PREPARANDO AS FÉRIAS DE VERÃO – 1 de Julho de 2012

1. Com o mês de Julho começa o tempo que muitos dedicam às suas férias. São dois ou três meses em que as pessoas escolhem alguns dias para descansar das tarefas que ao longo do ano vão realizando. O ano de 2012, com as limitações que nos têm sido impostas, pela crise que desabou sobre a Europa e sobre o nosso país, não permite grandes despesas neste tempo de férias. É por isso mais importante ainda a organização do tempo, a fim de se tirar partido de uma ou duas semanas disponíveis para respirar um pouco e conseguir a recuperação necessária para mais um ano de trabalho. De facto, as férias vão ser diferentes.

• Não se pode fazer aquela viagem a um país distante que há muito foi sonhada, mas que, por agora, tem que ser adiada.

• Não se consegue reservar um hotel de montanha, ou um resort à beira-mar, porque o encargo a suportar com este desejo iria comprometer a organização económica que se impõe a toda a família.

• Não se tem meios financeiros disponíveis para acompanhar grandes provas desportivas que, sendo apaixonantes, têm custos onerosos.

• Não se vai, sequer, passar uns dias a casa de uns amigos, não só porque tal exigiria retribuição, mas também porque iria constituir um peso agora incomportável àqueles que com tanto gosto costumam receber-nos.

• Não é tempo, também, de gastar muito nas toilettes de Verão, que constituem muitas vezes um peso financeiro de incalculável valor.

• Nem sequer os que ficam em casa podem ter o capricho de ir muitas vezes aos restaurantes, a concertos, a espectáculos, porque no seu todo haveria gastos que iriam comprometer o ano de trabalho que em Setembro recomeça.

Este ano de 2012 tem férias diferentes, se quiserem, férias económicas para assegurar à família e aos filhos, durante o próximo ano, as condições indispensáveis para uma vida serena e suficientemente gratificante. Longe vai o tempo em que o crédito para férias acabaria por complicar a vida dos cidadãos, como toda a gente hoje o reconhece. Verão este ano é mesmo de austeridade.

2. Quando as dificuldades são maiores a organização do tempo tem de ser mais cuidada. Todos têm direito a descansar alguns dias. Com férias de um mês ou com férias repartidas, cada um deve definir claramente os dias em que suspende toda a sua actividade habitual, sobretudo de natureza profissional. Importa reflectir sobre quais são os dias reservados para descansar. Depois, vale a pena saber como utilizar esse tempo livre. Finalmente, cada um tem de escolher os meios que lhe permitam ter umas férias agradáveis com o ambiente necessário à tranquilidade de que precisa. Vamos então pensar:

• Qual o lugar que escolhemos para férias? Pode ser a praia, o campo, as termas, uma aldeia de família, ou a casa de uns amigos. Acontecerá nalguns casos em que não se pode sair da residência habitual. Daí, porém, pode partir-se todos os dias para uma praia próxima ou para um clube conhecido.

• Quais os amigos com quem gostaríamos de estar? Há famílias com quem nos relacionamos muito e com quem em férias continuamos a juntar-nos. Combinar entre todos um lugar mais económico. Também se pode escolher a quinta de uma das famílias, com a repartição de despesas, ou até a estadia num clube de campismo onde as coisas são mais baratas e a proximidade de amigos é mais intensa.

• Quais as actividades a promover? Há passeios junto ao mar ou na montanha, há actividades desportivas ao ar livre, há tertúlias de fim de tarde num café da região, há inúmeras iniciativas em que todos podem envolver-se.

• Quais os livros ou as revistas que se levam para férias? Em cada Verão aparecem edições que são motivo de conversa para todos. Quem não recorda o Código Da Vinci, de Dan Brown, ou o Equador, de Miguel Sousa Tavares. Seleccionar dois ou três livros e discuti-los à hora do café é uma prática de férias verdadeiramente apaixonante.

• Quais os tempos de silêncio que cada um reserva para si? A entrada num templo, uma celebração pela manhã, um terço ao entardecer, uma página da Palavra de Deus, tudo são espaços de silêncio. O silêncio vivo que proporcionando o descanso também compromete.

Só cada um sabe como deverá programar as suas férias. O diálogo em família é indispensável para que a opção seja de todos e se torne, de verdade, fonte de felicidade comum.

3. Há programas para dois ou três dias de férias de natureza pessoal. Qualquer que seja a vida comunitária em que cada um se sente envolvido, privilegiar dois ou três dias para um tempo consagrado a si próprio pode ser importante para repousar do quotidiano normal. Até na família um pai ou uma mãe podem sentir a necessidade de estar sós alguns dias. Há gestores de grandes empresas para quem o silêncio de uma semana é indispensável. Há grandes professores que sentem urgente o isolamento para aprofundar o estudo ou avaliar uma situação. Tudo isto e outras coisas podem fazer-se em tempo de férias. Conhecem-se experiências maravilhosas.

• Nas casas de retiro há pessoas que se isolam durante o tempo de férias para 3 ou 4 dias de oração.

• Conheci a Maison de Prière em Troussures, perto de Paris, onde o Abbé Caffarel orientava cursos de oração a pessoas de muitos países. O silêncio era total, a orientação era dada a cada um.

• Falaram-me de Mosteiros na Escócia onde inúmeros homens de negócios, gente da política e das artes, ou simples cidadãos, crentes ou não crentes, se refugiam com tempos de silêncio e de contemplação da natureza. São comunidades de jesuítas que acompanham estes homens e mulheres famintos da solidão.

• Organizam-se cursos de vários dias para estudos bíblicos ou para aprofundamento teológico ou litúrgico. Em Fátima, os padres dominicanos, os capuchinhos e os carmelitas há muito mantêm estes cursos de férias. Tempo extraordinário de aprofundamento da fé através do conhecimento maior da Sagrada Escritura e da vida da Igreja.

• Em Taizé, privilegia-se o diálogo ecuménico. São muitos os que vão até a este Mosteiro próximo de Cluny, para fazerem uma experiência de relação inter-religiosa. No fim desses dias muitos descobrem a importância da Palavra de Deus e a forma feliz de celebrar a fé.

• Também as peregrinações são tempo de renovação pessoal que enquadram as férias dos cristãos. A ida à Terra Santa, a visita a Roma, ou aos Santuários internacionais pode converter o tempo de férias em tempo de radical mudança de vida. São férias diferentes mas extremamente importantes para uma vida cristã ao longo do ano.

A multiplicidade de propostas, onde também cabem as férias missionárias, permite escolhas fundamentais para que na liberdade, cada um saiba construir o seu tempo de rejuvenescimento que as férias devem sempre proporcionar.

4. Hoje começa o mês de Julho. Podemos ter estado distraídos e não termos programado nada do que queremos fazer durante as próximas férias. É fundamental que se consagre um certo tempo, sobretudo em família, para organizar o que é o desejo de todos e de cada um para umas férias de Verão que a todos renovem. A pouco e pouco muitos vamos partir. Em nome de toda a comunidade desejo boas férias e um bom regresso para celebramos em 2012/2013, com novas energias, o Ano da Fé.

P. Vítor Feytor Pinto
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