RETOMAR O CAMINHO – 20 de Setembro de 2015

1. Todos os anos, em Setembro, as comunidades cristãs reiniciam a sua acção pastoral. Se Julho e Agosto foram meses de descanso, Setembro constitui o tempo do recomeço de toda a actividade que a Paróquia se propõe realizar. As grandes áreas da acção pastoral são a profecia, a liturgia e a acção social. A profecia pede para aumentar a formação cristã de todos os membros da comunidade. A liturgia reclama maior verdade e beleza nas grandes manifestações de amor a Deus que a oração comunitária contém. A acção social realiza o mistério da caridade para com todos sobretudo para com os mais pobres e os que mais sofrem. Neste contexto de organização pastoral, dá-se a maior importância às catequeses dos vários grupos etários e aos cursos de aprofundamento teológico que a comunidade organiza. Depois, nas grandes celebrações procura-se a preparação cuidada e a inovação significativa para dar beleza aos momentos rituais que a paróquia celebra. A caridade organizada permite levar apoio a muitos que vêm ao encontro da comunidade, com os seus problemas, propondo soluções mais ou menos urgentes. É em todo este âmbito de vida pastoral de uma comunidade que é tempo de recomeço. O que fazer?

• Conservar o que no ano passado correu bem e atingiu os objectivos que se pretendiam.

• Deixar cair alguns programas que não tiveram o sucesso esperado e, por isso, se tornaram apenas um peso na comunidade.

• Inventar, com criatividade, novas actividades que possam valorizar tudo o que se fará na profecia, na liturgia e na socio-caridade.

É claro que, no centro de todas as iniciativas pastorais, está o programa do Patriarcado de Lisboa que afirma: “o sonho missionário de chegar a todos”.

2. Para orientar a vida pastoral do Patriarcado de Lisboa, neste ano de 2015/2016, o Senhor D. Manuel Clemente, nosso Bispo, escreveu uma carta a todos os diocesanos. Começa por se considerar um companheiro de jornada, na Igreja e para o mundo. É um maravilhoso testemunho de proximidade. É um cristão entre cristãos com a responsabilidade de testemunho e de serviço, testemunho que é sinal evangelizador e serviço que lhe permite ser animador constante das muitas iniciativas pastorais. Aliás a grande preocupação do nosso Patriarca é o esforço evangelizador. Sabemos como muitos, em Portugal, dizendo-se católicos (uns 90%), vivem à margem das comunidades cristãs e têm dificuldade em viver os valores do Evangelho. Esta missão evangelizadora é de todos, como afirma constantemente o Papa Francisco. De facto, mantém-se o grande slogan “O sonho missionário de chegar a todos”. O esforço missionário faz parte da vida de todos os cristãos. Na sua carta aos diocesanos, o Patriarca refere três circunstâncias que são motivadoras para o trabalho a desenvolver neste ano pastoral: o Sínodo dos Bispos sobre a família, o Jubileu da Misericórdia e a visita da Imagem Peregrina ao Patriarcado de Lisboa.

• O Sínodo dos Bispos a realizar em Outubro constitui um desafio à renovação profunda das famílias mas, por outro lado convida as comunidades cristãs a um “estilo familiar”. A Paróquia é uma família de famílias. É uma relação única que provoca a comunhão familiar, o renovar da vida da comunidade, no acolhimento, no cuidar, no servir, no estar disponível com alegria.

• O Jubileu da Misericórdia constituirá ao longo do ano um apelo repetido ao perdão até à comunhão total das pessoas no amor. No mundo de hoje, muitos lutam pela justiça. Como cristãos, porém, é preciso ir mais longe. Na referência a Deus sabemos que “Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico em misericórdia” (Sl 86). Deus não é apenas justo, é cheio de misericórdia, perdoa sempre, acolhe todos, e tem especial ternura para com os pobres e os pecadores. Assim teremos de ser os cristãos, ao longo de todo este ano pastoral.

• A visita da Virgem Peregrina ao Patriarcado de Lisboa constitui a certeza da presença de Maria em toda a nossa actividade pastoral. Na proximidade do centenário das aparições em Fátima, Nossa Senhora visita todas as Dioceses de Portugal. Estará em Lisboa entre 4 e 7 de Fevereiro. Há três atributos de Maria que devem marcar a acção pastoral das paróquias: a fidelidade à chamada de Deus, a aceitação do sofrimento na dimensão redentora, e a paz e a alegria em todas as situações. Na comunidade paroquial urge ser fiel à chamada de Deus, aceitar serenamente todas as dificuldades e viver sempre e em tudo a alegria pascal.

Estes três acontecimentos marcarão a actividade pastoral da nossa paróquia: a “comunhão familiar”, isto é, viver com laços de amor na relação com todos; a capacidade de misericórdia e de amor, sobretudo para com os mais pobres; e uma profunda união a Maria, modelo de vida para todos. São estas linhas de acção a percorrer nas muitas dimensões da nossa comunidade.

3. Para completar as linhas de força do nosso programa pastoral vale a pena recordar os pensamentos de Francisco e de Manuel, o nosso Papa e o nosso Bispo. São ideias mestras que poderão fazer-nos chegar mais longe: a ecologia integral, a solidariedade humana e o sentido da vida, em constante referência cristã.

• A ecologia integral é uma expressão feliz do nosso Patriarca. Depois da Encíclica de Francisco “Laudato Si”, todos os cristãos estão envolvidos no culto da natureza. Ao falar de ecologia não pode esquecer-se o mais importante, a ecologia humana. Seria inaceitável que, preocupados com o meio ambiente, não dessemos atenção à dignidade da pessoa, ao respeito pela vida, ao cuidado com as crianças, os deficientes e os idosos. A ecologia integral permite uma visão abrangente no respeito por toda a natureza e todos os seres humanos.

• A solidariedade faz parte da opção cristã da vida. “O que fizeres ao mais pequenino dos teus irmãos é a Mim que o fazes” (Mt 25, 40). Esta orientação dada por Jesus, implica a disponibilidade para ajudar a todos sem distinção e sempre que possível. É preciso inventar a caridade activa. Como diz S. Tiago: se alguém te pede de vestir ou algo para comer, não lhe digas “vai em paz” sem o calor de um abrigo ou o conforto de um pão” (cf Tg 2, 15). Ser solidário é fazer seu o problema do outro e tentar resolvê-lo como gostaria que o mesmo lhe fosse feito. É isto o elogio do amor.

• O culto da vida, a promoção, a procura da mais qualidade, e a alegria de viver, é tudo o que o verdadeiro amor reclama. A comunidade paroquial que acolhe e vai ao encontro de todos tem a missão de provocar sempre a felicidade.

As grandes coordenadas de acção pastoral passam inevitavelmente por estas referências fundamentais. É sobre tais critérios que podem ser construídos todos os programas, no âmbito da profecia, da liturgia e da socio-caridade.

4. No início de mais um Ano Pastoral estamos a retomar o caminho. Passo a passo, mas com segurança, não deixe cada um de aceitar os desafios pastorais que lhe sejam propostos. Precisamos de todos e para todos há um lugar de acção e compromisso.

P. Vítor Feytor Pinto
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