FOSTE ESCOLHIDO, ESPALHA A PALAVRA – 15 de Maio de 2011

1. Todos os anos, no quarto domingo da Páscoa, se celebra o dia do Bom Pastor e as comunidades cristãs são convidadas a fazer oração pelas vocações sacerdotais e religiosas. Jesus, o Bom Pastor, é o modelo para todos aqueles que de maneira especial se querem entregar ao serviço da Igreja para a evangelização do mundo. A oração é sempre interpelação a Deus, mas a oração pelas vocações é o cumprimento de um pedido que Jesus fez aos cristãos: “A messe é grande, e os operários são poucos; pedi ao Senhor da messe que envie operários para a messe” (Lc 10, 2). É a comunidade cristã que deve fazer da oração um compromisso, uma vez que a oração, que é sempre súplica, se torna, ao pedir as vocações, num compromisso da própria comunidade para nela aparecerem jovens que queiram entregar a vida ao serviço do Reino. Poderá perguntar-se porquê a oração pelas vocações sacerdotais e religiosas:

• Porque são muito poucos os consagrados para irradiar a Palavra que oferece aos homens perspectivas de salvação. São poucos os sacerdotes e a missão é muito vasta; são poucos os religiosos e os serviços a promover são imensos.

• Porque alguns sacerdotes e religiosos deixaram o exercício do ministério ou dos serviços de caridade. Foi sobretudo no após Concílio, na década de 70, que um grande número optou por um caminho diferente, eventualmente ser apenas cristão no coração do mundo. Milhares de sacerdotes deixaram o ministério, o mesmo acontecendo com religiosos.

• Porque muitos se sentem cansados pela idade avançada, pela vastidão da missão, e sobretudo pela mudança da sociedade agora mais difícil de evangelizar.

• Porque os sacerdotes estão muito sós, faltando-lhes muitas vezes o apoio da família, e a ajuda organizada da própria comunidade cristã que servem. A solidão sacerdotal, mesmo no meio do barulho da cidade, é a dificuldade maior que marca o seu caminho de serviço ao povo de Deus.

• Porque a unidade e a comunhão na Igreja, sendo uma exigência fundamental, na prática é muito difícil, quer pela distância institucional do Bispo, quer pela relação fraterna que a distribuição das tarefas torna quase impossível.

Por tudo isto compreende-se a necessidade da oração pelas vocações, não só pedindo muitos e santos sacerdotes e religiosos, como sobretudo comprometendo-se as comunidades a “gerarem” vocações sacerdotais e a apoiá-las com a sua colaboração organizada.

2. A quadragésima oitava semana de oração pelas vocações tem um lema muito aliciante: “Foste escolhido, espalha a Palavra”. É a relação estreita da vocação com a missão profética, indispensável ao anúncio do Evangelho. No Antigo Testamento, os profetas eram chamados por Deus para levarem mensagens aos reis e ao próprio Povo de Israel. No Novo Testamento, os discípulos são enviados por Jesus para “dar a Boa Nova aos pobres, a liberdade aos cativos, a alegria a todos os que sofrem” (cf. Lc 4, 18-19). Vocação e missão estão sempre ligadas.

• A escolha de Deus revela-se de muitas maneiras. É cada um que deve disponibilizar-se para ouvir a voz de Deus e não fechar o coração. Esta chamada de Deus é a vocação.

• Cada cristão deve saber dizer sim aos projectos de Deus. A vocação pode acontecer a qualquer hora; jovem ou mais velho, se Deus chama ao sacerdócio ou consagração religiosa, cada um é convidado a dizer sim, apesar das muitas dificuldades que possa encontrar pelo caminho.

• A missão a que alguém é chamado constitui um apelo à generosidade, para perseguir um projecto de vida. “Senhor que queres que eu faça?” (Act 22, 10). Este grito de S. Paulo é o modelo da resposta à chamada de Deus. Se o convite é um apelo à consagração, no sacerdócio ou na vida religiosa, é preciso não ter medo de arriscar, porque “a messe é grande e os operários são poucos”.

• O serviço da Igreja pede o anúncio da Palavra.”Ai de mim se não evangelizar” (1Cor 9, 16), dizia S. Paulo. A Palavra de Deus na acção profética da Igreja é luz para a vida, alimento de oração, forma da comunidade e sentido de missão.

• Chamados por Deus, os consagrados “espalham a Palavra” como forma privilegiada de evangelização. Ser ministro da Palavra é o essencial da vocação sacerdotal e religiosa. Todos os consagrados o são para dar a Boa Nova a todos nos lugares onde exercem a sua actividade pastoral.

• A purificação da linguagem e a sua adaptação aos homens do nosso tempo é o maior desafio feito aos sacerdotes e religiosos que anunciam o Evangelho. Se são escolhidos para espalhar a Palavra, então, como na parábola do semeador, devem transformar em terra boa aqueles a quem oferecem o Evangelho.

Na semana da oração pelas vocações deve pedir-se ao Senhor da messe que escolha muitos dos nossos jovens para o serviço da Igreja e do mundo. Precisam-se sacerdotes, religiosos que venham substituir aqueles que, já cansados, continuam a ser o suporte das comunidades cristãs. Esta oração tem que ser eficaz. Foi Jesus que o disse: “Pedi e recebereis; buscai e achareis (Mt 7, 7).

3. Propor as vocações às comunidades locais, é esta a ideia fundamental da mensagem de Bento XVI por ocasião da semana das vocações. A Paróquia é uma comunidade local. Nela há muitas vocações. Se o laicado tem a responsabilidade de “tratar da ordem temporal e orientá-la segundo Deus para que progrida” (LG 31), os sacerdotes dedicam-se ao ministério da Palavra e à celebração da Eucaristia, administrando também outros Sacramentos. Os religiosos fazem parte da comunidade, sendo nela, pelo exercício da caridade, o sinal privilegiado da alegria pascal. Na semana das vocações, não se esquecem os leigos, também eles vocacionados. Porque, porém, a grande dificuldade está na vocação sacerdotal e religiosa, a comunidade não pode ser indiferente. À oração deve corresponder um compromisso:

• Para que os jovens não tenham medo de se questionar sobre a vocação sacerdotal e religiosa; esta vocação, sendo um convite, ao “serviço” é fonte inesgotável de felicidade.

• Para que as famílias, embora com poucos filhos, acompanhem as vocações que nelas possam surgir; um filho que se consagra ao sacerdócio ou à vida religiosa é um dom de Deus que o faz sempre mais perto dos pais e dos irmãos para os ajudar a ser felizes.

• Para que os catequistas e os animadores de grupos nas diversas etapas da iniciação à vida cristã ajudem as crianças, os adolescentes e os jovens a descobrirem a beleza da vocação apaixonando-se desde pequeninos pela possível entrega ao sacerdócio ou à vida religiosa.

• Para que os acólitos, ao servirem o altar na Eucaristia, sintam que também eles podem um dia vir a presidir à comunidade consagrando o pão e o vinho, transformando-os no Corpo e Sangue de Jesus.

• Para que toda a comunidade esteja disponível para apoiar de todas as formas as vocações sacerdotais e religiosas que nela podem acontecer.

O dia da oração pelas vocações é sem dúvida um dos dias mais importantes na vida de uma comunidade cristã. Desta oração depende o seu futuro com a presença viva de sacerdotes e religiosos.

4. A comunidade cristã do Campo Grande tem sido servida por sacerdotes que, vindo de fora, nos acompanham com enorme generosidade. Recorda-se o Padre Jimmy (Grã Bretanha), o Padre Lázaro (Moçambique), o Padre Ernesto (Lisboa). Estão connosco o Padre Arcanjo (Moçambique) e o Padre Joaquim (Angola). Sem estes sacerdotes que nos chegam de fora não poderíamos viver a acção intensa que desenvolvemos na Comunidade Paroquial do Campo Grande. A Paróquia só é comunidade viva se gera vidas para a consagração no sacerdócio e na vida religiosa. Serão esses futuros consagrados os continuadores da nossa missão.
Justifica-se uma oração intensa pelas vocações sacerdotais e religiosas.

Comments are closed.