ASCENSÃO DO SENHOR-01 de Junho de 2014

«IDE E ENSINAI TODAS AS NAÇÕES,

BAPTIZANDO-AS EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO,

ENSINANDO-AS A CUMPRIR TUDO O QUE VOS MANDEI.»
                                                                                    (Mt 28, 19-20)

I LEITURA – Actos 1, 1-11  

Depois da Ascensão do Senhor a Igreja manifesta a presença de Jesus entre os homens, até que Ele venha de novo, no fim dos tempos.

Leitura dos Actos dos Apóstolos
No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
Palavra do Senhor.

SALMO – 46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R. 6)

Refrão: Por entre aclamações e ao som da trombeta,
ergue-Se Deus, o Senhor. Repete-se
Ou: Ergue-Se Deus, o Senhor,
em júbilo e ao som da trombeta. Repete-se

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra. Refrão

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai. Refrão

Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado. Refrão

II LEITURA – Ef 1, 17-23

«Colocou-O à sua direita nos Céus»

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios
Irmãos: O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.
Palavra do Senhor.

ALELUIA – Mt 28, 19a.20b

Refrão: Aleluia.  Repete-se

Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor:
Eu estou sempre convosco
até ao fim dos tempos.  Refrão

EVANGELHO – Mt 28, 16-20

Jesus aparece pela última vez aos seus Apóstolos e envia-os a percorrer os caminhos do mundo, para que a sua presença possa chegar a todos os homens.

Conclusão do santo Evangelho segundo São Mateus
Naquele tempo, os Onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».
Palavra da salvação.

ASCENSÃO DO SENHOR Comentários do Pe. João Resina in A Palavra no Tempo II

            O dia da Ascensão significa o remate da missão de Jesus neste mundo, a sua despedida dos discípulos, a entrada na glória junto do Pai.
Pela vinda de Jesus à Terra, fomos salvos dos nossos pecados, fomos tornados filhos de Deus, recebemos o dom da vida eterna, aprendemos que Deus é bom. Aprendemos ainda que Deus quer que o mundo encontre o caminho da paz e da justiça, mas quer que isso seja feito através de nós.
Nunca será demais insistir em que Jesus tem um ensino profundamente revolucionário a respeito de quem é Deus e de como deve ser a nossa relação com Ele. Os antigos viam Deus como o soberano supremo, cioso das suas leis e da ordem, exigindo um culto esplendoroso, pronto a castigar todas as infracções, fiscalizando com minúcia todos os nossos actos e desejos, deleitando-se com a obediência servil, apostado em reduzir os homens à condição de meninos bem comportados, distribuindo benesses a quem lhe fizesse a corte. Jesus diz que Deus é o Pai que nos ama como os pais amam os filhos: ensina-nos a caminhar na verdade, na liberdade e na generosidade; perdoa e mantém a confiança se um de nós se afasta e depois regressa; faz-nos compreender que, sendo todos seus filhos, somos irmãos uns dos outros; diz-nos que “amar a Deus sobre todas as coisas” não pode ser separado de “amar o próximo como a si mesmo”. O desejo do Pai não é que os homens sejam meninos bem comportados, é que cada um dos homens seja fiel na liberdade.
Para cumprir este projecto, o Pai enviou à Terra o seu Filho. Jesus ensinou-nos pela palavra e, sobretudo, pelo exemplo. Foi fiel até ao fim, não recuou ante a perspectiva da cruz. Na Última Ceia, Jesus teve a palavra que à primeira vista nos espanta, mas logo entendemos: “Para vós é bom que Eu parta” (Jo 16,7). Se o Senhor não regressasse ao Céu, ficaríamos sempre na dependência das suas instruções e conselhos. Partir era entregar-nos a nós mesmos. Creio que nós, os homens do aparelho da Igreja, devemos meditar muito nesta palavra. Sem dúvida, os cristãos precisam de que nós lhes transmitamos fielmente o Evangelho. Podem precisar das nossas exortações, bom seria que vissem em nós exemplo de fidelidade ao Senhor. Mas é importante que nunca tratemos os homens como crianças, nunca queiramos cercear-lhes a liberdade a pretexto de que podem enganar-se. Eles e nós temos de ser adultos.
A primeira leitura desta missa é tirada dos Actos dos Apóstolos (Act 1, 1-11). O Autor – certamente S.Lucas – faz começar a vida da primeira comunidade cristã com a despedida do Senhor. Alguns discípulos, que continuavam a sonhar com o reino de Deus neste mundo, perguntam-Lhe quando é que esse reino vai começar. Jesus nem se mostra triste com a incompreensão que revelam. Limita-se a dizer-lhes que espera que eles sejam suas testemunhas dali até aos confins da terra. E estando todos a olhar para o Céu, aparecem dois anjos a recordar-lhes que têm de olhar para a terra.
A segunda leitura (Efes 1,17-23) completa esta perspectiva recordando que a esperança a que estamos chamados não se confina a este mundo. Somos integrados na caminhada de Cristo, que, tendo passado pela cruz, foi ressuscitado pelo Pai e por Ele sentado à sua direita no Céu.
O Evangelho (Mat 28, 16-20) é ainda a despedida do Senhor: “Ide, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a cumprir tudo o que vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos”. O Evangelho tem de ser anunciado, lembrava um texto do Domingo passado, “com brandura e respeito”. Mas, com brandura e respeito, tem de ser anunciado a todos os homens e a todas as culturas.

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