AVALIAÇÃO – 20-06-2010

1. Quando se fala de avaliação, acontece sempre uma certa angústia, porque as pessoas temem que os outros se debrucem apenas sobre o que de negativo aconteceu na sua acção ou na sua vida. Avaliação, porém, é extremamente importante, para reconhecer o que de bem se fez e que é preciso continuar a valorizar ainda mais, e para enfrentar o que houve de menos bom e que pode ser corrigido, depois de ultrapassado, abrindo portas a novos sonhos. Avaliar e ser avaliado faz parte do caminho normal das pessoas e das organizações.

· O exame de consciência, tão recomendado na nossa vida espiritual, é uma forma bonita de avaliação pessoal.

· As provas de exame propostas nas escolas, quer para passar de ano, quer para fazer licenciaturas, mestrados e doutoramentos, são indispensáveis a resultados importantes para as pessoas e as instituições.

· A avaliação de profissionais constitui um desafio à mais qualidade, utilíssimo para garantir desempenhos – atingir melhores objectivos.

· As empresas são avaliadas pelos relatórios de actividades e de contas que, com resultados positivos, permitem projectar mais longe os novos programas e orçamentos.

· Também as comunidades cristãs têm o dever de avaliar-se e deixar-se avaliar, tendo em atenção a sua acção profética, litúrgica e sociocaritativa. É por isso que as paróquias dão conta à diocese das suas dificuldades e dos seus projectos, esperando a aprovação sempre necessária.

· Até a Igreja universal, em muitos Sínodos e Concílios, faz exercício de avaliação, para corrigir erros (os Papas chegam a pedir perdão por eles) e para abrir caminhos novos perante o mundo que se renova, sobretudo, perante as constantes exigências do Evangelho.

Avaliar é acto indispensável à vida humana, uma vez que os seres humanos são imperfeitos e devem poder chegar mais longe, lutando constantemente, para a perfeição desejada.

2. Jesus Cristo não teve receio de avaliar e de deixar-se avaliar. Ao longo do Evangelho deparamos com situações que são maravilhoso exercício de avaliação sem um estudo exaustivo. Gosto de recordar alguns:

· Depois de enviar os discípulos dois a dois, deu-lhes orientação e eles partiram para levar a paz a toda a gente onde chegavam (cf. Lc 10, 17-20). Depois, reuniu-se com eles e eles contaram o que aconteceu, tendo Jesus dado a palavra final de avaliação de quanto haviam feito.

· A Pedro, cuja debilidade bem conhecia, apesar do sua espantosa generosidade, pôde dizer: “E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32). É o convite a uma certa revisão de vida, autêntica avaliação pessoal para Pedro.

· A João e Tiago, filhos de Zebedeu, Jesus foi capaz de dizer “não sabeis o que estais a pedir” (Mt 20, 22). Ter este ou aquele lugar não depende de mim mas do Pai que está nos céus.

· A Judas, numa última tentativa de aproximação, quase a pedir-lhe que revisse a sua posição, Jesus soube dizer: “Com um beijo, entregas o Filho do Homem?” (Lc 22, 48). Era o último apelo à avaliação necessária, para não cair na tentação de trair um amigo.

· O próprio Jesus também quis avaliar-se. Na oração em Getsmani Ele acabou por rezar: “Pai, se é possível, afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22, 42).

Em todo o seu caminhar, Jesus foi-se avaliando para cumprir sempre a vontade do Pai e soube avaliar os seus discípulos para que, vencidas as dificuldades, pudessem com a força do Espírito Santo, continuar a obra começada.

3. Também na Paróquia do Campo Grande queremos avaliar todos os projectos que estão em curso. Neste fim de ano pastoral, viveram-se inúmeras iniciativas, algumas de extraordinária importância e mesmo excepcionais. Foi o caso da passagem do Papa pela nossa paróquia (na Av. Estados Unidos e em Entrecampos e Av. da República) e também o Ano Sacerdotal (com a imagem do Bom Pastor entre nós). Tivemos em toda a acção pastoral uns 38 projectos diferentes. Como realizámos esta aventura pastoral?

· Pedimos a cada projecto um pequeno relatório numa folha A4, com a indicação dos resultados conseguidos e a ideia para prosseguir a acção.

· A 9 de Julho, o Conselho Permanente (secretariado) irá analisar o que se fez, cruzar os elementos que permitam fazer crescer a comunidade, nesta grande aventura da evangelização.

· Estabelecer-se-ão os critérios de acção para o próximo ano pastoral, tendo em conta a profecia (o anúncio de Jesus Cristo vivo), a liturgia (a celebração dos sacramentos, a vida de oração), a acção sociocaritativa (a caridade generosa em tempo de grande crise).

· Conseguir-se-á lançar em Setembro o novo programa pastoral para 2010/2011, desafio enorme para, com entusiasmo, continuarmos a levar a todos os que no-la pedem a Boa Nova da Salvação.

São os serviços que estão a autoavaliar-se, é a comunidade paroquial enquanto tal que deixa avaliar-se, é cada pessoa, com exigência espiritual que tem de avaliar-se. A avaliação, procura do bem que se faz para o projectar e do menos bom que acontece para o contrariar, é isso que permite “fazer novas todas as coisas” (Ap. 21,5)

4. Já se está a preparar o novo ano pastoral. É no esforço de todos, na generosidade de muitos e na alegria de cada um que continuamos unidos “na doutrina dos apóstolos, na fracção do pão, nas orações e, até, na partilha de bens” (Act 2, 42-43).

O Prior – Monsenhor Vitor Feytor Pinto

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