TESTEMUNHAS DA RESSURREIÇÃO – Quando Jesus ressuscitou, os seus discípulos tinham-se dispersado. O facto de Jesus ter sido crucificado, constituía para eles o maior fracasso. Esperavam um reino temporal e, afinal, aquele que era a razão da sua esperança acabara por ser condenado à morte e morrer no suplício da cruz. Maria Madalena foi surpreendida pelo sepulcro vazio. Correu ao encontro de Pedro para lhe dar a notícia de que alguma coisa acontecera. João e Pedro vieram, então, ao sepulcro e confirmaram que Jesus estava vivo. A boa notícia espalhou-se entre os discípulos. Muitos estiveram com Ele e confirmaram a Ressurreição.

Entre os que haviam deixado de acreditar em Jesus estavam dois discípulos que tinham uma pequena quinta na cidade de Emaús. Quando desiludidos, caminhavam para o campo, surgiu-lhes um companheiro. Este amigo de ocasião pretendeu saber qual era a razão da sua tristeza. Falou-lhes de toda a história da salvação contada nas Escrituras, procurou revelar-lhes que a Palavra de Deus era sempre cumprida e que o Salvador tinha chegado. Os discípulos de Emaús, porém, nada entenderam porque o seu coração estava magoado. Não se aperceberam sequer que era Jesus que caminhava com eles. Criou-se alguma simpatia entre os três. Por isso convidaram aquele estranho a entrar em sua casa, porque a noite já estava avançada. Convidaram-no a jantar com eles e só nesse momento, no partir do pão, reconheceram Jesus Ressuscitado. A partir desse momento, quando Jesus desapareceu, não puderam mais conter-se e correram em plena noite ao encontro dos Apóstolos para lhes dizer que tinham estado com o Senhor. Foram surpreendidos com a resposta que receberam: “também já apareceu a Pedro”.  Todos, então, se assumiram como testemunhas da ressurreição.

Na liturgia deste terceiro domingo da Páscoa, se a história dos discípulos de Emaús é de rara beleza, a mensagem mais importante vem, porém, do discurso de Pedro. Na varanda do Cenáculo, depois de receber o Espírito Santo, Pedro proclamou, a toda a Jerusalém, a certeza de que Jesus que tinha sido condenado à morte, estava vivo, ressuscitara e era o Senhor dos vivos. Era este o seu testemunho. Este discurso de Pedro proclama a Ressurreição de Jesus e refere que esta vitória sobre a morte estava anunciada desde os patriarcas, por todos os profetas. Disse, então, com toda a clareza que os Apóstolos eram testemunhas desta Ressurreição. Pedro, depois, irá levar esta grande notícia a todas as comunidades que foi fundando à volta de Jerusalém. A sua carta que hoje se lê confirma este testemunho que é o elemento essencial de toda a catequese que, ao longo da sua vida, Pedro fará às comunidades.

A liturgia de hoje convida todos os cristãos a serem testemunhas da Ressurreição de Cristo. Jesus morreu e ressuscitou, está vivo para sempre. A ressurreição é o fundamento da nossa fé, é fonte de uma alegria intensa na vida de todos os dias, dá a garantia para superar todas as  dificuldades e confirma a promessa da eterna Bem-Aventurança. Como Cristo ressuscitou todos vamos ressuscitar.

Monsenhor Vítor Feytor Pinto

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LITURGIA DA PALAVRA:

“E QUANDO SE PÔS À MESA, TOMOU O PÃO,

RECITOU A BENÇÃO, PARTIU-O E ENTREGOU-LHO.

NESSE MOMENTO ABRIRAM-SE-LHES OS OLHOS E RECONHECERAM-NO.”

                                                   (Lc 24, 30-31)

I LEITURA – Actos 2, 14.22-33

A mensagem de Pedro aos onze Apóstolos, sobre o Mistério Pascal da Morte e Ressurreição de Jesus.

Leitura dos Actos dos Apóstolos
No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. Diz David a seu respeito: ‘O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença’. Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».
Palavra do Senhor.

SALMO – 15 (16), 1-2a.5.7-8.9-10.11

Refrão: Mostrai-me, Senhor, o caminho da vida. Repete-se.
Ou: Aleluia. Repete-se

Defendei-me, Senhor; Vós sois o meu refúgio.
Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus.
Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
está nas vossas mãos o meu destino. Refrão

Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,
até de noite me inspira interiormente.
O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei. Refrão

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta
e até o meu corpo descansa tranquilo.
Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção. Refrão

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena em vossa presença,
delícias eternas à vossa direita. Refrão

II LEITURA – I Pedro 1, 17-21

Pelo «Sangue precioso de Cristo», fomos resgatados da escravidão do pecado.

Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
Caríssimos: Se invocais como Pai Aquele que, sem acepção de pessoas, julga cada um segundo as suas obras, vivei com temor, durante o tempo de exílio neste mundo. Lembrai-vos que não foi por coisas corruptíveis, como prata e oiro, que fostes resgatados da vã maneira de viver, herdada dos vossos pais, mas pelo sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha, predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por vossa causa. Por Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus.
Palavra do Senhor.

ALELUIA – cf. Lc 24, 32

Refrão: Aleluia. Repete-se

Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras,
falai-nos e inflamai o nosso coração. Refrão

EVANGELHO – Lc 24, 13-35

Os discípulos de Emaús.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou estes dias». E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.
Palavra da salvação.