ESCOLHE A VIDA E VIVERÁS – 22 de Maio de 2011

1. Foi no pontificado de João Paulo II que as comunidades cristãs começaram a celebrar, na terceira semana de Maio, “a semana da vida”. A inspiração veio da Encíclica “O Evangelho da Vida”, que João Paulo II escreveu depois de ter ouvido todas as Conferências Episcopais e inúmeros peritos de várias disciplinas. Todo este trabalho teve como ponto de partida um conceito que a Igreja consagrou: “defender e promover a vida desde a concepção até à morte natural”. Todos os cristãos sabem que a vida é um dom de Deus, recebido gratuitamente, e que é necessário amar para pô-la incondicionalmente ao serviço dos outros. Ninguém é proprietário da sua vida, mas todos têm o dever de a tornar fecunda nas perspectivas que a definem como “complexo bio-psico-social-cultural-espiritual e religioso”. Se a vida assim é um direito, ela é também, para cada um, um dever. Foi isto que, de uma maneira extraordinária, João Paulo II propôs aos crentes. Ele é um Apóstolo da vida.

. O milagre da vida: foi em 13 de Maio de 1981 que a vida de João Paulo II foi protegida por Deus sob a influência de Maria. Uma mão disparou a bala, outra mão a desviou. Expressão lindíssima do Papa para explicar o inexplicável.

. A antropologia ao serviço da vida: nos três primeiros anos do seu pontificado, todas as quartasfeiras, a catequese do Papa era sobre a vida, a dignidade do corpo, a sexualidade e a afectividade humanas, a beleza da família.

. A cultura da vida: este é o tema preferencial de João Paulo II, que lutou contra uma certa cultura da morte que ensombra a sociedade na Europa e no mundo, na ciência e no viver comum dos homens.

. A vida na família cristã: em Exortação Pastoral da maior densidade, a família é definida como comunidade de pessoas ao serviço da vida, como Igreja doméstica, comunidade crente e evangelizadora, como fonte de felicidade verdadeira.

. A Academia da Vida: foi esta a estrutura científica que João Paulo II criou para estudar todos os problemas que ao mistério da vida se referem.

. A Pastoral da Saúde: é o Conselho Pontifício instituído por João Paulo II para proporcionar a todos mais vida e vida com mais qualidade.

Por tudo isto se compreende que o Papa João Paulo II tenha dedicado à defesa e à promoção da vida grande parte do seu pontificado, razão por que a semana da vida de 2011 esteja centrada no pensamento deste grande Papa e tenha como lema “escolhe a vida e viverás”.

2. A proposta da Conferência Episcopal para a semana da vida de 2011 conduz à descoberta do sentido da vida. Em última análise saber como vivo, onde vivo, por que quero viver. A síntese de tudo isto está no slogan que nos é proposto: “escolhe a Vida e viverás”. Não é difícil o desenvolvimento deste tema, sabendo-se que a vida é um dom e um mistério. Dom que nos é oferecido por Deus, mistério que em cada pormenor muitas vezes não somos capazes de entender.

. Escolher a vida é acolhê-la, respeitá-la e amá-la. Esta escolha não se esgota na aceitação da vida de um pequenino por nascer, mas implica o acompanhamento da vida como expressão máxima do amor indispensável à felicidade.

. Escolher a vida é cuidá-la em todas as suas fases, o que supõe educar para a saúde, promover a saúde, prevenir as doenças, e manter sempre um grande equilíbrio em todos os aspectos do viver.

. Escolher a vida é descobrir a alegria de viver e de ser amado. Ninguém sobrevive sozinho. Amar e ser amado é condição para a alegria geral. Faz as pessoas felizes. Tudo isso implica o dar e receber sem o que não há a partilha essencial à vida verdadeira.

. Escolher a vida é vivê-la na lógica do dom. Já Paulo dizia: “recebeste de graça, dá de graça”. A vida, dom gratuito, convida à dádiva de tudo aos outros para que de mãos dadas se construa um viver feliz.

. Escolher a vida é pedir e oferecer perdão. Se na roda dos dias podem surgir ofensas, usar de misericórdia e de perdão é o privilégio dos que aprenderam a viver. A vida não pertence egoisticamente a cada um. A vida oferece-se para o bem de todos.

. Escolher a vida é solidarizar-se com ela. Ser solidário é condição indispensável para servir o bem comum. A solidariedade permite levar com alegria o peso dos outros e a carga torna-se mais leve para todos. Repartir é uma forma eminente de ser solidário.

. Escolher a vida é abri-la ao amor maior. O amor por excelência só se encontra em Deus, porque “Ele é amor”. Abrir o coração ao dom de Deus é sublimar a própria vida, tornando-se cada um capaz de ser de verdade filho de Deus.

São estas as linhas de força sugeridas pela Conferência Episcopal para a semana da vida. Este é um programa que pode renovar profundamente a vida de cada um. Porque não reflectir cada um destes itens e verificar como se aplicam, ou não, às nossas vidas?

3. A Pastoral da Vida é transversal. Faz parte da Pastoral Familiar porque é na família que a vida nasce, cresce e se desenvolve; faz parte da Pastoral Catequética porque é necessária à iniciação da vida cristã; faz parte da Pastoral Social porque não se pode pregar a estômagos vazios; faz parte da Pastoral da Saúde porque é preciso que se tenha vida em abundância; faz parte de todo o projecto de salvação que a Igreja persegue, ensaia e realiza em plenitude. Poderá então perguntar-se como viver na Paróquia do Campo Grande a Pastoral da Vida. Sugerem-se algumas linhas de acção a explorar futuramente:

. Educar para a vida supõe transmitir valores, afirmar direitos e deveres, centrar toda a vida na Pessoa de Jesus Ressuscitado para que todos tenham vida e a tenham em abundância.

. Defender a própria vida implica comportamentos que não prejudiquem a saúde e o equilíbrio pessoal e que não cultivem o egoísmo, processo estranho de comprometer a vida dos outros.

. Promover a mais vida junto dos que sofrem, o que acontece quando se cuida dos doentes, dos idosos, dos sem-abrigo, ou, simplesmente, quando se dá pão a quem tem fome ou se ajudam as pessoas a crescerem tornando-se independentes.

. Aprender a transmitir responsavelmente a vida através da constituição de uma família, onde a vida nasce, cresce e se desenvolve, para felicidade de todos, pais, filhos e avós.

. Aprender a viver até ao fim com serenidade, sem medo da morte, com a certeza de que “a vida não acaba apenas se transforma e, desfeita a tenda do exílio terrestre, se adquire no céu uma habitação eterna” (cf. 2 Cor 5, 1-2).

Em todos os projectos da Paróquia deve estar presente a Pastoral da Vida, com a vida alicerçada na fé e celebrada com felicidade em todas as situações.

4. Que neste domingo, em que a Igreja celebra a vida, possa cada cristão agradecer a Deus a vida que lhe concedeu. E propor-se crescer com uma vida em qualidade, sabendo que a qualidade verdadeira implica relações interpessoais, espirituais e mesmo sobrenaturais (cf. EV 23). Que a vida de Cristo Ressuscitado seja para cada um fonte de alegria e de paz.

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