AS FÉRIAS ESTÃO A CHEGAR -27-06-2010

1. O Verão começou, como acontece todos os anos, a 21 de Junho. Já fazia falta o sol e a pontinha de calor que dá alegria à vida, uma vez que a chuva e o frio teimavam em continuar. Os próximos meses, Julho, Agosto e Setembro, são oportunidade para, à escolha de cada um, se programarem as férias. Muitos não conseguem mais do que uns 15 dias de descanso. Alguns propõem-se, durante um mês, sair do seu meio habitual e rumar para outras paragens, deixando para trás todas as preocupações. Só as crianças e os jovens nas escolas podem alargar mais os dias de repouso. Mas será que as pessoas são capazes de preparar os dias de férias, programar as actividades a desenvolver, escolher com cuidado a forma de ocupar os dias? É a isto que se chama “preparar as férias”. O que são afinal as férias?

· Tempo de descanso, após um ano de trabalho, muitas vezes carregado de dificuldades, com sofrimento à mistura e sem os resultados desejados. É, então, oportunidade de recuperar forças.

· Tempo para rumar a outras paragens, ver outros lugares, conhecer outras culturas, contactar com outras pessoas, fazer outras experiências, experimentar outros sabores, um sem número de coisas que uma viagem proporciona.

· Tempo para estar com velhos amigos que, ao longo do ano, vivem longe. É o momento de fazer crescer uma amizade que nem os silêncios, nem as distâncias conseguem apagar. De facto, os verdadeiros amigos são os primeiros e nem sempre pode estar-se com eles…

· Tempo para fazer coisas que se guardaram para as férias: ler alguns livros, ver alguns filmes, ouvir música, visitar algum museu, experimentar alguns “pratos exóticos”, saborear a vida no convívio da família, com filhos e netos por perto.

· Tempo para ir à praia, para estar no campo, para respirar silêncio, para deixar o sol entrar na vida e ler, no caminho das estrelas, o sonho de aventuras sempre mais belas, com a certeza de que tudo isto tonifica o espírito e dá coragem para recomeçar.

2. As férias serão também tempo para Deus? Esta é uma pergunta oportuna, uma vez que muitos, em férias, se esquecem de conversar com este amigo único, “o Senhor Deus das nossas vidas”. Há pessoas que consagram os primeiros dias de férias a tempo de recolhimento, numa qualquer casa de oração. Pode ser num retiro pessoal ou de grupo ou, simplesmente, num mosteiro ou convento onde todo o ambiente facilita a relação com Deus. Depois, ao longo dos outros dias de férias, podem programar-se actividades mais voltadas para a espiritualidade:

· Procurando aprofundar a fé, na leitura da Palavra de Deus, no conhecimento mais exigente da pessoa de Jesus Cristo, na afirmação de uma aproximação maior ao mistério da Igreja;

· Consagrando um tempo significativo à oração, “falando com Deus como um amigo fala a seu amigo” (cf. Ex 33, 7-11), confrontando os acontecimentos lidos nos jornais com o projecto de Deus que é sempre um projecto de amor e de paz;

· Dedicando algumas horas a visitar os mais pobres, levando-lhes o conforto de uma presença, com a partilha suficiente que os alivie nas suas dificuldades e lhes garanta a suficiente qualidade de vida;

· Participando com mais frequência na Eucaristia, o grande Sacramento que “é sinal de unidade, vínculo de amor e banquete da alegria pascal” (S.C.47); a missa quase diária pode ser estímulo para uma espiritualidade comprometida na vida;

· Vivendo com o povo as festas dos oragos da aldeia, dando assim testemunho de uma fé vivida dentro da comunidade local; participar nas tradições das terras de referência é um sinal de que a cultura, os ambientes mais abertos, o sucesso social não adormeceram a fé cristã recebida no seio da família.

Deus não pode estar ausente das férias de um cristão. Importante é saber como privilegiar a relação com Deus, num tempo que está mais livre, em que melhor se pode chamar a Deus “Abba, Pai”.

3. Desafios para as férias de 2010. Este ano os cristãos estão envolvidos em acontecimentos que marcaram muito a vida das famílias, das comunidades, dos movimentos.

· Há uma crise económica, o que obriga os cristãos a serem moderados nas suas despesas. Mesmo que tenham bens, também então têm o dever de ser austeros, repartindo o que gastariam, por outros que não têm possibilidade de fazer férias.

· Bento XVI fez uma viagem apostólica a Portugal. Em férias há oportunidade de reler os discursos do Papa, ver o DVD que lembra a passagem do Santo Padre por Lisboa, Fátima e Porto, tirar conclusões para a actividade pastoral do próximo ano.

· O ano 2010 foi o Ano Sacerdotal. Poderá fazer-se um estudo sobre o sacerdócio, descobrir a importância do sacerdócio comum que todos os cristãos devem sentir ser elemento da sua consagração baptismal e, também, sentir a responsabilidade pelo sacerdócio ministerial. Conversar sobre a missão sacerdotal, interessar os jovens pela beleza desta missão e orar constantemente ao Senhor para que “mande operários para a sua messe” (Lc. 10, 3).

· A passagem do Padre João para a casa de Deus obriga a pensar como pode cada um compensar a sua falta: aceitando ser catequista, querendo colaborar na liturgia das crianças ou em outras, continuar a estudar para valorizar a sua acção pastoral.

Estes e outros acontecimentos podem motivar uma programação diferente das nossas férias. A criatividade faz parte da nossa maravilhosa aventura humana e cristã.

4.  A Paróquia também tem tempo de férias. Nestes três meses, reduzem-se as actividades. Cada sacerdote terá um mês de férias: Julho – Padre Arcanjo; Agosto – Padre Vitor; Setembro – Padre António. O Padre Ernesto ajuda a cobrir as faltas. Ao domingo deixarão de celebrar-se as missas das 13h 15 e das 17h 45. As catequeses param até Setembro. Só a caridade continua em pleno a responder aos desafios do amor repartido.

Preparemo-nos para as nossas férias.

O Prior – Monsenhor Vitor Feytor Pinto

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