A SEMANA DOS SEMINÁRIOS – ORAÇÃO E PARTILHA – 6 Novembro de 2011

1. Não há sacerdote que não recorde com ternura o tempo vivido no seminário. Foi ali que o padre se formou para exercer ao longo da vida o ministério sacerdotal. Muitos entraram no seminário com 10 ou 11 anos, alguns foram para o seminário depois de completados os cursos universitários, mas todos encontraram nessas escolas a formação necessária para serem sacerdotes ao serviço da Igreja e do Mundo. É certo que um grande número de jovens passou pelo seminário não completando ali os seus estudos, por terem descoberto não ser o sacerdócio a sua vocação. Também estes encontraram no seminário os grandes valores que os formaram para a vida. Todos eles completaram noutros lugares os seus estudos, enveredaram pelas mais diversas profissões, criaram novas formas de vida, mas mantiveram uma relação de saudade com o seminário que os formou. Mesmo algumas vozes críticas como a de Virgílio Ferreira, no seu romance “Manhã Submersa”, não deixam de reconhecer como foi importante para si a passagem pelo seminário. Todos, sacerdotes ou não, aprenderam nos bancos do seminário inúmeras disciplinas indispensáveis ao crescimento na ciência, conheceram muitos amigos, professores e alunos, que os iniciaram numa convivência sã, e até descobriram o mistério de Deus, referência última para todos os caminhos da vida.

2. Todos os anos em Novembro, a Igreja celebra a Semana dos Seminários. É um tempo de oração e de partilha. Pela oração, pede-se a Deus mais vocações sacerdotais. Pela partilha, ajudam-se muitos jovens a quem a bolsa de estudos permite uma formação completa, que as suas posses económicas não comportariam. Depois do Concílio Vaticano II os Seminários, casas de formação sacerdotal, sofreram grandes mudanças.

• Até ao Vaticano II a formação dos sacerdotes tinha 3 tempos: as humanidades, a filosofia e a teologia. As humanidades davam-se em 5 anos no Seminário Menor; a filosofia e a teologia estudavam-se ao longo de 7 anos no Seminário Maior.

• Depois do Concílio Vat. II, os seminários passaram por uma grande crise. Com o esvaziamento dos Seminários Menores, uma vez que a escolaridade se tornou obrigatória, as crianças não precisavam de ir para o seminário dado que, já havia escolas próximas. Por outro lado, os Seminários Maiores sofreram o balanço do Concílio e muitos jovens, já perto do sacerdócio, partiram.

• A Igreja repensou, então, a formação sacerdotal que, a pouco e pouco, se estruturou em três tempos: pré-seminário, com o apoio dos jovens junto das suas famílias; o Seminário Vocacional, tempo de discernimento sobre a vocação sacerdotal; e o Seminário Pastoral ligado à Universidade Católica para os estudos teológicos e às comunidades paroquiais para a experiência pastoral.

• O Patriarcado de Lisboa tem então, três grandes espaços de formação sacerdotal: o Seminário de Penafirme, ligado ao pré-Seminário; o Seminário de S. José de Caparide, para o aprofundamento da vocação sacerdotal e o Seminário de Cristo Rei dos Olivais, para a formação integral dos futuros sacerdotes.São estes três Seminários que merecem a nossa oração e a nossa partilha. Dizia-se no passado que os Seminários eram “a menina dos olhos” do Bispo, uma vez que deles dependia o futuro do sacerdócio na Diocese. Amar os seminários porém, não é apenas o sentir do Bispo, deve ser antes, o pulsar de toda a Diocese, consciente de que sem formação sacerdotal não há sacerdotes que apoiem e animem as comunidades cristãs.

3. Neste ano de 2011 há um tema para a semana dos seminários: “Formar pastores consagrados totalmente a Deus e ao seu povo”. Este slogan é extremamente exigente, uma vez que revela o objectivo dos seminários e a sua responsabilidade no futuro de toda a sua acção pastoral.

• Formar pastores: na formação dos sacerdotes pode haver a tentação da formação académica, da formação técnica, da formação em gestão. O essencial porém, da formação sacerdotal, está em gerar pastores, iguais a Cristo, o Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas, que as guia, que vai à sua frente, que recolhe a que se perdeu. É a formação de sacerdotes pastores o objectivo da nossa oração.

• Consagrados totalmente: a entrega total à aventura sacerdotal, impõe-se ao padre que centra a sua vida na Pessoa de Jesus Cristo, dedicando-a totalmente ao anúncio do Evangelho, ao atendimento de quem o procura, ao cuidado com os mais pobres, à dádiva do perdão e à celebração da Eucaristia.

• Ao serviço de Deus e do seu povo: este é o duplo mandamento que Jesus deixou a todos os cristãos, “Amar a Deus e amar os irmãos”. Esta missão, porém, deve ser vivida com toda a paixão, o que não seria possível sem uma formação sólida recebida no Seminário, experimentada nas comunidades e vivida na pastoral de todos os dias.

A proposta para a Semana dos Seminários contempla catequeses para crianças e para jovens, catequeses para as famílias e para as escolas, catequeses para as comunidades cristãs. É que ninguém pode ficar indiferente à urgência da oração e da partilha pelos seminários.

4. A Paróquia do Campo Grande tem o dever de se envolver fortemente na Pastoral das Vocações Sacerdotais. O caminho para esta acção pastoral é sem dúvida a formação das famílias para que peçam a Deus a vocação sacerdotal dos seus filhos; é também a integração de projectos vocacionais na catequese das crianças e na formação dos grupos de jovens; é ainda, o apoio aos universitários e aos jovens trabalhadores com o discernimento sobre a sua vocação para que, se chamados por Deus, não tenham medo de arriscar a vida consagrando-se totalmente a Jesus Cristo Sacerdote.
“Senhor dá-nos muitos e santos sacerdotes.”

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