“OS CONVIDADOS NÃO QUISERAM VIR….
O REI DISSE ENTÃO AOS SERVOS:
IDE ÀS ENCRUZILHADAS DOS CAMINHOS
E CONVIDAI PARA AS BODAS TODOS OS QUE ENCONTRARDES.”
(Mt 22, 7-9)
I LEITURA – Is 25, 6-10a
«O Senhor do Universo há-de preparar um banquete e enxugará as lágrimas de todas as faces»
Leitura do Livro de Isaías
Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte».
Palavra do Senhor.
SALMO – 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 6cd)
Refrão: Habitarei para sempre na casa do Senhor. Repete-se
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma. Refrão
Ele me guia por sendas direitas
por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo
me enchem de confiança. Refrão
Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda. Refrão
A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre. Refrão
II LEITURA – Filip 4, 12-14.19-20
S. Paulo recebe na prisão ajuda económica dos cristãos de Filipos. Na resposta ao mesmo tempo que agradece a oferta, afirma que em Cristo encontra toda a sua força.
Leitura da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Filipenses
Irmãos: Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. Tudo posso n’Aquele que me conforta. No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos. Amen.
Palavra do Senhor.
ALELUIA – cf. Ef 1, 17-18
Refrão: Aleluia. Repete-se
Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo
ilumine os olhos do nosso coração,
para sabermos a que esperança fomos chamados. Refrão
EVANGELHO – Forma longa – Mt 22, 1-14
O Reino de Deus é semelhante a um banquete de festa. Havia os convidados naturais, os familiares do Rei – os judeus; eles náo quiseram vir; e o Rei mandou chamar todos os homens, ricos e pobres, maus e bons, para o encontro na alegria.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus
Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’. Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».
Palavra da salvação.
EVANGELHO – Forma breve – Mt 22, 1-10
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus
Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto: Vinde às bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados».
Palavra da salvação.
XXVIII DOM TEMPO COMUM – CHAMADOS PARA O BANQUETE
A refeição faz parte dos rituais sociais. Quando se quer fazer uma festa, um aniversário, um casamento, um baptizado serve-se sempre uma refeição que pode ser um jantar, um lanche ou um simples cocktail. É claro que o importante na refeição não está no que se come, mas na amizade que se partilha. É por isso que não se convidam pessoas com quem haja dificuldades nas relações humanas. A liturgia de hoje gira toda à volta do banquete, expressão da relação do homem com Deus. É o rei que prepara um banquete para o filho e convida os mais íntimos, é Isaías que fala de um banquete preparado por Deus para todos os que viverão com Ele na eternidade e é, até, Paulo que confia em Deus para nada lhe faltar enquanto anuncia a Boa Nova do Evangelho.
É muito bonita esta dinâmica do banquete. Significa a comunhão com Deus e com todos os irmãos. Exige convites a que se deve corresponder com generosidade, supõe uma preparação significada na ideia da veste nupcial. Afirma, porém, sempre a liberdade, porque qualquer pode recusar o convite que lhe é feito. Às vezes a recusa tem razões que podem justificá-la, outras vezes utilizam-se apenas pretextos para recusar o convívio de amizade que a refeição supõe. Há uma diferença profunda entre um banquete promovido nas circunstâncias humanas e o grande banquete para o qual o Senhor a todos quer chamar.
Na página do Evangelho há quem recuse o convite, mas o rei acaba por convidar a todos os que “estão pelos caminhos”, seja qual for a sua circunstância. É a vocação universal, à comunhão com Deus, por Cristo, “o Filho do Rei”.
Há uma circunstância, no entanto, é que todos os chamados, quem quer que sejam têm que ter a veste nupcial, isto é, têm que ter o coração purificado.
No contexto da Liturgia está-se perante três banquetes: o banquete profético de Isaías que tem o selo da vitória sobre a morte; o banquete oferecido pelo rei, que também profeticamente revela a comunhão com Cristo na comunidade cristã, e o banquete eucarístico que é um suporte em todas as situações da vida. Talvez por isso, Paulo aos Filipenses tenha dito: “Tudo posso n’Aquele que me dá força”. A Eucaristia é o melhor alimento que o Senhor nos pode dar.
Out. de 2014
CONVIDADOS PARA O BANQUETE
A ideia do banquete para o qual Deus convida todos os homens é a nota dominante da liturgia de hoje. O Evangelho refere o grande senhor que convidou muitos para as bodas do seu filho e que teve imensas recusas pelas razões mais diversas. Então, mandou os servos pelas ruas a trazerem consigo todos os que encontrassem. É a chamada de Deus que não exclui ninguém (Evangelho). Já Isaías falara do banquete oferecido por Deus a toda a humanidade, com suculentos manjares, como expressão da salvação definitiva a que todos são chamados (1ª leitura). Finalmente, na carta aos Filipenses, Paulo vem dizer que a nossa força reside em Jesus Cristo, qualquer que seja a situação em que se encontra. Expressão extremamente bela de Paulo, “tudo posso n’Aquele que me dá força” (Fil 4, 13).
1. Escolhidos para o banquete
O Evangelho põe em confronto a decisão de Deus e a resposta do homem. Deus quer que todos sejam salvos, por isso escolhe a todos para o banquete, o banquete da salvação, as bodas do seu Filho. O homem responde com as suas conveniências. O mais importante não é o projecto de Deus, é o seu projecto e, por isso, invoca razões para não aceitar estar no banquete. Pretextos são um negócio, um compromisso ou um convite já aceite. Estas expressões do Evangelho são reveladoras das desculpas que o homem encontra para não seguir o projecto de Deus. Deus porém, não exclui ninguém e, simbolicamente, os seus servos vão por todos os caminhos para trazerem consigo quantos encontrarem. Curiosamente, mesmo perante tanta generosidade, há sempre alguém que não põe a “veste nupcial”, isto é, que não aceita o projecto de Deus na sua totalidade. A terminar esta leitura fica uma expressão paradigmática: “muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos” (Mt 22, 14).
2. Um banquete de manjares suculentos
É muito bonita esta página de Isaías, uma vez que Deus não exclui ninguém na sua chamada para a felicidade eterna. É a primeira vez, no A. Testamento, que se fala de ressurreição. Deus destruirá a morte para sempre, enxugará as lágrimas e vencerá as opressões. Pela imagem do banquete, Isaías descreve a vida a viver depois da morte e a garantia está em Deus de quem se espera a salvação. O profeta termina com um grito de alegria “rejubilemos porque o Senhor nos salvou”.
3. Tudo posso n’Aquele que me dá força
Esta expressão do apóstolo Paulo pode ter duas interpretações: Aquele que me conforta ou Aquele que me dá força. Confortar tem uma carga passiva, sabendo que Deus está perto e apaga as nossas mágoas. Dar força implica receber a coragem suficiente para intervir na história e a modificar segundo o projecto de Deus. Talvez por isso, na continuação da leitura, Paulo chegue a dizer que tanto vive na pobreza como na abundância. Quem lhe dá força para prosseguir é sempre o Senhor. Deus não falta nunca e os irmãos da comunidade também tomam parte na aflição de Paulo. Assim, todos participam, à sua maneira, no banquete.
Set de 2011
Monsenhor Vítor Feytor Pinto (in Revista Liturgia Diária, ed. Paulus)