I DOMINGO DO ADVENTO – 1 de Dezembro de 2013

“VIGIAI, PORQUE NÃO SABEIS

EM QUE DIA VIRÁ O VOSSO SENHOR”.

(Mt 24, 42)

I LEITURA – Is 2, 1-5

A esperança na justiça e na paz.

Leitura do Livro de Isaías
Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.
Palavra do Senhor.

SALMO – 121 (122), 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)

Refrão: Vamos com alegria
para a casa do Senhor. Repete-se

Alegrei-me quando me disseram:
«Vamos para a casa do Senhor».
Detiveram-se os nossos passos
às tuas portas, Jerusalém. Refrão

Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor,
segundo o costume de Israel,
para celebrar o nome do Senhor;
ali estão os tribunais da justiça,
os tribunais da casa de David. Refrão

Pedi a paz para Jerusalém:
«Vivam seguros quantos te amam.
Haja paz dentro dos teus muros,
tranquilidade em teus palácios». Refrão

Por amor de meus irmãos e amigos,
pedirei a paz para ti.
Por amor da casa do Senhor,
pedirei para ti todos os bens. Refrão

II LEITURA – Rom 13, 11-14

«São horas de acordar»

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e ciúmes; não vos preocupeis com a natureza carnal para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO – Mt 24, 37-44

A vinda do «Filho do Homem»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem.
Palavra da salvação.

I DOMINGO DO ADVENTO – CONSTRUIR UM MUNDO NOVO

          Neste domingo começa o Advento. É tempo de preparação para celebrar o nascimento de Jesus no próximo Natal. Até ao séc. IV só se celebrava a Páscoa. Na reflexão feita pela Igreja não se referia tanto o nascimento de Jesus, mas apenas a sua morte e ressurreição. Foi no Concílio de Niceia, em 1325, que se sentiu a necessidade de celebrar o Natal. Aquele que morreu e ressuscitou tinha nascido do seio da Virgem Maria. Tomando-se como ponto de referência o proto Evangelho de Lucas, havia que atribuir uma data ao nascimento de Jesus. Como os romanos celebravam a 25 de Dezembro o dia do “sol invicto”, não havia data melhor para celebrar o Natal, pois neste dia se celebrava o sol por excelência. Para os cristãos Jesus Cristo é mesmo o sol que ninguém pode vencer. Acontece, porém, que só no ano 600 se sentiu a necessidade de preparar o Natal. Foi, então, que se considerou valer a pena consagrar quatro semanas para preparar, com o “Advento”, a chegada de Jesus. Advento quer mesmo dizer chegada. São quatro semanas de preparação com textos escolhidos para entender como a vinda do Messias transforma completamente o mundo dos homens.

          Os textos deste domingo são muito significativos. Têm mesmo expressões que reclamam um tempo novo. Isaías diz que é preciso “converter as espadas em relhas de arado e as lanças em foices” preparadas para a recolha do pão (cf Is 2, 4). Depois, na Carta aos Romanos, Paulo diz que é preciso estar-se revestido de Cristo, com a consciência de que chegou a hora da mudança de vida. Isto, porém, implica, como dirá S. Mateus no Evangelho, que é preciso estar vigilante para ninguém se deixar surpreender pela maldade.

          Continuando a reflectir sobre esta construção do mundo novo, compreende-se ser necessário subir até ao templo do Senhor. São todos os povos que deverão compreender que é de Deus que vem a Lei e a Palavra, não como corrente que compromete a liberdade, mas como desafio que convida à paz. Entende-se por isso que a liturgia venha dizer que chegou a hora. É preciso vencer as trevas, deixar entrar a luz para que pela mudança de vida todas as coisas se tornem diferentes. Com o nascimento de Jesus Cristo virá o tempo novo, fundamento de toda a esperança.
Alguns interpretam o capitulo 24 de Mateus como um anúncio do fim do mundo. Não é assim. O evangelista refere-se ao sofrimento de Jerusalém quando, nos anos 70, foi invadida pelos romanos. Porém, depois de descrever todo o sofrimento vivido pelo povo judeu, Mateus fala das atitudes que podem mudar completamente o rosto do mundo. Basta olhar para o que o evangelista sugere, colocando na boca de Jesus estas palavras: “o que fizeres ao mais pequenino dos teus irmãos é a Mim que o fazes” (Mt 25, 40).

          Neste Advento, os cristãos são convidados a construir um mundo novo. Se há muito sofrimento neste tempo de austeridade, é redobrada a esperança que nos chega de Jesus que vai nascer.

Comentários de Monsenhor Vítor Feytor Pinto — (in Revista LiturgiaDiária, com autorização da Paulus Editora)

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