IV DOMINGO DO ADVENTO – 20 de Dezembro de 2015

«DONDE ME É DADO QUE VENHA TER COMIGO

A MÃE DO MEU SENHOR?»

(Lc 1, 43)

I LEITURA – Miq 5, 1-4a

O profeta Miqueias diz, com precisão, que o Messias nascerá em Belém e que «Ele será a Paz».

Leitura da Profecia de Miqueias
Eis o que diz o Senhor: «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz».
Palavra do Senhor.

SALMO – 79 (80), 2ac.3b.15-16.18-19 (R.4)

Refrão: Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,
mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos. Repete-se

Ou: Mostrai-nos, Senhor, o vosso rosto e seremos salvos. Repete-se

Pastor de Israel, escutai,
Vós estais sobre os Querubins, aparecei.
Despertai o vosso poder
e vinde em nosso auxílio. Refrão

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha;
protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós. Refrão

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,
sobre o filho do homem que para Vós criastes.
Nunca mais nos apartaremos de Vós,
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome. Refrão

II LEITURA – Hebr 10, 5-10

A carta aos Hebreus dirige-se aos cristãos convertidos do judaísmo, que se sentiam desconfortados com a pobreza do novo culto, comparado com o esplendor das cerimónias do Templo de Jerusalém. O autor começa por recordar que os sacrificios e cerimónias da Lei antiga não tinham valor intrínsico, não passavam de símbolos. Mas na Eucaristia o dom é o próprio Cristo. Infinito como o Pai, e que se entregou por amor até ao fim.

Leitura da Epístola aos Hebreus
Irmãos: Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’». Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. É em virtude dessa vontade que nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.
Palavra do Senhor.

ALELUIA – Mt 1, 38

Refrão: Aleluia. Repete-se

Eis a escrava do Senhor:
faça-se em mim segundo a vossa palavra. Refrão

EVANGELHO – Lc 1, 39-45

A visitação.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».
Palavra da salvação.

MIQUEIAS – Comentários de Monsenhor Vítor Feytor Pinto

Entre os profetas que a liturgia permite visitar neste tempo de Advento para preparar o nascimento de Jesus, sobressai Miqueias aquele que fala expressamente do nascimento do Messias em Belém. O profeta fazendo o elogio de Belém, diz: “de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. Ele será a paz” (Miq 5, 1-4). Miqueias era um homem simples nascido de uma família humilde, trabalhando no campo como agricultor. Viveu nos reinados de Jotam e Acaz entre 740-698 a.C. Como todos os profetas a sua denúncia é de grande violência revelando as maquinações dos latifundiários, a exploração das viúvas e dos órfãos desamparados e sem património, a ambição desmedida dos dirigentes e consequente exploração do pobre, os juizes corruptos e a desconfiança geral. Esta síntese da profecia de Miqueias mostra-o como autêntico defensor da justiça, falando mesmo do castigo de Jerusalém e da Samaria. O Povo de Israel irá perder logo a seguir a Samaria e mais tarde Jerusalém ficará sob o domínio Persa. Na parte final da sua profecia, afirma de Javé razões de esperança cuja promessa fundamental é a da chegada do Salvador que irá nascer em Belém.

A garantia de que o Salvador virá é confirmada, depois, na liturgia com o diálogo maravilhoso entre Maria e Isabel, a Mãe do precursor. É curioso que alguns autores dizem que este encontro se dá quando Maria vai já a caminho de Belém para participar no recenseamento promovido pelo imperador. O que é certo é que, Maria e Isabel ao encontrarem-se, firmam entre si uma extraordinária aliança cantada de maneira muito bela no “Magnificat”. Também a carta aos Hebreus refere que o Senhor virá para fazer a vontade incondicional de Deus.

Na proximidade do nascimento de Cristo a liturgia não nos podia dar melhores textos para a nossa meditação, preparação do Natal. Estes dias são, necessariamente, para o cristão tempo de contemplação pelas maravilhas que Deus operou com a vinda do Seu Filho, expressão máxima do amor, como refere o diálogo com Nicodemus: “Deus amou de tal forma o mundo que lhe deu o seu próprio Filho Unigénito” (Jo 3, 16). O encontro de Maria e Isabel revela a importância da atenção aos problemas dos outros e a atitude de amor radical que todos os natais contemplam. A proximidade do nascimento do Menino desafia cada cristão e cada homem de boa vontade a ser melhor para com todos.

 

 

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