XXXI DOMINGO TEMPO COMUM-3 de Novembro de 2013

«Zaqueu, desce depressa,

que Eu hoje devo ficar em tua casa».

(Lc 19, 5)

I LEITURA – Sab 11, 22 – 12, 2

Deus é infinito, nós somos finitos. Isso não significa que Deus «nos ignore». Pelo contrário, a infinitude de Deus é causa de um amor que é pessoal e sem limites. (Jesus dirá que Deus conhece cada um de nós «pelo seu nome»). O Livro da Sabedoria (porventura do século II a.C.) anuncia já que «Deus corrige brandamente os que caem e avisa-os para que possam afastar-se do mal».

Leitura do Livro da Sabedoria
Diante de Vós, Senhor, o mundo inteiro é como um grão de areia na balança, como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra. De todos Vos compadeceis, porque sois omnipotente, e não olhais para os seus pecados, para que se arrependam. Vós amais tudo o que existe e não odiais nada do que fizestes; porque, se odiásseis alguma coisa, não a teríeis criado. E como poderia subsistir, se Vós não a quisésseis? Como poderia durar, se não a tivésseis chamado à existência? Mas a todos perdoais, porque tudo é vosso, Senhor, que amais a vida. O vosso espírito incorruptível está em todas as coisas. Por isso castigais brandamente aqueles que caem e advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados, para que se afastem do mal e acreditem em Vós, Senhor.
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145), 1-2.8-9.10-11.13cd-14 (R. cf. 1)

Refrão: Louvarei para sempre o vosso nome,
Senhor, meu Deus e meu Rei. Repete-se

Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,
e bendizer o vosso nome para sempre.
Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre. Refrão

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas. Refrão

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos. Refrão

O Senhor é fiel à sua palavra
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor ampara os que vacilam
e levanta todos os oprimidos. Refrão

II LEITURA – 2 Tes 1, 11 – 2, 2

Somos consolidados na vocação cristã pelo dom de Deus: tenha cada um de nós a iniciativa de invocar este dom, para si e para os irmãos. Seremos então capazes de enfrentar todas as didiculdades do caminho.

Leitura da Segunda Epístola do Apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses
Irmãos: Oramos continuamente por vós, para que Deus vos considere dignos do seu chamamento e, pelo seu poder, se realizem todos os vossos bons propósitos e se confirme o trabalho da vossa fé. Assim o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós n’Ele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. Nós vos pedimos, irmãos, a propósito da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e do nosso encontro com Ele: Não vos deixeis abalar facilmente nem alarmar por qualquer manifestação profética, por palavras ou por cartas, que se digam vir de nós, pretendendo que o dia do Senhor está iminente.
Palavra do Senhor.

ALELUIA –  Jo 3, 16

Refrão: Aleluia. Repete-se

Deus amou tanto o mundo
que lhe deu o seu Filho unigénito;
quem acredita n’Ele tem a vida eterna. Refrão.

EVANGELHO – Lc 19, 1-10

Jesus e Zaqueu.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade. Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-l’O, porque era de pequena estatura. Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali. Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».
Palavra da salvação.

XXXI DOMINGO TEMPO COMUM – A PROCURA DO ESSENCIAL

          Quem lê a história de Zaqueu, narrada no Evangelho deste domingo, compreende facilmente que aquele cobrador de impostos que vivia em Jericó era um homem inquieto. Tinha uma grande estabilidade na sua vida profissional, tinha o grupo social em que estava inserido, tinha um futuro assegurado, mas tudo isso não o impedia de estar constantemente à procura de outras coisas que o pudessem fazer verdadeiramente feliz. Ao saber que Jesus entrara na cidade, uma vez que d’Ele já ouvira falar, quis conhecê-l’O. Não se importou de ser ridículo subindo para um sicómoro. Para ele o importante era ver Jesus. Jesus também o viu, entendeu a sua inquietação e interpelou-o dizendo: “Zaqueu, desce depressa, porque eu hoje vou ficar em tua casa.” O encontro com Jesus permitiu-lhe descobrir o essencial. Jesus tinha uma mensagem que podia alterar completamente a sua vida. Então Zaqueu aceitou os desafios que o encontro com Jesus provocaram. Não se sabe quais foram os termos da conversa entre Jesus e Zaqueu naquele almoço diferente. Sabem-se os resultados: deu metade dos seus bens aos pobres, e àqueles a quem defraudara, deu quatro vezes mais. No despojamento radical, Zaqueu descobriu que Jesus tinha a mensagem que podia mudar totalmente a sua vida. Zaqueu descobriu o essencial.

          Quem lê os outros textos da liturgia deste domingo, compreende facilmente o que é essencial. De facto, a vida humana tem em Deus a sua origem e o seu termo. Como diz o Livro da Sabedoria, Deus é o Criador de todas as coisas, Deus é amor sem condições, Deus é perdão em todas as situações, Deus é a fonte da vida e a vida em plenitude. Os cristãos têm o privilégio de a Deus poder chamar Pai. Foi Jesus que o ensinou, ao referir-se a Deus como “meu e vosso Pai”. Acrescentou mesmo “se alguém me tem amor e guarda os mandamentos, meu Pai o amará, viremos a ele e faremos nele morada” (Jo 14, 23).

          Para que Deus se tornasse acessível aos homens, Ele enviou o seu Filho, Jesus Cristo. O Evangelho de João refere-o expressamente ao dizer: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu próprio Filho” (Jo 3, 16). É por isso, por esta dádiva de amor, que Jesus se tornou referência para todos os cristãos. Na procura do essencial é então necessário reconhecer Jesus Cristo, como o Filho de Deus. A razão da esperança, no meio das dificuldades, o princípio da salvação prometida. Em última análise, é Jesus o essencial.

Comentários de Monsenhor Vítor Feytor Pinto
(in Revista LiturgiaDiária, com autorização da Paulus Editora)

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