nos uns aos outros viver como ressuscitados

Comments are closed.