XII DOMINGO DO TEMPO COMUM-20 de Junho 2010

“«E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?». PEDRO TOMOU A PALAVRA E RESPONDEU: «ÉS O MESSIAS DE DEUS»”.

(Lc 9, 20)

 I LEITURA – Zac 12, 10-11; 13, 1

Quando os homens se converterem, hão-de lamentar o mal que fizeram. nomeadamente, hão-de lamentar «aquele que trespassaram».

SALMO – 62,(63), 2-6. 8-9 (R.2b)

Refrão: A minha alma tem sede de Vós, meu Deus

II LEITURA – Gal 3, 26-29

«Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher».

EVANGELHO – Lc 9, 18-24

Pedro descobre que Ele é o Messias. Jesus diz que sim, Mas é um Messias que vai sofrer, ser rejeitado e morrer. Só ao terceiro dia ressuscitará.

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XII DOMINGO DO TEMPO COMUM

            “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher: todos vós sois um só em Cristo Jesus.” (Gal 3,28). Esta palavra é importante, mas precisa de ser tomada a sério. Às vezes limitamo-nos a sugerir que é vontade de Deus que os “judeus” tratem bem os “gregos”, os livres tratem bem os escravos, os homens tratem bem as mulheres. Ora S. Paulo diz muito mais do que isso. Questiona a própria “classificação”. Certamente que haverá sempre raças diferentes, haverá sempre níveis sociais diferentes, haverá sempre homens e mulheres. O que é questionável é que os cidadãos da Europa ou dos EUA pensem que valem mais do que os cidadãos da África ou da Oceânia, os ricos pensem que valem mais do que os pobres, os homens pensem que valem mais do que as mulheres. O que é questionável é que continuem a existir servidões. Em toda a parte e até na Igreja.

            A História ensina-nos que as nações e a comunidade das nações precisam de governos e de leis. As leis e os governos têm como objectivos manter a paz na justiça, desenvolver a economia, a saúde, a instrução, criar condições para que os mais desfavorecidos possam singrar, contrariar toda a espécie de crimes, nomeadamente os crimes perpetrados pelos indivíduos e organizações que dispõem de riqueza e poder.

            Jesus contrariou a fusão entre a Religião e o Estado: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”(Mat 22,21, Marc 12,17, Luc 20,25). Mas é evidente que todo o homem sério, e nomeadamente o cristão, tem de se preocupar com a justiça e com a maneira como os governos funcionam. É uma maldição quando os governos estão na mão de partidos que só se preocupam com os interesses dos seus filiados, é outra maldição quando os povos são governados por pessoas incompetentes. Einstein foi convidado para Presidente de Israel, mas recusou: tinha consciência de que era competente como físico, mas incompetente como governante. Teve, em todo o caso, alguma acção política: juntou-se a outros prémios Nobel para alertar a opinião pública e os governos contra a guerra nuclear.

            Os povos antigos queriam que houvesse justiça dentro das suas fronteiras, mas não se coibiam de matar, violar, escravizar, roubar e destruir, quando se tratava de “inimigos”. A Bíblia mostra que o próprio povo do Antigo Testamento agia assim. São essas as ordens que Moisés e Josué dão às suas tropas, cobrindo-se, sem pejo, com a autoridade de Deus. Como se alguém pudesse acreditar que era Deus quem ordenava tais atrocidades!

            A partir do séc. XVIII cresceu o desejo de uma justiça universal. A qual implicará, um dia, uma autoridade universal. Mas até lá, implica negociações, convénios, tratados, e o respeito desses tratados.

            Infelizmente, os países mais poderosos só acatam os tratados e só respeitam as convenções quando isso lhes traz lucro. Da Antiguidade aos nossos dias.

            Isto significa que é árduo o caminho da justiça, e que é perigoso confiar em quem quer que detenha algum poder. O mundo não funciona sem poder, mas os homens têm de se defender dos excessos do poder. Os séculos passados tentaram, laboriosamente, lançar as bases para uma democracia, um governo do povo e para o povo. Tudo parece oscilante. Mas uma das obrigações dos homens, e por isso uma das obrigações dos cristãos é não ter medo de teimar, quando a direcção parece boa. “Pois quem quiser salvar a própria vida há-de perdê-la, mas quem perder a vida por Minha causa há-de salvá-la.” (Luc 9,24). A propósito, está a correr o processo de beatificação dum político, o francês Robert Schuman, “infatigável pioneiro da unidade europeia”.

P.e João Resina Rodrigues (in a Palavra no Tempo II)

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