UM NOVO ANO LITÚRGICO – 29 de Novembro de 2015

1. Com o 1º Domingo do Advento começa o Ano Litúrgico. Durante séculos os cristãos celebravam apenas a Páscoa do Senhor, a sua paixão, morte e ressurreição. Foi no século IV, com o Édito de Milão, que o Imperador Constantino deu liberdade de culto a todas as religiões que havia no Império Romano. Os cristãos puderam, a partir de então, proclamar a sua fé. A mãe do Imperador começou por se interessar pelos valores anunciados e vividos pelos cristãos. Em 326 quis fazer uma peregrinação a Jerusalém para conhecer as origens da fé cristã. Ali, diz a tradição, encontrou a Cruz de Cristo. Santa Helena tornou-se de imediato um verdadeiro ícone, referência muito significativa para o anúncio da fé cristã. Foi no Concílio de Niceia, em 325, que se instituiu a Festa do Natal. A pouco e pouco construi-se o Ano Litúrgico com três tempos: o ciclo do Natal, o ciclo da Páscoa e o Tempo Comum. Agora, inicia-se mais um ano litúrgico, o de 2015/2016. Este ano vai ser enriquecido com uma série de acontecimentos que ajudarão os cristãos a caminhar numa profunda renovação, quer na celebração da sua fé, quer no exercício da caridade. 

. As comunidades vão ser geridas por S. Lucas, o evangelista com uma narrativa histórica de rara beleza. Do Evangelho da Infância ao Encontro dos Discípulos de Emaús, tudo está descrito com a maior clareza e fácil de acompanhar.

. Todos são convidados a celebrar o Jubileu da Misericórdia. De 8 de Dezembro a 20 de Novembro de 2016, vive-se nas comunidades cristãs a certeza da misericórdia e do perdão de Deus, mas afirma-se também a misericórdia e o amor para com os mais pobres e os que mais sofrem. 

. Em Lisboa, a Virgem Peregrina de Fátima. De 4 a 7 de Fevereiro, a imagem de Nossa Senhora estará na cidade. A sua presença constitui um desafio para a fidelidade de todos a seu Filho Jesus. A 5 de Fevereiro, a imagem da Virgem Peregrina estará na Paróquia do Campo Grande para “um encontro com a nossa fragilidade”. Celebrar-se-á um tempo de oração com os doentes, os idosos, os vulneráveis. 

. Todo o Patriarcado de Lisboa vai viver o Sínodo Diocesano. Este é um tempo privilegiado de renovação profunda da fé, mas também tempo de reestruturação e reorganização das nossas comunidades.

Este Ano Litúrgico que agora começa é excepcional pela riqueza dos acontecimentos propostos às comunidades, mas também pelo entusiasmo exigente do nosso Patriarca que “empurra” a todos para uma vida cristã vivida na Igreja e no mundo.

2. Tudo começa com a preparação do Natal nas quatro semanas do Advento. No Império Romano havia o hábito de acolher os imperadores quando visitavam regiões da periferia com tempo de preparação para a sua chegada. Chamava-se “Ad veniens” ou “Ad veniente”, isto é, para o que vem chegar. A Igreja usou este termo e chamou-lhe Advento, isto é, preparação para Jesus Senhor, que vem chegar na Noite de Natal. O tempo de Advento tem referências de extraordinária beleza: 

. A esperança das Nações – quem lê os profetas, dá-se conta de que repetidas vezes, o Senhor garantiu a salvação ao seu Povo. Com uma misericórdia sem limites, Deus perdoou, acolheu, apoiou sempre Israel, seu Povo. 

. O Prometido pelos profetas – o Messias iria chegar, como diz Isaías na sua profecia: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho que será chamado Emmanuel, que quer dizer Deus connosco”.  

. O “sim” incondicional de Maria – surpreendida pelo Anjo Gabriel, aquela “menina de Nazaré”, fez discernimento e aceitou a certeza de que para Deus não há impossíveis. Soube dizer um “sim” sem condições: “Servirei o Senhor como Ele quiser, faça-se como tu dizes.” O sim de Maria trouxe ao mundo o Filho de Deus. 

. A garantia do percursor – João Baptista nas margens do Rio Jordão, ao ver aproximar-se Jesus, anunciou claramente a vinda do Salvador, ao proclamar: “Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira o pecado do mundo”; e acrescentou ainda “Que Ele cresça e eu diminua”. Começava ali a afirmação do Redentor.

É este o caminho histórico do Advento. À distância de milhares de anos, o caminho é idêntico. No Advento vive-se a esperança de um tempo novo, aceita-se a promessa da presença de Deus, os cristãos são convidados a dizer “sim” e, depois, assumem o dever de tornar presente no mundo o Redentor.

3. A comunidade paroquial do Campo Grande começa agora o seu caminho de Advento na preparação para o Natal. É cada cristão que se prepara espiritualmente para que o Natal seja verdadeiro. Ainda há poucos dias o Papa Francisco, ao abençoar a árvore de Natal e o presépio na Praça de S. Pedro, dizia que perante os horrores do que se está a viver no mundo de hoje, os festejos de Natal soam a falso. Nesta preparação de Advento compete a cada um procurar a verdade em cada palavra, em cada gesto, em cada atitude. Que tudo isto esteja repassado de amor. Depois da renovação interior, os cristãos têm que descobrir formas de exercer as obras de misericórdia: dar de comer a quem tem fome, vestir os nus, visitar os enfermos… Cada homem ou mulher que precisa de apoio é uma presença viva do Jesus que está para nascer. Foi o Senhor que o disse: “O que fizeres ao mais pequenino dos teus irmãos é a mim que o fazes”. Deixemo-nos todos guiar pelo desafio que nos é feito pelas crianças da nossa catequese. Como elas fazem podemos também nós perguntar: Quem levamos connosco ao encontro de Jesus que vai nascer? 

. As pessoas que nos estão mais próximas e a quem muito queremos: os familiares e os amigos (1ª semana).

. As pessoas que estão mais longe porque não gostam de nós, porque nos magoaram, porque temos mais dificuldade em procurar (2ª semana). 

. As pessoas que estão a sofrer muito, os pobres, os sem-abrigo, os doentes, os marginalizados, os que são esquecidos por toda a gente (3ª semana). 

. As pessoas mais humildes e mais simples que nem se dão conta do caminho de Advento que os cristãos estão a viver (4ª semana).

Se não formos capazes de ir ao encontro de todos para lhes levar Jesus, na nossa oração levemo-los a Jesus para que, ao nascer, os acolha, os compreenda, os ajude para não ficarem sem Natal. Este é o caminho proposto pelas nossas catequistas aos pequeninos da nossa comunidade. Seguir este apelo responde à palavra do Senhor: “Se não vos fizerdes crianças, não entrareis no Reino dos Céus”.

4. Desejemo-nos uns aos outros um Bom Advento para merecermos ter um Bom Natal.

Pe. Vítor Feytor Pinto - Prior

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