XI DOMINGO DO TEMPO COMUM – 14 de Junho de 2015

«A MENOR DE TODAS AS SEMENTES

TORNA-SE A MAIOR DE TODAS AS PLANTAS DA HORTA».

(Mc 4, 31-32) 

I LEITURA – Ez 17, 22-24

Pela imagem de um cedro que morre e depois renasce, fala-nos o Senhor da queda do povo judaico e do renascimento do reino messiânico. Um ramo tenro, mas cheio de vida, será refúgio e abrigo universal. (In Missal Popular)

Leitura da profecia de Ezequiel
Eis o que diz o Senhor Deus: «Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. E todas as árvores do campo hão-de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço».
Palavra do Senhor.

SALMO – 91 (92), 2-3.13-14.15-16 (R. cf. 2a)

Refrão: É bom louvar-Vos, Senhor. Repete-se

 É bom louvar o Senhor
e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,
proclamar pela manhã a vossa bondade
e durante a noite a vossa fidelidade. Refrão

O justo florescerá como a palmeira,
crescerá como o cedro do Líbano;
plantado na casa do Senhor,
florescerá nos átrios do nosso Deus. Refrão

Mesmo na velhice dará o seu fruto,
cheio de seiva e de vigor,
para proclamar que o Senhor é justo:
n’Ele, que é o meu refúgio, não há iniquidade. Refrão.

II LEITURA – 2 Cor 5, 6-10

S. Paulo, que um dia viu o Senhor e ficou com saudades, confessa que preferia morrer depressa para chegar até Ele. Mas reconhece  que isso não é de sua conta. O que lhe cabe é ser fiel todos os dias e trabalhar sem descanso. Na esperança de que o Senhor, que virá quando quiser, o aprovará. (Pe. João Resina in A Palavra no Tempo II)

Leitura da Segunda Epístola do Apóstolo S. Paulo aos Coríntios
Irmãos: Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal.
Palavra do Senhor.

ALELUIA

Refrão: Aleluia. Repete-se.

A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo:
quem O encontrar permanecerá para sempre. Refrão

EVANGELHO – Mc 4, 26-34

O Reino de Deus anunciado por Cristo, não aparece, em toda a sua plenitude, de um momento para o outro. O seu crescimento é lento, como o de uma árvore. Iniciado por Cristo, desenvolver-se-à pelas mãos dos homens, em nome de Deus. Este Reino é um Reino de paz, amor e justiça. (in Missal popular)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.
Palavra da salvação.

A CONSTRUÇÃO DO REINO DE DEUS

Quer no Antigo como no Novo Testamento a linguagem dos profetas e, também, a de Jesus refere-se muitas vezes à vida da natureza. Querendo hoje a Liturgia falar-nos da construção do Reino, ela insere dois textos que se referem expressamente à vida no campo. É o texto de Ezequiel que utiliza o cedro como fonte de perene fecundidade bem como o Evangelho de Lucas que retoma a parábola do semeador e oferece a parábola do grão de mostarda. O cedro frondoso vai gerar um rebento novo que será a protecção de Israel para sempre. É o anúncio do Messias que vem para salvar (1ª leitura). O grão de trigo lançado à terra vai desenvolver-se até à ceifa, multiplicando-se indefinidamente. A esta parábola acresce uma segunda, a do grão de mostarda que, sendo a mais pequena das sementes, se torna uma árvore frondosa, onde as aves fazem os seus ninhos (Evangelho). Esta capacidade de ser fecundo justifica a ilimitada confiança em Deus. É nela que o Povo de Israel assentou a sua esperança e é também nela que se fundará a construção do Reino de Deus. Sem Deus nada é possível. Mas a força da fecundidade de ontem e de hoje, será sempre do Senhor (2ª leitura).

1. A alegoria do cedro e do rebento novo
É frequente nas profecias e nos salmos falar-se dos cedros, as árvores de referência em Israel pela sua verticalidade, pela beleza dos seus ramos, pela força do seu tronco, suporte da sua elegância. Mas os cedros também se multiplicavam. Então, o profeta Ezequiel, faz do rebento novo o paradigma da Redenção a prometer a Israel. Os ramos multiplicar-se-ão, darão fruto abundante e as aves do céu farão neles os seus ninhos. Este cedro majestoso torna-se o símbolo da Salvação porque todas as outras árvores, isto é, todos os povos reconhecerão a grandeza do Messias, o rebento novo. Só Ele é Senhor.

2. Duas parábolas do Reino
Quando fala do Reino de Deus, Jesus exprime-se sempre com parábolas. O Evangelho de hoje, vem dizer de quanto o Reino é acolhedor, na parábola do grão de mostarda, e quanto o Reino de Deus é fecundo na parábola da sementeira. As duas parábolas contém a dinâmica do crescimento através de uma fecundidade extraordinária. O grão de mostarda torna-se árvore frondosa, onde as aves fazem os seus ninhos e à sombra da qual os viajantes podem repousar um pouco. É a dinâmica do acolhimento universal. Á sombra deste Reino todos podem chegar, porque todos serão bem recebidos. O grão de trigo tem também uma dinâmica de crescimento. Depois de cair à terra torna-se erva, forma espiga e multiplica os grãos que podem tornar-se pão para todos os homens. O crescimento está aliado à universalidade do dom. Também o trigo é para todos. As duas parábolas consagram o desenvolvimento, a fecundidade, o acolhimento universal, valores essenciais para a Igreja, comunidade cristã que prepara o Reino.

3. O apelo à confiança
O Reino de Deus não pode crescer sem a constante protecção do Senhor. Isto exige aos humanos a máxima confiança. É verdade que no tempo presente vivemos como exilados, mas desejamos o encontro com Deus. Só uma confiança ilimitada naquele que nos dá força nos pode garantir a participação no Reino futuro. Domingo passado a Liturgia dizia “a vida não acaba apenas se transforma”, mas acrescentava logo depois que Deus nos preparava no céu uma habitação eterna. A confiança ilimitada num Deus de verdade gera em cada um a certeza de vir a participar no Reino de Deus.

Monsenhor Feytor Pinto

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