RESPONSABILIDADE MISSIONÁRIA-20 de Outubro de 2013

1. Celebramos, este ano, o Dia Mundial das Missões, enquanto estamos a concluir o Ano da Fé, ocasião para reforçar a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia com coragem o Evangelho. A fé é um dom precioso de Deus que abre a nossa mente para que o possamos conhecer e amar. Ele quer estabelecer uma relação connosco para nos fazer participantes da sua própria vida e tornar a nossa vida com maior sentido, mais bela e melhor. Deus ama-nos.

• A fé, no entanto, exige ser acolhida, exige a nossa resposta pessoal, exige a coragem para nos aproximarmos de Deus, para vermos o seu amor, gratos pela sua infinita misericórdia.

• É um dom que não é reservado apenas a alguns, mas que é oferecido a todos com generosidade. Todos deveriam poder experimentar a alegria de nos sentirmos amados por Deus, a alegria da Salvação! E é um dom que não se pode possuir apenas para si próprio, mas que deve ser partilhado.

• Se quisermos a fé só para nós próprios, tornar-nos-emos cristãos isolados, estéreis e doentes. O anúncio do Evangelho faz parte do ser discípulo de Cristo e é um empenho constante que anima toda a vida da Igreja.

O impulso missionário é um sinal claro de maturidade de uma comunidade eclesial.

2. Cada comunidade torna-se “adulta” quando professa a fé, a celebra com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do seu próprio espaço fechado para levá-la também à “periferia”, sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo.

O Ano da fé, a cinquenta anos do início do Concílio Vaticano II, é um estímulo para que toda a Igreja tenha uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e nações.

• A acção missionária não é só uma questão de territórios geográficos, mas de povos, de culturas e de cada pessoa, porque “os confins” da fé não atravessam só lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e de cada mulher.

• O Concílio Vaticano II sublinhou, de modo particular, como o trabalho missionário, a tarefa de alargar os confins da fé, seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs.

• Cada comunidade é interpelada e convidada a fazer seu o mandato dado por Jesus aos apóstolos de ser suas “testemunhas em Jerusalém em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Act 1, 8), não como um aspecto secundário da vida cristã, mas como um aspecto essencial.

Os cristãos têm o dever de assumir incondicionalmente a responsabilidade de proclamar o Evangelho pelo testemunho da vida e, depois, pelo anúncio claro de Jesus Cristo.

3. O trabalho missionário não é somente uma dimensão programática na vida cristã, mas também uma dimensão paradigmática que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã.

• Frequentemente, a obra da evangelização, encontra dificuldades não só no exterior, mas também no interior da própria comunidade eclesial. Às vezes, são fracos o fervor, a alegria, a coragem, a esperança ao anunciar a todos a mensagem de Cristo e em ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-lO.

• Também se pensa que levar a verdade do Evangelho é fazer violência à liberdade. Paulo VI tem palavras claras sobre a questão: “Seria um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a esta consciência a verdade evangélica e a salvação de Jesus Cristo com plena clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará … é uma homenagem a esta liberdade.” (Exort.Ap. Evangelii Nuntiandi, 80)

• Devemos ter sempre a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo, fazendo-nos portadores do seu Evangelho. Jesus fez-se homem para nos indicar o caminho da salvação, e confiou-nos também a missão de dar a conhecer esta salvação a todos os homens, até aos confins da terra.

• Muitas vezes, verificamos que a violência, a mentira, o erro são propostos e colocados em evidência. É urgente mostrar ao nosso tempo a vida do Evangelho, através do anúncio e do testemunho e isto, desde já, no interior da Igreja. Porque, nesta perspectiva, é importante nunca esquecer o princípio fundamental de cada evangelizador: não se pode anunciar a Cristo sem a Igreja.

Toda a acção missionária se realiza em Igreja, com a comunhão total com o Papa, com o Bispo, com todos os anunciadores do Evangelho. Assim se dá força à missão de evangelizar. É cada missionário evangelizador que não está sozinho, mas é parte de um único corpo animado pelo Espírito Santo.

4. A nossa comunidade paroquial tem a responsabilidade de ser missionária. Poderia limitar-se à oração e à partilha de bens no Dia Mundial das Missões. Tem o dever de ir muito mais longe. Sem dúvida que evangeliza através das catequese, dos ciclos de formação, dos encontros de jovens, da preparação do Crisma e de tantas outras formas. Assume porém, a evangelização do terceiro mundo com três iniciativas que marcam o espírito missionário que queremos ter:

• A formação de sacerdotes de dioceses africanas a quem se ajuda nos estudos em ordem ao seu doutoramento na Universidade Católica. Como referiu o Bispo de Quelimane em carta de há tepos, “a Paróquia do Campo Grande está a colaborar na formação dos nossos quadros”.

• O “gemelaggio” com a Paróquia de S. João Baptista do Fomento na Arquidiocese de Maputo. Desde há 13 anos que se mantem uma parceria em que se procura apoiar as iniciativas dessa Paróquia missionária enquanto os nossos jovens se valorizam em termos de voluntariado no terreno, ao serviço dos mais pobres.

• Colónias de férias missionárias organizadas com os jovens da Paróquia em vários lugares do mundo, Honduras, Brasil, Timor, e neste ano em Cabo Verde, animados pela comunidade Verbum Dei.

Mais do que missões ao serviço de populações que aguardam formas de aprofundamento da fé, é essencial ter espírito missionário. Libertos de preocupações meramente pessoais, pelo testemunho e por acções oportunas, queremos levar a Boa Nova do Evangelho a muita gente e sobretudo aos que estão mais próximos.
Hoje rezamos pelas missões e partilhamos alguns dos nossos bens para as missões ad gentes na Igreja.
(Esta reflexão inspira-se na Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões de 2013)

Pe. Vítor Feytor Pinto - Prior

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