EM ORAÇÃO – À ESPERA DO SALVADOR – 18 de Dezembro de 2011

1. O tempo do Advento é também tempo de oração, de diálogo com o Menino Deus que vai nascer. Se todas as mães podem conversar com o seu filho, antes do seu nascimento, revelando-lhe muito afecto e ternura, chamando até pelo nome, também Nossa Senhora terá conversado muitas vezes com o Menino Jesus, louvando a sua vinda ao mundo. Se todos os pais agradecem a Deus o dom dos filhos, pedindo para eles as maiores graças, também Zacarias, no Templo, terá agradecido a Deus o tê-lo destinado para pai do precursor, João. Se todos os homens esperam de Deus graças para serem felizes, também o povo de Israel pedia a Deus bênçãos múltiplas, através do Salvador que haveria de chegar. São muito belas as orações do Evangelho da Infância:

• o Magnificat em que Maria agradece a Deus as maravilhas que nela fez e suplica para todos os homens a justiça e a paz.

• o Benedictus em que Zacarias se abandona nas mãos de Deus por lhe ser confiada uma tarefa tão grande, a de acompanhar João nessa enorme missão de preparar os caminhos do Senhor.

• a Avé-Maria em que todos os cristãos bendizem a maternidade de Nossa Senhora fazendo suas as palavras de Isabel que, ao acolhê-la em Ain-Karin, exclama: “Bendita és tu entre todas as mulheres da terra, bendito o fruto do teu ventre”.

As orações do Evangelho da Infância podem ser repetidas por todos os cristãos como oração modelo para o jogo de afectos que nesta quadra de Natal se estabelece com Deus. O Advento é mesmo tempo de falar com Deus sobre o Seu Filho Jesus, o Salvador.

2. A oração faz parte da relação de amor que se estabelece com Deus. Também se partilham afectos com o Senhor em quem acreditamos. É importante dar tempo ao Menino Deus que está a chegar. É expressão de carinho conversar com Maria sobre o seu filho Jesus. Conseguir um encontro com o casal de Nazaré na preparação da chegada do Salvador exprime também a devoção profunda que este tempo de Natal provoca nos nossos corações.

• É jogo de afectos a adoração, uma vez que este sentimento é próprio de quem ama até à entrega da sua vida.

• É jogo de afectos o agradecimento, já que ter um coração reconhecido é sinal de que não se recebeu em vão tudo aquilo que o Senhor quis conceder.

• É jogo de afectos o pedir perdão, uma vez que sentindo o erro cometido e pedir a compreensão de alguém que se ama, revela uma atitude de humildade indispensável ao amor.

• É jogo de afectos a súplica confiante, porque esta é sinal de acreditar no outro que pode vir, não apenas para solucionar problemas, mas sobretudo para gritar amor.

Quando se quer transformar o tempo de Natal em tempo centrado nos outros vencendo todos os egoísmos e reconhecendo a importância do dom, então a relação com Deus torna-se essencial, porque na alegria da entrega a Deus descobre-se a riqueza do serviço aos mais próximos. É mesmo bom neste tempo redescobrir a oração fecunda, a oração que gera uma vida nova.

3. Nas relações humanas todos sabem partilhar os afectos. A presença, com palavras amigas, a comunicação com cartas, e-mails e SMS, as conversas pelo telefone e pelo Skype, a simples troca de olhares, tudo é forma de encontro com os outros a quem se ama. Deveria ser assim também a nossa relação com Deus.

• Tornar-se presente junto de Deus, ao entrar em lugares de silêncio, é uma forma maravilhosa de criar espaço para a experiência de Deus. O segredo da casa, a serenidade do Templo, a paz no alto do monte, a vastidão do mar, tudo são lugares de encontro pessoal com Deus.

• Comunicar sem fronteiras é o segredo da ternura. Com Deus não é preciso computador, nem telemóvel, basta um coração disponível para falar com Ele “como um amigo fala a seu amigo” (Ex 33, 11). Dizer o que se sente com palavras simples e, depois, encontrar resposta na Palavra de Deus.

• Ter gestos de amor é também expressão de afecto na oração de cada dia. A Deus falou-se dos pobres, dos infelizes, dos que sofrem. O gesto nasceu depois na visita que se faz, na ajuda que se presta, no sorriso que se dá. A oração e a vida entrecruzam-se no quotidiano de cada um.

• Também o olhar é expressão de afecto. Quantas vezes pousa sobre cada um o olhar de Deus. Quando alguém está só, ou tem dificuldades, ou foi incompreendido, é então que se ouve uma voz a dizer “vinde a Mim os que estais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei” (Mt 11,28). Ao olhar de Deus pode cada um responder com um olhar de ternura e de gratidão ou até com o êxtase dos santos.

Tudo isto e muitas outras coisas são expressão da relação de afectos que se trava com Deus. Neste tempo de Advento, na expectativa da vinda do Senhor, há que dar tempo à oração, descobrindo a melhor forma de preparar o Natal verdadeiro, o Natal cristão.

4. A comunidade Paroquial do Campo Grande apostou na partilha de afectos. É também fundamental criar relação afectiva com Deus, testemunhar-lhe o amor pessoal, significar-lhe a importância que Ele tem na vida de cada um, oferecer-lhe o tempo para o adorar e lhe agradecer. É preciso ultrapassar a ideia da oração apenas súplica nas aflições. Deus tem direito ao nosso amor gratuito. É por isso que cada um vai tentar reinventar com Deus um autêntico jogo de afectos.

Comments are closed.